3.8.06

Days like this

EM QUE ME APETECE MANDAR TUDO P'O C*R*LH*.

Pardon my french.

Só mais um (e este vale MUITO a pena)



Fiona Apple "Paper Bag"

I was staring at the sky
Just looking for a star
To pray on, or wish on
Or something like that

I was having a sweet fix
Of a daydream of a boy
Whose reality I knew
Was a hopeless to be had

But then the dove of hope began its downward slope
And I believed for a moment that my chances were
Approaching to be grabbed
But as it came down near, so did a weary tear
I thought it was a bird, but it was just a paper bag

Hunger hurts, and I want him so bad, oh it kills
'Cause I know I'm a mess he don't wanna clean up
I got to fold 'cause these hands are too shaky to hold
Hunger hurts, but starving works, when it costs too much to love

And I went crazy again today, looking for a strand to climb
Looking for a little hope
Baby said he couldn't stay, wouldn't put his lips to mine,
And a fail to kiss is a fail to cope

I said, "Honey, I don't feel so good, don't feel justified
Come on put a little love here in my void"
He said, "It's all in your head"
And I said, "So's everything'" but he didn't get it
I thought he was a man but he was just a little boy

Hunger hurts, and I want him so bad, oh it kills
'Cause I know I'm a mess he don't wanna clean up
I got to fold écause these hands are too shaky to hold
Hunger hurts, but starving works, when it costs too much to love

Sim, estou viciada no tutubo



The Dears "The death of all romance"

2.8.06

Prazeres

A piscina da Angela em pleno Lumiar.

Prazeres

Carte d'Or Mania for Coffee directamente da embalagem com uma colher de sopa enquanto os olhos fechados deixam o corpo balançar ao som de Simentera.

30.7.06

Raciocínio (pouco) lógico

Hemorragia, dor, solidão, calor, sol, música, Sines, praia, amizades, lágrimas, nó na garganta, saudades, desilusão, tempo, exames, Lisboa, acasos, coincidências, projectos, frustrações, encontros, desencontros, mudanças, viagens, madrugadas, aurora (não boreal), sorrisos, mãos dadas, conversas, temperos, cerveja, sapatilhas (ou ténis?), vestidos, Havaianas, Tejo, dança, beijos, timidez, frigorífico, palavras, canções, mensagens, fotografias, desejo, prazer, melancolia.

Summer tunes V



Jamie Lidell "Multiply" (A merecida recuperação porque o Verão é também sensualidade, sedução e menear de ancas.)

Such a twat

"Why did I have to go and do a stupid thing like that
Coz yeah it felt like we were through though
But I could've ruined it,

I’m such a twat."

29.7.06

Save as draft?

Ouvir a tua voz depois de todos estes anos e ela ter a mesma doçura enquanto me convidas para um café. Encontrar-te agora (hoje!) e estares na mesma.

O teu sorriso aberto por me ver, "Ao tempo!", abraçarmos-nos como nunca, conversarmos como se apenas ontem não nos tivéssemos visto, como se este tempo em branco tivesse apenas durado aqueles dias que duram anos quando se está apaixonado.

Eu com a esperança que sejas tu, eu com a certeza que ainda és tu quem me completa, eu julgando que quando nos víssemos acabariam os receios e as perguntas.

Eu concentrada em ti enquanto te olho nos olhos para perceber se também gostas, se também queres, se também sentes.

Tu a afastares-te suavemente dos meus braços, a dar um passo ao lado

[e eu com a cabeça - e o coração - num beijo]

a apontares para uma mulher com um carrinho de bebé.

Os meus braços como pêndulos alinhados, a consciência que é um túnel em espiral por onde entro, primeiro a cabeça, depois o tronco, só então as pernas, o corpo ganhando o peso de elefantes para depois ficar leve como uma pluma, uma cegueira breve, os ouvidos que - por mais que me esforce- ainda te ouvem

"Aquela é a minha mulher e o meu filho."

[Nota para mim mesma: texto obviamente a precisar de polimento.]

Eyes wide shut

Aproximo-me de ti devagar, arrasto-me preguiçosamente pelos lençóis revoltos e o meu corpo procura o teu, e já o conhece bem, as minhas coxas encaixam nas tuas e o meu peito encosta-se às tuas costas.

Dormes a sono solto mas aos poucos despertas. Sem nunca abrir os olhos, viras-te para mim e sem me ver olhas-me, e os teus lábios tocam os meus, ao de leve, em reconhecimento.

As nossas mãos fecham-se uma na outra, descobrindo primeiro as pontas dos dedos, macias, depois percorrendo o comprimento até à palma, as linhas da vida que não te adivinharam aqui e que se desenham e entrecruzam como as nossas pernas.

Os corpos em mar alto.

O beijo que se prolonga em suspiros, a tua boca que se continua

no meu pescoço

na minha nuca

no lóbulo da orelha esquerda

no pescoço outra vez

no lóbulo da orelha direita

na minha nuca

para se perderem em desejo junto aos ombros destapados.

Os teus olhos sempre fechados.

A minha língua desliza pelo teu pescoço, por lá se demorando, e percorre o teu tronco, desenhando ténues espirais, começo no tórax e desço ao ritmo da tua respiração até ao teu abdómen, páro no teu umbigo.

Não resistimos e voltamos a fazer encontrar os lábios para mais ósculos. E digo-te

"Ósculos"

e tu sorris mas estás preso em mim, por isso sorris para dentro de mim e esse sorriso junta-se à corrente sanguínea e enche-me de prazer dos pés ao cabelo.

As nossas mãos soltam-se e as tuas agarram firmemente nas minhas ancas e fazemos da figura humana geometria enquanto nos projectamos em ângulos, curvas e intersecções.

Os teus olhos sempre fechados.

Até que os abres e.

(E o fim da história já o conhecemos.)

Respondes-me tu:

E agora?

27.7.06

Summer tunes IV




Beck "Girl"(Hino do Verão passado, mas sempre muito solarengo e actual, a letra podem-na encontrar aqui)

Summer tunes III



Phoenix "Consolation Prizes(sim, é a mesma banda, mas exala Verão por todos os poros, não lhe consigo resistir.)

Summer tunes II



Phoenix "If I ever feel better" (porque é o meu hino de Verão há muito muito tempo)

Summer tunes I



I'm from Barcelona "We're from Barcelona"

26.7.06

Sullen Batsie

sul·len (sln)
adj. sul·len·er, sul·len·est
1. Showing a brooding ill humor or silent resentment; morose or sulky.
2. Gloomy or somber in tone, color, or portent: sullen, gray skies.
3. Sluggish; slow: the sullen current of a canal.



"Days like this, I don't know what to do with myself
All day and all night
I wander the halls along the walls and under my breath
I say to myself I need fuel to take flight

And there's too much going on

But it's calm under the waves, in the blue of my oblivion
Under the waves in the blue of my oblivion

Is that why they call me a sullen girl, sullen girl

They don't know I used to sail the deep and tranquil sea
But he washed me shore and he took my pearl
And left an empty shell of me

And there's too much going on

But it's calm under the waves in the blue of my oblivion
Under the waves in the blue of my oblivion
Under the waves in the blue of my oblivion
It's calm under the waves in the blue of my oblivion."

"Sullen girl" - Fiona Apple (tudo a ouvir até decorar, vá)

25.7.06

Um adeus

O vento corria rasteiro sobre a areia. Um barco encostava no quebrar das ondas, dois (ou três?) homens de pele queimada e barba por fazer, puxavam por cordas fazendo-o atracar. Traziam redes cheias de peixe; um bando enorme de gaivotas rodeava-os desde alto-mar, roubando um ou outro. As poucas pessoas na praia àquela hora aproximavam-se também, curiosas ou mesmo interessadas. Via-as afastarem-se minutos depois, sacos na mão, os miúdos contentes a mexerem nas escamas, nas barbatanas.

Foi um instante para aquela confusão acabar e eu finalmente ficar a sós com o mar.

O vento cada vez mais frio e o sol que desaparecia longe. Eu abraçada às minhas pernas pensava em mim. Mas em mim de uma maneira diferente, porque só pensava em mim por não conseguir deixar de pensar em ti.

Como se pensar em ti fosse uma maneira de te ter aqui.

De alguma maneira associava cada detalhe desta praia que adoravas a um pedacinho da tua vida. De alguma maneira sentia-me abraçada por ti, apesar da nossa etérea distância.

Vem dar um mergulho, a água está óptima!, dizias-me - ou a criança dentro de ti, acenando por entre braçadas.

Fizeste de mim irmã do mar, do vento, dos relâmpagos, confidente das algas e das conchas, amante da areia e do sol. Entregaste a minha paternidade ao Verão, às chuvas quentes, ao céu limpo, ao chocolate derretido.

Mas nenhum deles é capaz de me consolar agora que aqui já não estás.

Ontem, antes de te ver sob sete palmos de terra, sentia um profundo ódio por isto: nunca foste um pai muito presente excepto quando aqui vínhamos os dois e eu sempre pensei que isso um dia mudaria. E quando soube, que tinhas

Desculpa, mas ainda não consigo dizê-lo

quando soube que tinhas ido para outro sítio qualquer, julguei que me abandonavas, pai, que finalmente assumias que tinhas desistido de mim. Foi ao ver o teu rosto no velório que te perdoei, que desejei estar ali deitada a teu lado para que juntos pudessemos conhecer todas as praias por este mundo a fora.

Desejei morrer para te deixar ser meu pai só mais uma vez.

[Cada vez mais frio nesta praia cada vez mais deserta. Dentro de mim, um sangue que não me aquece, um coração que bate apenas o suficiente para me manter viva, um corpo seco que já perdeu todas as suas lágrimas.]

Decido adormecer na areia gélida no nosso último dia de praia juntos. (Avisa à mãe que fico cá a dormir.)

Anoitece sobre o mar, o espelho negro reflecte a luz da lua. O vento cada vez mais agreste cobre-me de areia e eu sinto-te aqui. Pões a mão no meu ombro

Eu sei que não podes estar aqui a pôr-me a mão no ombro mas eu sinto-te, não sei explicar

e o vento e as ondas falam comigo, dizem-me aquelas coisas que eu gostava de ter ouvido da tua boca. Sei que és tu, aqui.

Sei que serás tu para sempre aqui.

23.7.06

BITE ME!

Os Strokes são bons, mas melhores no primeiro disco do que nos outros. E enormes em palco. Ponto final.

JUST TAKE IT OR LEAVE IT. JUST TAKE IT OR LEAVE IT.

OH TAAAAAAKE IT.

22.7.06

Humanos

Sou humana, como tu. Tenho dúvidas, pressentimentos, medos e inseguranças. Mas como tu, sei que há qualquer coisa dentro de cada um de nós que nos eleva, que nos faz ser mais um para o outro - e um para os outros - do que uma mera e permanente questão. Estou mais que certa que dentro de mim existe mais do que um ponto de interrogação, de exclamação, umas reticências ou - Deus nos livre! - um ponto final. É porque dentro de nós existe mais do que pontuação; há algo vivo, que respira e se alimenta e que, ao fazê-lo, assegura que também nós passemos pela vida fazendo mais do que apenas respirar e alimentar. Passamos pela vida sentindo-a, o que nos humaniza mais do que tudo.

Sou humana como tu. Tenho certezas, emoções, lógicas e razões. E é por isso que gosto assim, que sinto com o corpo todo e que esta alma está, mais do que nunca, inquieta e expectante.

Ao som de "I found a reason" dos Velvet Underground pela doce (tão doce!) Cat Power. Deixo o site para download para que o leiam também assim!

17.7.06

E por ora


Levanto o braço do gira-discos antes que o vinil risque mais e os danos sejam irreversíveis. Protejo o disco com um envelope de plástico e coloco-o na capa. Guardo-o na estante com cuidado - é uma raridade.

Voltarei a este disco com mais calma noutra altura. Posso esperar.

Proporcionalidade directa com a vida

Cada vez lhe peço menos, cada vez menos recebo também.

15.7.06

PARABÉNS (só mais uma vez)

O meu presente para ti:



Faltas tu, aqui, eu sei. (Mas já percebi a cena das stan smith, é muito do hip-hop você!)

Uma canção de João Gilberto por dia dá saúde e alegria II

Coisa mais bonita é você, assim, justinho você
Eu juro, eu não sei porquê você.

Você é mais bonita que a flor, quem dera à primavera da flor
Tivesse todo esse aroma de beleza, que é o amor
Perfumando a natureza, numa forma de mulher.

Porque tão linda assim não existe, a flor, nem mesmo a cor não existe,
E o amor, nem mesmo o amor existe.

João Gilberto "Coisa Mais Linda"

(ATENÇÃO, LEITORES DESATENTOS: Isto é um link para fazerem download da música, para que também vocês possam fazer karaoke; na canção anterior também lá está o link para os interessados - que eu, confiando no bom-gosto dos meus leitores, receio que sejam todos!)

13.7.06

Uma canção de João Gilberto por dia dá saúde e alegria I

Este seu olhar
Quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar

Doce é sonhar
É pensar que você
Gosta de mim
Como eu de você!

Mas a ilusão
Quando se desfaz
Dói no coração
De quem sonhou
Sonhou demais

Ah! Se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos...

João Gilberto "Este seu olhar"
(sempre em prol da saúde dos seus leitores, o Desumanos têm o prazer de disponibilizar a canção- é só seguir o link e fazer o download, por favor)

12.7.06

CSS [cansei de ser sexy]

Nen sempre se percebe porque gostamos à primeira de uma canção. Há quem fale em letra, há quem fale em melodia ou instrumentalizações, há quem fale em beats e pós-produção. No caso de quem escreve, costuma ser uma sensação de viagem, de identificação, ou para resumir e deixar-se de devaneios, aquela sensação boa de comer um gelado de nata com molho de chocolate quente e morangos frescos, sabem?, é essa sensação que me costuma prender a uma canção.

No caso de Cansei de ser sexy (CSS para facilitar), há também o humor. Que começa imediatamente com o nome escolhido pela banda [que eu vou mandar escrever numa t-shirt, by the way] e com o início da banda: quando se juntaram, quais trapezistas musicais sem rede, não sabiam tocar instrumentos nenhuns à excepção do baterista. É no mínimo inusitado, querer ter uma banda e não saber tocar, mas é visível em toneladas de objectos pop morangos-com-açúcar-band-totalmente-em-desrespeito-com-a-música; ainda mais inusitado se torna quando as pessoas que se juntam têm realmente paixão pela música, como eu ou tu, porque ainda mais do que inusitado torna-se sobretudo um acto de coragem e rebeldia. E o humor, ou a ironia, acontece também na distribuição do seu cd, que vinha com um CD virgem vazio para que se pudesse copiá-lo livremente (bela forma de combater a hipocrisia da suposta crise dos downloads ilegais). E o humor está também em cada título de EP, canção ou álbum (Em Rotterdam já é uma febre é o nome do primeiro EP, Let's make love and listen to Death from above, o nome do single).

Toda a gente sabe que o Brasil é um mundo, quem lá foi e quem pelo país se interessa mais do que ninguém o reconhece, se fosse para descrever o Brasil com uma cor, teríamos que usar uma paleta enorme, porque é um país de vários tons, não se fica pelo amarelo, também é cinzento, não se fica pelo azul, é também vermelho, não se fica pelo verde, é também laranja; nãoo se fica pelo branco, é também preto. E um dos factores inequívocos desta panóplia espectrofotométrica é, indiscutivelmente, a música. Estando toda a gente familiarizada com a bossa-nova, o samba, o pagode, o sertanejo, as dúvidas afloram um pouco quando se fala em baile funk, electrónica, hip-hop, reggae isto tudo cantado em português com um sotaque que lhe dá a graça toda. São Paulo, meus amigos, está no epicentro desta revolução (S. Paulo e as favelas, mas para o caso as favelas pouco interessam pois os moços de que vos falo são paulistas). E que cidade melhor que S. Paulo para fundir toda a música num só estilo? (uma cidade que, recordo-vos, tem tantos ou mais habitantes que Portugal todo junto) Em São Paulo, muito graças à editora Trama, nascem e renascem novos géneros musicais a toda a hora, novos hypes a cada minuto, novas bandas a cada segundo. E nós, deste lado do Atlântico, agradecemos. Porque esta música brasileira nova traz a boa-disposição e o sentimento da velha mas intemporal MPB, apenas torna-a mais bip-bop (seja o que isso for).

E é de bip-bop e de silly season que os CSS são feitos. Guitarras que misturam rock com electrónica desmesurada, beats provavelmente saídos de um órgão Casio (carrega-se-neste-botão-e-pronto), que se conjugam para fazer das coisas mais dançáveis (e sexys, há que dizê-lo) que já se ouviram este ano, letras provocantes e fáceis-de-decorar q.b., há The Kills e Yeah Yeah Yeahs mas há muito mais do que a fusão disto; os Cansei de ser sexy, sem o fazerem de propósito, conseguiram trazer muito mais às pistas de dança do que aquelas bandas de revivalismo 80s (que já me irritam): a evolução. Trouxeram mais, oferecem muito mais e é por isso que os devemos receber de braços abertos.

Na sua música há pura genuinidade (não confundir com ingenuinidade), há pôr-do-sol-depois-de-um-dia-de-praia, há caipirinhas, há bikinis e mini-saias e há corpos bronzeados. Mas, não fosse isto já bom o suficiente, não há só verão nestas canções, há também a cultura cosmopolita, há o Bairro Alto (ou a down-town NY), há o botellón (cada vez mais em voga na Praça Camões), há pontes sobre rios ( Brooklyn Bridge ou Vasco da Gama, not important), há imperiais fresquinhas em copos de plástico, há piercings e t-shirts (às riscas sempre) rasgadas.

E não sou só eu a dizê-lo.

Os Cansei de ser sexy começaram este mesmo mês uma tournée com o Diplo pelos Estados Unidos (boa sorte, amigos!) e eu temo que, para bem do nosso Verão, eles sejam the next big thing. Vão-no ser pelo menos no meu leitor de cd's.

[Não fosse a música suficientemente boa e os meninos ainda tiveram a audácia de ter um grande vídeo para mostrar]

"Let's make love and listen to Death From Above"
Cansei de ser sexy n'Os desumanos



Tempo para um conselho: se querem ser felizes, vão ao site da Trama, dos CSS e ao seu mypace e oiçam mais.

Tempo para um aviso: se não dançarem, é porque estão mortos.

11.7.06

Lugares-comuns

Passo as páginas do livro sem as ler, não leio palavras nem frases porque já nenhuma me diz seja o que for. Decidida a escrever a minha própria estória, sem intromissões nem compromissos, abro um caderno em branco, folhas vazias que esperam os meus instantes.

Penso que só acreditamos em príncipes encantados porque foi isso que nos ensinaram na infância.

E assim começo, a caneta bic roída na tampa desliza sobre o papel rugoso

folhas recicladas porque sou environment-friendly

E conto uma história e invento floreados e olhares e instantes que não existiram

porque quem conta um conto, acrescenta sempre um ponto

e geralmente está vento

e hoje em Lisboa o vento soprava com força, trazendo cheiros de outras nacionalidades

e arranjo qualquer coisa bonita para dizer sobre a forma como os cabelos estavam despenteados e a chuva consegue ser romântica porque toda a gente se recolhe debaixo de algum tecto

e, vinda do nada, ou talvez daquelas nuvens além, sinto gotas no rosto, primeiro no nariz, depois nos lábios e só então molham-me o cabelo - e o guarda-chuva em casa - e eu acelero o passo dirigindo-me a lado nenhum

e o ar que se respirava, que era já húmido, torna-se ainda mais sufocante, mas eu descubro maneira de fazer com que um olhar tímido se cruze com outro e duas pessoas, até então desconhecidas, sorriem e vão beber uma imperial e falar sobre a vida.

Dou por mim e apaixono-me pela minha caneta, pelo meu caderno, pela música que oiço, pelos livros que leio. Dou por mim e sou mais uma da carneirada com a mania que sou diferente (não melhor, só diferente). Agarro na minha caneta bic e parto para o egocentrismo: assino o meu nome em todas as folhas brancas do caderno, faço trocadilhos, desenho figuras geométricas e, cansada de esperar que alguém o faça por mim, preencho cada espaço vazio restante com uma cara sorridente (vulgo smiley).

Fecho o caderno e guardo-o na gaveta. Saio para a rua e está a chover, mas o ar está quente, seca-me por dentro. Era um belo momento para inspirar profundamente e sentir o cheiro da terra, mas se eu inspirar profundamnete agora, fico com uma grande dor de cabeça e o máximo que consigo cheirar é fumo de escape.

Querem-se / Precisam-se

Pessoas que observem
Que opinem , que escolham, que se insurjam
Que não toquem nas obras de arte mas saibam senti-las
Que vejam televisão e desliguem-na cinco minutos depois
Que percam meia hora a fazer o seu jantar
Que ponham a mesa mesmo quando jantam sós
Que oferecem um malmequer como presente de anos
Que enviem uma carta pelo correio
Que dêem a mão a quem gostam
Que fiquem tristes com as notícias, mas
Que ficam ainda mais tristes com a doença do vizinho do lado
Que não se limitem a encolher os ombros
Que brincam com crianças na rua
Que reconhecem as crianças que têm dentro de si
Que fazem brindes por tudo e por nada
Que fazem planos para amanhã, para daqui a meses ou daqui a uns anos
Que descobrem sempre uma maneira de dar a volta por cima
Que dançam com o corpo todo, à frente do espelho e de outras pessoas
Que sorriem perante a lua, o sol, o mar, o vento
Que se aninhem em coisas, e não só nos lençóis.
Que só se deitam depois de ouvir música
Que na cama lêem um parágrafo de um livro que adoram
Que ao fim do dia reparam que hoje foram melhores
Que, com a luz apagada ou acesa, nunca se esquecem de sonhar.

8.7.06

Adormecer

Estou cansada e é aqui que escolhi dormir.

O meu corpo repousado sobre um manto fofo de musgo, o cabelo estendendo-se junto aos malmequeres amarelos, as mãos e os pés intimamente acariciando a terra.

Mais importante, a alma, vazia de emoções, finalmente existe com esse único propósito: o de existir. Deixar passar o tempo sem tentar acelerá-lo, desfrutar unicamente da companhia do silêncio.

Aos poucos, um formigueiro percorre suavemente os membros, que perdem a tensão desviando-se do centro. O corpo adormece.

Jens Lekman - A higher power

She said let's put a plastic bag over our heads
and then kiss and stuff 'til we get dizzy and fall on the bed.
We were in heaven for five or six minutes, then we passed out
and I was so in love I thought I knew what love was all about.

In church on sunday making out in front of the preacher.
You had a black shirt on with a big picture of Nietzsche.
When we had done our thing for a full christian hour,
I had made up my mind that there must be a higher power.

A higher, higher power.

At a Christmas-party, I'd hold your hair when you vomit,
I'd help you up to brush your teeth, and then I'd kiss your stomach.
We lie still on your bed, the room is lit only by the tele
and it's a perfect night for feeling melancholy.

A higher, higher power.

[esta merece um post só para si]

À redescoberta

A sofreguidão para conhecer coisas novas, musicalmente falando, faz-me esquecer coisas boas que andavam a ganhar pó na minha estante. Foi o que aconteceu ao Jens Lekman, que tão injustamente há já algum tempo que não girava por estas bandas.

E um senhor que escreve coisas como as que vos vou mostrar não deveria ser nunca silenciado.

"She said "shhh
please be quiet
I know you don't want to
but please deny it""

[The cold swedish winter]

Ou então,

"When I said I wanted to be your dog
I wasn't coming on to you
I just wanted to lick your face
Lick those raindrops from the rainy days"

[When I said I wanted to be your dog].

6.7.06

Figura de estilo

Correr descalça e livre sobre a relva molhada,
respingar os tornozelos com gotas de chuva,
distraír-se,
cair.

Levantar-se,
uma perna atrás da outra,
erguer-se e limpar a dor,
sem se incomodar com o sangue
ou com a lama nas mãos,
concentrar-se,
correr de novo,
escorregar,
voltar a cair,
lamber as feridas,
erguer-se novo.

Uns dias um pouco mais triste, outros dias feliz como nunca.

4.7.06

Praia IV

Entretive-me a desenhar círculos na areia com os dedos, muito suavemente como o rasto de um eremita. O coração, enterrado no fundo do mar, batia mais depressa, cada dia um bocadinho mais.

Distraída como estava, não vi formar-se a onda que lavou a minha alma quando chegaste.

América Latina

Se eu pudesse, se eu pudesse..., visitava todos de uma assentada. Falta-me dinheiro e meses de férias para isso.

You Should Visit Peru

Peru is ideal for your "off the beaten path" traveling style.
Head out to an ancient Incan city, visit a volcano, and don't forget to pet a llama.

3.7.06

Googlism for: joana

joana is rich compared to those living in the villages of fiji
joana is self
joana is our second beanie tapir
joana is completely obsessed with bernhard and the relationship disintegrates
joana is a who's
joana is currently a sophomore at rock valley college and plans to transfer to niu after graduation in the spring of 2002
joana is originally from lisboa
joana is a happy
joana is still hoping that the family will get together again one day and that something positive will come out of all this
joana is keeping track of
joana is working on getting sierra nevada to donate space
joana is active in missionary work in haiti
joana is a seattle native who worked at world vision and interned at northwest urban ministry's hope central before joining the campus ministries staff
joana is een hele lieve en prachtige poes met grote oren en megapluimen erop
joana is a rio nightspot known as a bastion of old
joana is 15 and lives in germany
joana is born hier finden sie informationen zu den folgenden themen
joana is trusted by
joana is a booger
joana is deeply committed to enhancing life in ghana and the world
joana is my cousin but also belongs to my group of friends
joana is a naval infantry
joana is one of the original members of the blast
joana is another veteran of the blast from last season
joana is kein leben
joana is talking about is going to a lab and doing a timing on a feature
joana is a true local artist
joana is not literate
joana is the 2
joana is a 11 years old and tiago is a 12 years old
joana is looking for a friend that is between the ages of 30
joana is getting married
joana is willing to do light housework
joana is portuguese
joana is studying "signature whistles" while robin is studying behavioral development in the dolphins
joana is flexible
joana is decidedly architectonic
joana is the presidente of brca/usa and a very dear friend
joana is a bitchy wimp
joana is a genius

joana is the most polished setter
joana is the most polished
joana is going to school there
joana is a busy setting with 1
joana is 16

Verdades, mentiras, são os factos sobre as Joanas encontrados no google.

28.6.06

Tem dias em que me apetece

Agarrar neste blog e cortá-lo aos bocadinhos porque às vezes fico muito farta dele.

(Desta vez safou-se.)

Breathtaking

José Gonzalez - Heartbeats

one night to be confused
one night to speed up truth
we had a promise made
four hands and then away

both under influense
we had devine scent
to know what to say
mind is a razorblade

to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no

one night of magic rush
the start a simple touch
one night to push and scream
and then releaf

ten days of perfect tunes
the colors red and blue
we had a promise made
we were in love

to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no

to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough

and you, you knew the hands of the devil
and you, kept us awake with wolf teeths
sharing different heartbeats
in one night

to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no

to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no

(a sério, queridos leitores, o que seria de vocês sem as letras que ponho aqui?)

A frase que lembrava cada vez que batia o seu coração

Os seres humanos são sótãos emocionais.

Mais uma daquelas que não me sai da cabeça

Matthew Herbert - Something Isn't Right

i don't buy the thing you said
you hit the nail and not the head
tried to chain me to the floor
took the handle from the door

won't you look me in the eye
start by admitting now
something isn't right
something isn't right
look me in the eye
tell me something isn't right in here
no that something isn't right
not right

i won't pander to it all
join an army not a school
fit the handle to the door
something isn't right
look me in the eye
tell me something isn't right in here
no that something isn't right

cover up, when expose you ought to
wise up to the things they taught ya
cover up: its an allied slaughter
pucker up: it's a friendly torture

i won't follow you in to the night
i won't use your torch for a light
chop down trees just to set them alight
i won't follow your scent in the night

there must be something wrong
i don't feel love
there must be something wrong in here
i don't feel love do ya?
there must be something wrong
i don't fell love
because i ain't felt like this
i don't feel love
felt like this before
do ya

there must be something wrong
i don't feel love
something isn't right
there must be something wroing
something isn't right
i don't feel love
because i ain't felt like this
i don't feel love
felt like this before

ddddddo you think?
what d.d.d.do you think?

do you remember?

something isn't right
there must be something wrong
because i ain't felt like this
felt like this before
do ya

there must be something wrong
ddddddo you think?
what d.d.d.do you think?

do you remember?

do you deny all the goodness in everything?
can you describe all the wonder in me?
and if the details are too much to comprehend
an email's there on your laptop to see

i'm all over this world
im all over this
i'm all over this world
i'll over this
come on to me
try and take me down
i'm all over this, i'm all over this

(aqui fica a letra da praxe, mesmo sabendo que ninguém a lê- ficam a saber que eu sou adepta do homemade karaoke)

É impressão minha...

Ou Lisboa está-se mesmo a tornar uma praia onde a Cesária canta "É doce morrer no mar, nas ondas verdes do mar" e o corpo deixa-se levar pela ondulação, os pés pisam a areia fina sem deixar pegadas e a brisa que corre refresca sem arrepiar?

Curta-metragem

Saíu do autocarro duas paragens antes de sua casa, apetecia-lhe andar um bocado a pé, pensar na vida talvez (como se ultimamente conseguisse fazer outra coisa).

Decidida a apagar a imagem do estranho que conhecera uns dias antes, pensando "isto é uma grande estupidez", e de cada vez que o pensava os seus passos ganhavam mais velocidade como se de facto essa fosse a decisão mais acertada. Perante o trânsito e o seu andar ritmado, quase que acompanhava o autocarro no regresso a casa, e sorria por dentro e por fora, pensando, claro, que tinha controlo sobre si própria e sobre o que sentia.

Pensava na palavra paz dita de várias maneiras e em várias línguas, e noutras como viajar, sorrir, mar, vento, simples, todas elas soletradas pelas pedras da calçada para entretê-la durante a caminhada.

Quando chegou a casa, determinada em apagar aquele contacto do messenger, ligou o computador e leu "constroe tu stencillo!" - o seu braço paralisou. Lembrou-se de uma palavra dita pela pedra da calçada "sencillo" e também de como tinha vindo até casa a pensar que chegara a Primavera e com ela a hora de simplificar.

Por isso não apagou o contacto, antes pelo contrário, passou o serão a imaginar a melhor abordagem. E foi mesmo isso que lhe disse

Estava a pensar na melhor maneira de te dizer isto

apostada em causar uma boa segunda impressão.

Estórias

Estava perfeitamente combinado então, às 16 horas na porta do Monumental, sessenta euros na mão, na mão do anónimo dois bilhetes que garantiriam uma noite extremamente emocional na Aula Magna. Na cabeça, ideias dispersas que se centravam numa abordagem divertida mas também compenetrada, sobretudo empenho em esconder a timidez e o receio de desconhecidos. A alma, no sério compromisso de baralhar o corpo (como já é seu costume), sugeria ainda um convite para tomar café, caso o moço fosse simpático.

Aproximou-se da porta a medo, não conhecia o rapaz, ele também não a conhecia, não havia rosas na mão (que chamariam a atenção) mas sim dois bilhetes iguais a tantos outros papéis azulados com letras impressas a preto. De repente, reparou: só podia ser ele, que também olhava em redor, uma t-shirt verde que em tudo fazia sobressair o mesmo tom nos olhos. E houve qualquer coisa que a desarmou, deitando no saneamento básico lisboeta toda e qualquer hipótese de parecer uma pessoa normal. Palavras ditas para dentro como que engolidas cada vez que tentavam sair, quando o que mais apetecia era dizer qualquer coisa extremamente inoportuna como "ninguém me avisou que eras tão giro". E a falta de à-vontade que aquela surpresa causara fez com que o encontro demorasse 46 segundos, nem mais nem menos.

E por isso, não querendo ele confirmar o valor monetário em jogo, assim viraram costas e foi cada um à sua vida para sempre.

Para sempre?

Ponto da situação (após um mês de ausência)

Através do vidro que ilusoriamente me separa de uma realidade tamtas vezes amarga, sinto-me aparentemente bem. O Verão chegou e com ele a preocupação dos exames, que quer se queira quer não, acabam sempre por reduzir um ano de trabalho a umas semanas de estudo. Preferia ter o sol na cara e franzir todas as rugas para me proteger, claro, mas se calhar é por fazer isso apenas quando este stress passar que faz com que o sol saiba tão bem.

De qualquer maneira tenho novidades. Um miúdo, por enquanto chamado André (e eu faço figas para que assim se mantenha), que vive neste momento dentro da barriga da minha mãe, com a mais que ternurenta idade de 26 semanas de gestação. Nada descreve a sensação de se ter 21 anos e estar-se à espera de um irmão, pelo menos no meu caso fui inundada de uma enorme alegria e estou mais participativa (na medida do possível dadas as devidas distâncias que me separam da família) que nunca na gravidez.

31.5.06

Esplendor

Caía uma chuva fina em forma de confissão
E eu solidão
Sou como a folha de outono que sem dono navegando chega aqui

P'ra lhe dizer que o abandono já vai chegando ao fim
E eu só perdão,
Só falta agora o teu sorriso, um aviso que a luz do sol está por vir

E se você me vir vagando sem razão
Não vai pensar que o desengano mora no meu coração
Há muito tempo já se foi a estação que vem depois
Descortina todo o Esplendor.

(Caía uma chuva fina.)

Cibelle

30.5.06

And she was

Mais de trinta graus para mim é roçar o Inferno, incluindo diabos, chamas, suor e tonturas. Daí que precise de uma cançoneta que me arrefeça o espírito. Com esta pulo, danço e canto, não arrefeço mas pelo menos esqueço-me que desci às profundidades da Terra.

And she was lying in the grass
And she could hear the highway breathing
And she could see a nearby factory
She's making sure she is not dreaming
See the lights of a neighbour's house
Now she's starting to rise
Take a minute to concentrate
And she opens up her eyes

The world was moving and she was right there with it (and she was)
The world was moving she was floating above it (and she was) and she was

And she was drifting through the backyard
And she was taking off her dress
And she was moving very slowly
Rising up above the earth
Moving into the universe
Drifting this way and that
Not touching ground at all
Up above the yard

The world was moving and she was right there with it (and she was)
The world was moving she was floating above it (and she was) and she was

She was glad about it... no doubt about it
She isn't sure where she's gone
No time to think about what to tell them
No time to think about what she's done
And she was

And she was looking at herself
And things were looking like a movie
She had a pleasant elevation
She's moving out in all directions

The world was moving and she was right there with it (and she was)
The world was moving she was floating above it (and she was) and she was

Joining the world of missing persons (and she was)
Missing enough to feel alright (and she was)

Talking Heads

Ainda mais animais na cidade (III)

Besouros e/ou borboletas.

Com direito a cabeçadas nas lâmpadas, candeeiros, abat-jours, televisão, micro-ondas e frigorífico aberto, após vôo picadíssimo.

29.5.06

Mais animais na cidade (II)

Melgas.

Na minha terra não há nada destas coisas. Mosquitos com patas tão grandes que parecem aranhas e ferrões afiados com ar de quem nos vai sugar o sangue todo até ao último capilar.


Tenho medo.

26.5.06

Como ir a um Festival (que se quer ignorar) sem gastar um tostão

Faz-se assim: mora-se perto do recinto e abre-se uma janela.

Tenho o Rock in Rio a entrar-me pela casa a dentro.

23.5.06

No llores más


O rótulo prometia sem lágrimas e achei que seria a solução ideal, pelo menos agora que já tinha experimentado tudo e ainda nada resultara, então comprei litros de champô e lavei o cabelo durante duas madrugadas seguidas.

Continuei a chorar.

22.5.06

[sem título]

Sopravas bolas de sabão feitas de sonhos e serpentinas e eu embevecida perante a tua jovialidade, o teu sorriso de menino traquinas vendo-as subir, volteando, rodopiando até que, bem junto às nuvens,

puf!

se desfaziam em gotas que molhavam as maçãs do teu rosto, iluminando-o com as sete cores do arco-íris

amarelo, laranja, vermelho, anil, violeta, azul, verde

e cada gota de todas as gotas vibrava por acariciar a tua face perfeita, a tua pele macia, percorrendo o teu maxilar anguloso até ao queixo para logo se perder nos teus lábios suaves e carnudos, que semicerravas para as sorver, uma por uma.

21.5.06

Frases que se ditas com frequência poderiam evitar muitos problemas III

"Vamos tentar de novo?"

Sim, é um post parvo [mas também são 5 da manhã]

Deixe as palavras refogar lentamente num bom azeite virgem, deixe-as dourar, amolecer, ganhar brilho. Só aí é que vale a pena juntar outro interveniente a esta receita. Escolha-o bem, fresco, livre, e sorriso tímido. [Não se deixe levar pelas aparências.] Perceba se ele sabe ouvir, se sabe quando interromper, se sabe guiar a conversa. Se sim, junte-o às palavras e tempere com gargalhadas e suspiros q.b.. Mexa o preparado até que este esteja cozido por fora, nesse momento adicione uma colher de sopa de carinho e uma chávena de intimidade. Mexa vigorosamente até que fique cozido, instante em que pode então regar generosamente com atracção física e gostos partilhados. Salpique com encontros de frequência gradualmente maior até que todos os outros ingredientes ganhem cor.

Vai a servir em travessa bonita, decorada com beijos e alegria.

Oh diabo!

Isto não está facil, não.

11.5.06

Quem quer ser lobo, que lhe vista a pele.

Empty Shell

All that is left is an empty shell
Of my heart that is crushed
I don't never wanna see
What my mind has seen
When you loved me
Every night every night alone with you
Every night alone now

When she sits on your lap
Try to pretend to laugh
When she does stupid things
Just like I used to do
Do not hate her
Don't you even try
For to leave her is to love her
The same as you and I
I love you
And I miss you too
I really do love you
And I really miss you too

But I don't know you
And I don't need you
And I don't want you anymore

Every night every night alone with you
Every night alone now.

Cat Power

Parabéns, Papá!

Dentro de mim

[nada]

4.5.06

Frases que se ditas com frequência poderiam evitar muitos problemas II

"Amo-te."

Lover, you should've come over

Looking out the door i see the rain fall upon the funeral mourners
Parading in a wake of sad relations as their shoes fill up with water
And maybe i'm too young to keep good love from going wrong
But tonight you're on my mind so you never know

When i'm broken down and hungry for your love with no way to feed it
Where are you tonight, child you know how much i need it
Too young to hold on and too old to just break free and run

Sometimes a man gets carried away, when he feels like he should be having his fun
And much too blind to see the damage he's done
Sometimes a man must awake to find that really, he has no-one

So i'll wait for you... and i'll burn
Will I ever see your sweet return
Oh will I ever learn
Oh lover, you should've come over
'Cause it's not too late

Lonely is the room, the bed is made, the open window lets the rain in
Burning in the corner is the only one who dreams he had you with him
My body turns and yearns for a sleep that will never come

It's never over, my kingdom for a kiss upon her shoulder
It's never over, all my riches for her smiles when i slept so soft against her
It's never over, all my blood for the sweetness of her laughter
It's never over, she's the tear that hangs inside my soul forever

Well maybe i'm just too young
To keep good love from going wrong
Oh... lover, you should've come over
'Cause it's not too late

Well I feel too young to hold on
And i'm much too old to break free and run
Too deaf, dumb, and blind to see the damage i've done
Sweet lover, you should've come over
Oh, love well i'm waiting for you
Lover, you should've come over
'Cause it's not too late

Jeff Buckley, porque há dias assim em que uma canção diz mais sobre nós do que mil palavras escritas.

2.5.06

Frases que se ditas com frequência poderiam evitar muitos problemas I

"Sabes, tens toda a razão, desculpa."

PROCURA-SE

Árvore com flores fúcsia, copa frondosa povoada de melros pretos cantando e esvoaçando por entre a folhagem exuberante, tronco robusto habitado por esquilos e líquenes. É importante que tenha a capacidade de sobreviver na minha rua no centro de Lisboa e que os seus ramos atinjam o 5º andar.
Respostas a este mesmo jornal.

27.4.06

Frida Kahlo

"Embora a sua produção pictórica conte com apenas 200 obras de arte , a verdade é que a sua imagem, a sua vida e a sua obra suscitam grande curiosidade e profunda admiração um pouco por toda a parte."
Josefina García Hernandez, in Roteiro da exposição no CCB

Ontem fui ao CCB ver a exposição de Frida Kahlo, aproveitei estar para aqueles lados de Belém, que me são sempre prazenteiros, devo dizer, comi um pastel, olhei para o Mosteiro dos Jerónimos, para o rio. Mas adiante. Fui à exposição.

Fui à exposição e saí de lá em silêncio. Porque olhei com olhos de ver e mais do que olhar, senti. E cada quadro, uns melhores que outros, porque somos todos humanos acima de tudo, transborda vida. E a vida de Frida Kahlo (e a nossa também) foram momentos bons e momentos maus, tempos de dor e angústia, anos de amor e alegria, mas sobretudo muita coragem para enfrentar tudo isto (porque também é preciso coragem para ser feliz). Por entre a poliomielite, um acidente de viação, que a deixa lesada para o resto da vida, um amor maior do que a Terra cheio de altos e baixos por estar cheio de paixão (e a paixão não é a coisa mais saudável do mundo, já o sabemos), três abortos dificultando o grande desejo de ser mãe (e que nunca conseguiu concretizar), Frida foi pintando e cada pincelada, cada tonalidade escolhida nunca foi por acaso.

São quadros que se vêem, que se tocam, que se ouvem, que se cheiram. E que falam connosco. Mexem com os cinco sentidos.

Ia deixar aqui os meus quadros preferidos mas não o faço, se ficaram realmente interessados vão ao CCB (até ao dia 21 de Maio) para que se sintam realmente tocados pela obra e pela vida de Frida Kahlo.

"Sinto-me mal, e ficarei pior, mas vou aprendendo a estar sozinha e isso já é uma vantagem e um pequeno triunfo." Frida Kahlo

25.4.06

A propósito do 25 de Abril

Sejam livres.

Ponta Delgada, freguesia de S. Vicente, ilha da Madeira

O homem da venda perguntava sempre tudo duas vezes

Disseste amendoins?
Sim.
Amendoins?
Hmhm.

Virava-se para o armário e procurava, percorrendo com os dedos as etiquetas

louro, cacau, café, arroz, sal, colorau, pimenta, feijão, grão, amendoins

Os frascos eram enormes, de barro, sempre cheios até cima. Ele tirava com a mão os amendoins, torrados e com casca, e espalhava sobre uma folha de papel pardo. Em três gestos o embrulho ficava feito. Depois pesava numa balança enorme, daquelas que pesam coisas muito pesadas, e o ponteiro muitas vezes nem se mexia com o meu pacotinho de amendoins. Então o senhor José sorria

Que moeda é que tens?

e eu abria a mão, onde reluziam cinco escudos e ele

São cinco escudos.

entregando-me o pacote.

O homem da venda passava o tempo todo fora dela, sentado nos degraus ao pé da porta, vendo quem passava na rua, cumprimentando

bom dia, boa tarde

conforme a hora. Gente que descia para o mar ou para a Igreja, que já o sabiam de cor, que sem o ver já diziam

bom dia, boa tarde

comforme a hora.

E a sua mercearia cheirava a tudo e a nada e eu gostava de lá ir e de o ver conversar com o primo mudo, que me reconhecia e que sempre me intimidara sem eu saber porquê.

O primo mudo, não lhe sei o nome, sempre o chamaram o Mudo, era velho e comunicava sem falar, porque nascera surdo e nunca ninguém o ensinara a falar. Era meu primo afastado como toda a gente em Ponta Delgada é minha prima afastada. Ele não era excepção. Quando eu passava, os dois sentados nas escadas à conversa por gestos e sons e eu ouvia

Lá vai a neta do senhor Baptista, bom dia

o que fazia com que o Mudo reparasse em mim e me chamasse à maneira dele, mas eu não gostava de me aproximar porque tinha medo ou vergonha, não era como a minha prima Amélia que falava aos gritos como se o aumento de volume fosse fazer vibrar qualquer coisa

VAMOS PARA A PISCINA!

e ele encolhia os ombros mas a Amélia cada vez mais alto

VAMOS PARA A PISCINA!

e ele acenava que sim, porque lia nos lábios, e perguntava com a mão pelo meu avô, ao menos eu sempre achei que ele estava a perguntar pelo meu avô quando fazia aquele gesto com a mão

está em casa

e a voz era sumida e os lábios semi-cerrados e as mãos dentro dos bolsos, por isso a Amélia, freneticamente apontando rua acima

ESTÁ EM CASA!

e depois rua abaixo

NÓS JÁ VAMOS!

e eu tirava a mão do bolso e acenava.

Houve um Verão em que a venda estava fechada e as escadas vazias. E eu fiquei com o coração apertado.

23.4.06

"Tiny tears make up an ocean, tiny tears make up the sea

Let them pour out, pour out all over,
Don't let them pour all over me"

Tindersticks

21.4.06

The difference will make the difference.

15.4.06

Mentiroso

Cheio de sonhos e de promessas, garantes-me

Não sou nada romântico.

E logo sugeres-me um passeio à beira-mar, um jantar à luz de velas, a nossa mão entrelaçada pela cidade e um beijo sob as estrelas.

Sair à noite na Madeira

"Burn down the disco
Hang the blessed DJ
Because the music that they constantly play
IT SAYS NOTHING TO ME ABOUT MY LIFE
Hang the blessed DJ
Because the music they constantly play
...
HANG THE DJ, HANG THE DJ"

(Panic, The Smiths)
Com o punho da camisa limpaste-me as lágrimas uma por uma, e fez-se primavera dentro de mim quando as pontas dos teus dedos tocaram nas minhas, a medo.

Come one step closer

E levas com uma chapada. Ai se levas.

11.4.06

Marítimo II

De maneira que estávamos de acordo que o mar.

Marítimo I - (Ri)Mar

Quieto,
Mudo
Repousa sobre o mar.
Desconstruído,
Levita,
Flutua
Sem nunca navegar.

7.4.06

Uma pergunta

De que é que vale sentir quando é tudo tão escasso, tão insuficiente, tão efémero, por mais verdadeiro que seja?

Publicidade gratuita


Ao álbum da Joana Machado, CRUde. Que coisa deliciosa, que entra por nós como chocolate derretido. E aqui há links para ouvirem qualquer coisa ( e mais elogios claro).

31.3.06

AVISO

Quem quiser vender o seu bilhete para Kings of Convenience - faz-se bom negócio- pode fazê-lo deixando o seu contacto nos comentários.

Era só isso, visto que hoje fui comprar e a senhora da loja (que ia recebendo um carinhoso aperto no pescoço por me dar tão boa notícia) informou-me que o dito está esgotado há 3 dias. Ou seja, para chatear ainda mais, se eu tivesse comprado no fim de semana como tinha planeado tinha neste momento o bilhete na mão e não me estava aqui a lamuriar.

Julgo ser hora para uma breve reflexão acerca deste problema que tanto aflige portugueses como eu que se preocupam em comprar bilhetes com SÓ um mês de antecedência. Meus amigos, se calhar a Aula Magna é um espaço pequeno para tanta gente que queria ir ver o concerto. Ou, se insistem tanto em fazê-lo na Aula Magna, e insistir dessa maneira é bom, porque de facto é uma sala especial, façam concertos em dois dias, como o dos dEUS em Dezembro de 2005. Há público para isso, caros produtores das coisas. É que está mais que visto que muito boa gente fica sem ver concertos das suas bandas preferidas por não comprar o bilhete mal este é posto à venda.

Obrigada aos senhores produtores das coisas. Por vossa causa vou provavelmente passar o meu dia 29 de Abril a chorar.

A revolta mantém-se mas ao menos agora está registada.

19.3.06

Feliz dia do Pai

Porque o João já tem oito anos e tornou-se um miúdo cheio de pinta e fomos juntos ver o nosso Benfica, e eu comprei-lhe uma camisola que dizia Simão, e o puto todo contente a mostrá-la aos filhos dos outros gajos lá no estádio, sem ligar nenhuma ao jogo, e quando foi golo, eu chamei-o "João, pá, viste o golo?" e ele todo contente "Foi o Simão?".
Porque a Margarida tem 5 anos e ainda anda de chucha na boca, a pediatra diz que não é para se preocupar porque na primária ela vai sentir vergonha e vai acabar por desistir de andar sempre a chuchar borracha, e tem tanta graça porque já usa palavras difíceis, como amizade e igualdade ( palavras difíceis para a idade, pois), só que tem sempre a chucha e as palavras soam cheias de cuspo e de interferências como um rádio distante, mas temos grandes conversas com ela ao meu colo sobre os amigos do infantário. E a miúda é mesmo uma querida, e é igual à mãe com os caracóis louros e os olhos cinzentos, é linda, ela, são lindas, as duas.
E depois há o Henrique a quem me ando a habituar a chamá-lo de filho porque só anteontem veio lá para casa, tem onze anos e um passado de quem tem quarenta anos como eu, uma mãe alcoólica, um pai monstruoso, uns irmãos que em vez de jogarem Playstation, conheceram pistolas e assaltos à mão armada. Mas nós estamos dispostos a velar por ele e a fazer desta casa, o seu lar e desta família, a sua família, e a cada minuto que passa gosto mais dele, de como é calado, obediente e de como nos olha com a mesma gratidão que olhamos para ele, porque ele veio preencher um vazio na nossa vida, um vazio que não sabíamos existir.

Ontem disse excepcionalmente uma frase com três palavrões

Foda-se, as putas têm uma vida de merda.

18.3.06

D2

E se eu tivesse estado sempre debaixo do teu nariz e tu debaixo do meu, e as nossas vidas se tivessem cruzado por alguma razão e nós nunca tivéssemos dado importância. E se eu quisesse, eu quero, e tu também, mas por outra qualquer razão evitássemos falar sobre isso. E se eu te olhar nos olhos por muitas coisas, entre elas gostar de ti. E se eu tivesse vontade de viajar contigo, de acordarmos cedo para irmos palmilhar, hmm, sei lá, Oslo ou Estocolmo e o frio fizesse com que estivéssemos sempre abraçados. E se eu tivesse medo de te dizer estas coisas e por isso tivéssemos a perder uma oportunidade para sermos felizes de outra maneira. E se quando toda a gente estiver a olhar tu sorrires (os olhos fechados, sempre) e eu achar que esse sorriso é meu, só meu.

Nova aquisição



"Once I wanted to be the greatest
No wind of waterfall could stall me
And then came the rush of the flood
Stars of night turned deep to dust

(...)

Once I wanted to be the greatest
Two fists of solid rock
With brains that could explain
Any feeling"

:)

17.3.06

Y tu mamá también

Informo-te por este meio, mamã, que o teu futuro genro, apresentado há dois posts atrás, é o Diego Luna.

Espero que a tua mente esteja aberta a novas experiências.

16.3.06

D1

Estou aqui mas também podia não estar, podia estar ali, acolá, algures, onde me quiseres. Podia ser quem quisesses que eu fosse mas não sou, sou quem sou e estou aqui.

Podia ter tentado qualquer coisa, podia ter sentido tudo mas acabei por apenas sentir qualquer coisa.

E tu muito suavemente empurravas-me para o precípicio onde eu preferia cair e disseste-me "esquece-o" e eu esqueci-o porque tu me pedias, então agarrei com força a tua mão direita e içaste-me para o teu colo e fechaste os olhos enquanto sorrias e eu pensava em qualquer coisa bonita para te dizer mas eu nunca fui boa de palavras, e a minha felicidadae era maior do que eu por isso não disse nada porque não havia mais nada bonito para se dizer do que o teu sorriso de olhos fechados.

Então beijei-te no beijo que sonhava há tanto tempo e tu abriste muito devagar os olhos para prometer que eu nunca, nunca, nunca mais me iria sentir só.

Não, mamã, não vou ficar para tia


Eu e este rapaz vamos juntar os nossos trapinhos.

Under the lights

Deixei-te lá fora depois de fechar a porta como se aqui não pertencesses, ficaste sentado no chão, junto ao tapete de limpar os pés. A luz do corredor apagava-se de 4 em 4 minutos, levantavas-te e acendias, até que um dia desististe e deixaste-te ficar na penumbra, apenas a clarabóia deixava entrar uma claridade muito ténue, tornando a escuridão menos confiante.

20.2.06

Sugestão da semana

Todos os blogs, ou a grande parte deles, tem posts com sugestões de leitura, de audição ou de programação nocturna. Creio que o Desumanos peca por defeito nesse sentido. A sua autora, que é como quem diz eu própria, raramente sugere alguma coisa porque não gosta de se meter na vida dos outros, mas hoje decidiu lembrar aqui a genialidade de um poeta com que tanto se identifica. Mário de Sá-Carneiro. Sei que a maior parte dos que frequentam este blog, se é que se pode chamar frequência às vossas esporádicas visitas, estão familiarizados com a sua obra, mas nunca é demais recordar quem o merece e para aqueles que não conhecem fica aqui uma amostra para despertar a curiosidade.

DISPERSÃO

Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.
(...)
Desceu-me n'alma o crespúsculo
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crespúsculo.
(...)
Perdi a morte e a vida,
E, louco, não enlouqueço...
A hore foge vivida,
Eu sigo-a mas permaneço.

SERRADURA

A minha vida sentou-se
E não há quem a levante,
Que desde o Poente ao Levante
A minha vida fartou-se.
(...)
Dentro de mim é um fardo
Que não pesa, mas que maça:
O zumbido dum moscardo,
Ou comichão que não passa. (...)

A QUEDA

E eu que sou o próprio rei de toda esta incoerência,
Eu próprio turbilhão, anseio por fixá-la
E giro até partir... Mas tudo me resvala
Em bruma e sonolência.
(...)
Não me pude vencer mas posso-me esmagar,
- Vencer às vezes é o mesmo que tombar -
E como inda sou luz, num grande retrocesso,
Em raivas ideais, ascendo até ao fim:
Olho do alto o gelo, ao gelo me arremesso...

Tombei...
E fico só esmagado sobre mim!...

Das obras Dispersão e Indícios de Oiro, de Mário de Sá-Carneiro.

Z3

Hoje o vento trouxe-me o aroma dos nossos beijos e eu rendi-me à saudade de te ter.

Curso de Francês I

"Et maintenant, au coeur de la nuit comme un veilleur, il découvre que la nuit montre l'homme: ces appels, ces lumières, cette inquiètude. Cette simple étoile dans l'ombre: l'isolement d'une maison. L'une s'éteint: cette une maison qui se ferme sur son amour."

Antoine de Saint- Exupéry
Vol de Nuit, 1931 (1 ére édition)
Gallimard

19.2.06

Domingo

Rio por dentro, por fora e finalmente lembro-me de mim e reconheço-me, sou aquela que descalça os sapatos e molha os pés nas poças de água, que enfrenta o sol franzindo a testa sem medo de rugas, que canta e desafina porque sim.

Existe algum momento em que mudamos definitivamente porque crescemos ou somos perenes e o nosso crescimento aponta para cima em busca do sol? Hoje dei comigo a fazer perguntas sem procurar respostas imediatas como era meu costume, se calhar o que amadureceu foi a minha capacidade para aguardar por uma resposta, um resultado, um sentimento, um projecto.

Se calhar quando se cresce dentro de nós há origem e não fim.

E de qualquer maneira quando é que se pára de crescer? Nunca? Amanhã? Dentro de três dias e afinal só daqui a um mês? E se alguma vez se parar, para quê crescer? Torna-nos pessoas melhores, ponderadas, verdadeiras, com noção do que é importante e do que é dispensável? Ou em casos particulares, piores, incluindo exacerbação de defeitos antes subtis?

Em todo o caso, melhor ou pior, os meus passos não tocam o chão porque levito sobre mim própria apesar de carregada com o passado. Talvez amadurecer seja isso mesmo: ter um presente indissociável do passado.

Apesar de tudo, continuo sem respostas.

16.2.06

Coimbra tem mais encanto a qualquer hora do dia

E hoje passou a ter ainda mais, porque descobri que os Wraygunn, e portanto o Paulo Furtado, e os Belle Chase Hotel, e portanto o fantástico maravilhoso JP Simões, entre outros, são bandas nascidas em Coimbra.

Gosto de Coimbra, de passear sob o ar compungido dos seus habitantes, de inspirar história e expirar poesia, de ver o rio, a Universidade, os jardins.

Adorava apaixonar-me em Coimbra. É assim, ao lado da Madeira e de Lisboa, o outro sítio onde me sinto bem neste país de ... *Ai que hoje não me apetece ofender-me*... neste país de portugueses.

Uma frase que eu gostava de ter escrito mas não escrevi (é de uma animação portuguesa)

"Era uma vez uma menina cujo coração batia mais depressa do que o das outras pessoas."

Simplicidade.

Quanto mais repito esta frase, mais sentido ela faz

"Eu acho que o facto de homens e mulheres serem mesmo amigos, sem nunca haver atracção sexual ou sentimentos no mínimo unilateralmente, é um fenómeno que contraria a natureza normal da vida e por isso mesmo é uma grande farsa em que todos fingimos acreditar."

Viagens de avião exigem altas pressões que o sistema pode não compensar

Acho indecente a forma como os seres humanos se descartam uns dos outros, como se fôssemos todos papéis de rebuçado.

Aliás a analogia não é aleatória, usamos de cada um aquilo que nos é agradável (chupar o doce do rebuçado) e depois, tal qual o plástico de embrulho (que ainda por cima faz aquele barulhinho irritante), deitamos fora o que não nos interessa.

1.2.06

Parabéns atrasados

Com este 119º post celebra-se o 1º aniversário dos Desumanos.

Longa vida ao meu blog!!!

(Ou não, ou não...)

Sabes que é para ti

Um dia vais reconhecer que tudo isto foi um grande erro e que esta distância que nos impões é um dispêndio da economia humana. Posso parecer muito forte por fora, mas por dentro fico de rastos cada vez que me atiras com aqueles teus olhares frios de quem-não-quer-saber-e-na-verdade-está-se-mesmo-nas-tintas.
Dói pensar que isto foi para ti a gota d'água quando nem deveria ter significado nada para uma amizade que é tão jovem como é honesta.
Pensei que me conhecesses melhor, e eu a mim também, mas quero falar sobre ti hoje, quero-te dizer que tu mereces mais do que aquilo que te fiz, tens razão nisso, mas não tens razão quando não me perdoas nem és sincera comigo o suficiente para me dizeres que ficaste magoada e que provavelmente nos próximos tempos vais querer distância de mim.
Fico preocupada contigo, sabes quem és, se não sabes eu digo-te, és a minha melhor amiga, és mais do que isso até, és a irmã mais velha que nunca tive, és a primeira pessoa na minha cabeça de manhã e a última antes de me deitar.
Podia estar aqui a recordar o início atribulado e repentino da nossa amizade, cada peripécia em que nos envolvemos, todas as vezes que precisei de ti e tu estavas disponível ou em que me ligavas e mentias "está tudo bem, mas não queres vir aqui?" e o meu coração ficava pequenino porque sabia que estava qualquer coisa mal, cada gargalhada feliz que demos, cada lágrima que chorámos juntas, as mensagens e telefonemas tardios, as surpresas, as rotinas, as obrigações, os pequenos prazeres.

Sabes que gosto muito de ti e que não sou burra nenhuma, já percebi que precisas de espaço e de tempo. Mas enquanto isso faz-me um favor, não te esqueças de mim, querida.

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Penso em ti e vêm-me à cabeças as coisas que te queria dizer mas que me ficaram entaladas na garganta como espinhas de peixe.
Lembro-me que a luz entrava grandiosamente pela janela, enchia a sala de uma Primavera inusitada, nós conversávamos enquanto olhávamos sem ver para a televisão, que transmitia um jogo da Liga Inglesa, recordávamos juntos a noite em que nos tínhamos conhecido e todas as outras que vieram a seguir. E apeteceu-me tanto te dizer coisas bonitas para que nunca mais me esquecesses mas o teu entusiasmo sobrepunha-se ao meu medo de falar, por isso ouvi-te embevecida sem te interromper e ficou tanto por dizer.

Agora tenho medo que me esqueças, que a rapariga (mulher?) de vestido castanho tenha menos medo do que eu e te diga as coisas bonitas que eu gostava de ter dito.

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Agarrei num pincel e pintei-te. Não me esqueci de nada, os teus lábios carnudos mas suaves, os teus olhos castanhos e grandes, o teu nariz genialmente esculpido na tua face ossuda, que também desenhei, aqueles dois sinais que tens mesmo ao lado do olho direito. Demorei algum tempo com o teu cabelo, sabes que é difícil desalinhá-lo e deixá-lo ao mesmo tempo penteado como tu fazes.

Confesso, não fui capaz de captar o teu sorriso, de roubar aquele brilho do olhar que me põe as pernas a tremer, de pintar aquelas madeixas grisalhas que tanto te preocupam ou de passar para o papel as tuas rugas de expressão enquanto sorris e fechas as pálpebras, por isso o meu desenho, que se exigia ser uma fiel representação de ti, não passa de rabiscos de criança ao lado da imensidão da tua beleza. Porque tu és bonito para além do teu aspecto físico, há mais qualquer coisa em ti que eu não consigo explicar nem, talvez por isso mesmo, consegui transmitir com o meu pincel.

Guardei os pincéis e os óleos e decidi procurar-te dentro de mim. E rapidamente descobri o que falta à minha pintura para se parecer contigo, são as tuas mãos a agarrarem-me na cintura enquanto a tua voz me pede "Não vás.".

Relações

Não te consigo tirar da cabeça.

Não digas isso.

Mas não consigo, o que é que queres que faça?

Não digas isso, Joana.

Porquê?

Pára com isso.

Pára de me dar ordens.

Não o estou a fazer.

Tens saudades minhas?

O que é que achas?

Sei lá, se soubesse não te perguntava.

Pára com isso.

‘Tás-me a dar ordens outra vez.



Hoje estás impossível.

‘Tou nada.

Tens vontade de estar comigo?

Tenho vontade de apanhar um avião e ir a Lisboa, se é isso que queres saber.

É mais ou menos isso que quero saber, sim.

Só não sei fazer o quê.

Não?

Não, mas tu deves saber. Sabes sempre tudo.

Mas desta vez não sei. Estar comigo, suponho.

Depois apanho outro avião e voltamos a estar longe.

Não que estejas apaixonado.

O teu ouvido está melhor?

Está. Não mudes de assunto.

O que é que estar apaixonado tem a ver com isso?

Tem a ver que só custa estar longe da pessoa por quem se está apaixonado.

Não é bem assim.

Vês, não estás apaixonado.

E tu, estás?

Estamos a falar de ti.

Eu sei.

E então?

Então que gosto muito da Joana que está na Madeira.

Que Joana é essa?

És tu.

Mas eu não estou na Madeira.

Pois não.

Portanto não gostas desta Joana que está a falar contigo ao telefone.

Não, dessa Joana tenho saudades.

Hoje estás impossível.

E tu repetitiva.

Não te consigo tirar da cabeça.

Nem eu.