19.5.08
A feira (uma analogia com o post anterior)
Há adrenalina nisto tudo e eu não quero estar a queixar-me, mas ultimamente tenho mesmo vontade de sair da montanha russa e ir para o carrocel dos cavalinhos, aquele em que nos apoiamos na crina de plástico de um cavalo enquanto se anda à roda, sempre fixo ao chão, livre de emoções extremas, trezentos e sessenta graus de tranquilidade ao som de um acordeão melancólico.
Penso nisso e parece-me mesmo bem.
O pessimismo mascarado de cansaço (ou vice-versa).
15.5.08
13.5.08
12.5.08
Estava a reler o post anterior e
O Vítor escreveu isto no Juramento:
Provavelmente...
...este concerto dos National teve o mesmo significado para a geração que hoje tem 20-25 anos e que hoje enchia a Aula Magna que o concerto dos Tindersticks, naquele mesmo local, teve para a minha geração.
Ainda o domingo.
A verdade é que estávamos ali de braços abertos e que quem é bem recebido acaba por tentar oferecer tudo aquilo que pode e oferece mesmo aquilo que à partida não podia. Há fotografias do Senhor Manel no Fórum Sons que mostram a sensação que é olhar para a frente e ver uma plateia ao rubro, uma missa de domingo em absoluta redenção. Deve ser das coisas mais gratificantes de uma vida. (É nessas alturas que me apetece ser estrela de rock, adeus doentinhos, adeus corredores de hospital, tenho concertos para dar. Cada macaco no seu galho, adiante.) Ora perante aquilo: os National excederam-se, superaram-se, soaram melhor que em qualquer concerto ao vivo que eu tenha ouvido em mp3 (vários, montes deles)ou tenha assistido (um só). Cada canção passou a ser um hino, um cântico e, apesar de algumas palmas completamente inoportunas,
pá, malta, é assim tão difícil esperar que a canção acabe, caraças? estragaram-me o final da slow show - com o piano e vocês arruinaram-no - e mais uns quantos inícios e mais alguns finais. Não se faz, a sério.
muito do entusiasmo do público acabou por fazer do concerto a noite mais que memorável que foi. A Slow Show começou calminha, não houve Lit Up, não houve canções do The National nem do Sad Songs, e houve as dispensáveis Ada e Racing like a Pro, que se trocavam por duas cançõezinhas daqueles álbuns que mencionei. Mas é assim mesmo, creio: gosta-se tanto que se quer sempre mais.
Arrepiante, intenso, mágico, inolvidável, emocionante. Não me lembro de outra forma de terminar este post senão assim.
O Domingo de todas as emoções.
2. O telejornal da RTP1 fez uma retrospectiva da carreira e mostrou o dia em que o Rui Costa marcou um golo contra o Benfica e chorou. Benfica, car*lho!
3. Comprei a Bola com a capa do Rui Costa.
4. Fui buscar os meus pais e manos ao aeroporto, vindos de Paris. O meu irmão já fala imenso, por exemplo ligámos o relato e ele gritou "Golo!" e também a resposta ao "onde está a Joana?", que é "está ali!", ou "dá guga", que é dá *qualquer coisa*. Depois dançou na H&M e no restaurante. E brincámos às escondidas, em que eu quando apareço digo "cúcú". Ele desmancha-se a rir. O meu irmão consegue me emocionar mais que o Rui Costa.
5. O Rui Costa faz o jogo da época na sua despedida de dentro do campo.
6. National. Melhor que em Barcelona. Sublime.
7. <3.
É normal que não me apeteça ir dormir.
10.5.08
"You took the wind out of me."
sweetie, you don't look so good
your bottom lip is bleeding.
i cut it on your collarbone
go on, go back to sleep.
Fuma, sem estar atenta ao cigarro, os dois dedos segurando-o apenas levemente pela ponta que não queima e o outro lado com cinza acumulada, a ponta laranja como único ponto de luz da sala na penumbra.
sugar, who were you thinking of?
you woke me with your breathing.
honey, how am i supposed to tell?
Quando se concentra - quando volta àquela sala depois da viagem que o cigarro sempre lhe proporciona, a cabeça leve - o olhar vê-o, um pingo da cabeça aos pés e pela primeira vez lê-lhe o medo nos olhos, nas duas mãos encontradas no centro do tronco, que depois se arrumam nos bolsos, que depois saem, uma para roer uma unha, outra para despentear o cabelo. Hirto, uma peça húmida que ali jaz, sem dizer palavra. Uma sombra daquilo que foram, o fantasma que tenta, sem remédio - nem a morte, nem a morte - afastar, que todos os dias esconde atrás das camisolas de lã do Inverno.
Pergunta-lhe "What." mas é só porque não consegue estar mais tempo calada e os lábios tremem-lhe a ele, e ela não sabe se é frio se é nervosismo.
"I was in the neighbourhood, 'thought I'd stop by to show you this beautiful song before you leave."
"You live half hour away from me - if there's no traffic. You work in the industrial area."
"I came to see you."
"This is so fuckin' cliché, for Christ's sake. The rain, you stopping by to see me just when I'm about to leave."
"It's not my fault."
"I know that this is me writing, but it actually is your fault, in part. Everything about you is so damn impredictable, but in the end it just turns out to be so disillusional."
"Don't -"
"You're aware you could change it all, right?"
Ela pára de falar e olha para a ponta do cigarro. Deita a cinza morta no cinzeiro. Continua.
"Move in with me. Better still, let's move together to a place downtown."
i'd do you better than you do
i'd do you better than you ever will.
when i am on bitters and absolut.
"O.K.. let's do it."
Sorriem, ele primeiro, ela depois, só depois de acreditar e nem sempre é logo, às vezes leva dias.
"I feel like kissing you right now, but I'm not going to because of the smoke."
"Don't turn this into another enormous Hollywood cliché. Start looking for apartments instead."
Dois jornais, antigos, no chão, um para cada braço estendido, as páginas viradas depressa até ao suplemento de imobiliária, a leitura na diagonal e o corpo inebriado - e já não pode ser do cigarro.
"You know what, fuck the smoke, let's kiss."
Ela ri-se, apaga o cigarro, levanta-se depressa.
if i were a spy in the world inside your head
would i be your wife in a better life you led?
The National :: Bitters and Absolut :: The National
Para ouvir: aqui.
9.5.08
A minha série preferida.
8.5.08
You own me, there's nothing you can do.
E a letra, nada subtil. Lucky you, stupid bastard.
Este post, mais do que "como quero que a toquem", é um pedido para um momento de apneia no Domingo.
7.5.08
Um espectáculo rápido.
Partiremos a Aula Magna ao meio. Cadeiras fora do lugar, gritos e conflitos serão permitidos.
I won't fuck this over, I'm Mr. November.
My mind's not right.
In a little while you'll be here, the only good part of me.
Amanhã, não perca: as canções pré-os últimos dois álbuns e como as quero ver tocadas.
Um espectáculo lento.
Para causar redenção, apaziguamento, resolução interna, tem de ser tocada com o ritmo do álbum, aquele em que se transforma acima quando ele canta "you know i dreamed about you for twenty-nine years before i saw you, coiso e tal, i missed you for twenty-nine years." Precisa também daquele início com a guitarra em distorção - um início que, devo dizer, reconheço em qualquer parte do mundo, como se provou esta tarde quando começou a dar no canal de "música alternativa" do meo, uma espécie de rádio televisiva, sem videoclips, e eu estava a lavar a louça e desliguei a água para poder ouvir bem. Mais parecido com isto, portanto:
É a minha música preferida do Boxer desde a primeira vez que o ouvi, nos idos Junhos de 2007. Vai partir corações domingo, vão ver só.
(Ú-ú's, palmas, YEAH'S, toc'aquela, assobios ou qualquer outro sinal de regozijo que agora não me ocorra, resultará em carnificina. Juro.)
Faltam quatro dias para o concerto dos National na Aula Magna.
All we gotta do is be brave and be kind
I put on an argyle sweater and put on a smile
I don't know how to do this
I'm so sorry for everything
Ouvir isto ao vivo de novo, a sala a média luz e a música a entrar por mim a dentro. Domingo.
Vídeo do Vincent Moon. Quero o DVD.
28.4.08
Anti-depressivo e ansiolítico
Só apetece isto, como tem vindo a ser habitual.
É o meu Xanax ou Prozac ou até mesmo um pouco dos dois.
Silver Jews :: I'm Getting Back Into Getting Back Into You :: Tanglewood Numbers
E é tão verdade.
Porra.
26.4.08
Setlist do último concerto dos National
25.4.08
Eu já gostava deles antes, a sério.
1) antes de sair de casa.
2) na rua, quando quero andar com o nariz arrebitado, sem ligar pêva a nada.
Depois: há montes de coisas que parecem isto. Não é isto que parece montes de coisas, se é que me faço entender. Os The Kills já andam a fazer a cena deles há imenso tempo.
Não é preciso corrigir
Groupiness.
Arritmia.
23.4.08
Post sobre o meu vizinho de cima #276
Muito bem, aqui em baixo também.
Olá, vizinho do 6ºC
(Podíamos não só ser vizinhos no prédio, mas também no last fm. Há uma coisa engraçada: ele ouve os discos depois de eu os ouvir. Devo estar a ouvir a música muito alta e a servir de rádio.)
22.4.08
Há pessoas que conseguem em cinco linhas ser as maiores de sempre.
(E que eu adorava ter sabido escrever antes dele.)
21.4.08
Ao cuidado das pessoas com Google Reader
20.4.08
Rapidinhas de Domingo
2. O El Guincho continua a demonstrar porque é que toda gosta dele. É por coisas como esta remistura de um tema dos Architecture in Helsinki e por coisas como o Alegranza que me fazem mexer a anca no Metro.
3. Agora ando de ipod para todo o lado e, como tenho andado de metro e a pé, todo o lado quer mesmo dizer todo o lado e é óptimo. Tenho sempre a sensação que estou a fazer figura de parva porque devo estar a dançar ou a trautear inconscientemente. É mesmo bom, porque se há coisa que me dê prazer é ignorar os olhares dos outros e estar na minha.
4. O álbum que mais tenho ouvido é o Jim do Jamie Lidell. A culpa inicialmente foi do Vasco, porque eu nunca mais tinha ouvido o álbum (e tinha achado bom, mas andava por outras paragens e às vezes conseguimos mesmo ser bastante fúteis e consumistas no que toca a ouvir música) mas quando ele começou a dizer que tinha encomendado o álbum, e tendo em conta que estava prestes a ir ouvir Fuck Buttons, que se situa algures no noise e estava sem paciência, fui ouvir o Jamie Lidell e ouvi muito pouca coisa depois disso (e isto foi no domingo passado). É tão bom tão bom. É mesmo muito bom. Depois escrevo sobre isso, se algum dia voltar a ter internet no meu computador. Era giro voltar a ter net no meu computador.
19.4.08
Ele namora com a Kate Moss e tudo.
You ain't born typical.
The Kills :: URA Fever :: Midnight Boom
14.4.08
As razões porque gosto de cinema.*
*Pese embora o facto de não perceber nada da dita arte.
13.4.08
Era óptimo que não existissem dias entre o Domingo e a Quinta-feira.
Hei-de ter Arthur Russell em vinil, com o meu primeiro ordenado, ou assim.
That could be an understatement.
Arthur Russell :: A little lost
(Ou como o Dário tinha no myspace a canção certa para o momento certo há um ano atrás, que continua a ser a canção certa para o momento certo agora.)
10.4.08
Tão apropriado.
And you got that one idea again. The one about dying.
oh-oh-oh i'm lightning
oh-oh-oh i'm rain
oh-oh-oh it's frightening
I'm not the same.
Silver Jews :: Slow Education :: Bright Flight
8.4.08
And all the tumults done.
Está a chover lá fora, mas há bocadinho a chuva batia com mais força, quase granizo.
you're staring at the sun
you're standing in the sea
your mouth is open wide
you're trying hard to breathe
the water's at your neck
there's lightning in your teeth
your body's over me
O amor é uma forma de morrer devagar, só pode.
O anti-milagre da vida.
Ora bem, I'm all for women's free will and all, mas intriga-me o facto de que SENDO A PORRA DA IVG LEGAL PORQUE RAIO É QUE ESTA GENTE FAZ MERDA EM CASA E SÓ DEPOIS É QUE SE APERCEBE DO QUE FEZ E VEM À URGÊNCIA?
Escusado será dizer que das três apenas uma conseguiu expulsar decentemente o feto.
Noutras histórias, apareceu lá uma senhora, desculpem, uma gaja, com todo o devido respeito, de 20 anos que ia no terceiro filho e na terceira gravidez não vigiada. Porreiro, pá.
Como diria a minha mãe, se souberam fazê-lo, desenrasquem-se. Não é bem isto (é mais "se tiveram tempo para fazê-lo, têm tempo para estudar com ele", a propósito dos alunos da escola e dos seus pais), mas se a minha mãe estivesse no SU hoje ia dizer qualquer coisa inteligente assim. Tenho a certeza.
5.4.08
O post da Maria está melhor do que o meu.
Satisfação só quando deitarmos mão à roupa e ao perfume e a tudo - até os meus irmãos vão vestir Comme des Garçons no próximo Outono.
4.4.08
H & M, outra vez.
Comme des Garçons’ founder and head designer Rei Kawakubo will create this autumn’s guest designer collection at H&M. Rei Kawakubo, famous and admired for her creativity and artistry, will design a women’s and a men’s collection, with some pieces for children too. Accessories and an exclusive unisex fragrance will also be included in the collection.
Como quando saíu a colecção do Karl Lagerfeld, também eu vou logo pela manhãzinha espreitar isto. Espero que haja muito disto:
A notícia completa está aqui ao lado, nos links do Google Reader.
2.4.08
[Dance] Management
A seguir aos Vampire Weekend, eis a segunda banda indie-coiso do ano.
(Este post impunha-se, porque sempre que oiço o álbum, fico tão eléctrica como se tivesse tomado n bicas.)
1.4.08
Os bem-dispostos também rosnam.
E porque é que quando estou assim as pessoas com quem menos gosto de falar -dos meus contactos do messenger- põem-se todas online e a me chamar "joaninha". Já estive mais longe de morder.
E depois perguntam "que tens feito?".
"Olha, foda-se, nada. Foi um prazer falar contigo. Adeus."
Depois ponho um smiley idiota que acena com um sorriso parvo. E fim de conversa.
A sério.
O milagre da vida.
31.3.08
30.3.08
As compras frustradas em Londres
O El Guincho é a puta da loucura em quatro rodas.
O alinhamento foi ligeiramente diferente do Alegranza:
Antillas
Kalise
Polca Mazurca
Fata Morgana
Palmitos Park
Prez Lagarto
Cuando Maravilla Fui
Costa Paraíso
(Acho que não houve Buenos Matrimonios Ahi Fuera.)
Claro que eu só descobri as letras no myspace dele a dois dias de ir para lá, então usava a minha macarrónica interpretação para acompanhar. Ainda assim, acho que a malta à minha volta pensou que eu sabia aquilo tudo de cor - e estavam parados, na grande maioria, visto que só eu, as minhas quatro amigas e dois espanhóis não relacionados connosco é que dançávamos.
Os Mystery Jets, que tocaram a seguir, são completamente naquela, mas têm um hype tremendo. Toda a gente, à excepção dos sete que dançavam, estava lá por causa deles - era o concerto de lançamento do novo álbum. Só tinham uma música de jeito "Hand me down" e até estou a ser simpática, mas são produzidos pelo Erol Alkan e já foram remisturados pelo Switch e todos os blogs falam neles. A Time Out britânica deu uma estrela ao álbum - e eu confio em tipos que conseguem compilar a vida cultural londrina numa revista. Claro que a malta indie estava em completa euforia. Não se compreende.
Blogs bonitos de gente bonita
Como a Maria achava que eu não tinha blog (porque nunca fiz share de posts meus) e eu até tenho este há 3 anos, pronto, não sei. A culpa de tudo isto é do Google Reader, tenho a certeza.
28.3.08
London's plain love.
De resto, it's all plain love. Consigo perceber o fascínio. O meu próprio pai, que é um viajante assumido - só não é é caixeiro-viajante, é um caixeiro-sedentário, talvez, mais depressa - diz que Londres de tanta coisa que visitou continua a ter um lugar guardadinho no seu coração. E ele já esteve em quase todos os pontos do globo. Eu assino por baixo.
Londres cidade pulsátil, vibrante, frenética, mas com a educação e a elegância de outrora.
E vi neve, que é sempre uma coisa muito boa de se ver e sentir na ponta do nariz e ver acumular-se sobre as luvas e o casaco e a malha do cachecol, e torna qualquer passeio mais romântico e mais húmido. (Joana a enganar-se em Marble Arch ao ver o mapa "descemos esta" quando devíamos ter descido a perpendicular "oops é melhor apanhar o autocarro para não ficarmos um pingo").
Os autocarros! Double-deckers, people. Sempre a cantarolar "and if a double decker bus crushes into us" e depois procurava bem dentro de mim a ver se encontrava alguém que merecesse o "to die by your side is such a heavenly way to die" e por vezes encontrei, outras não. A propósito, mesmo sem lá estar "na falta de melhor, sim" foi a frase da viagem e passou a ser resposta para muita pergunta. E sim, tenho de confessar, aqueles 35 segundos de "oi tudo bem" que me souberam como um hot chocolate.
E as Tates! O reconhecimento do Turner como um homem de luz. O Duchamp como o maior artista dos nossos tempos. O British Museum como um lugar onde os ingleses mostram o resultado do seu saque de séculos (uma experiência valiosa).
Londres é uma idiossincrasia de si própria. Uma cidade moldada pela História, moldável pelo incrível cruzamento de povos, de gostos, de hábitos. Notting Hill, Camden, Covent Garden, Picadilly Circus, Oxford Street, tudo aquilo é amor.
Tudo isto é love, love.
22.3.08
"I still have a flame gun for the cute ones"
que me fez lembrar porque raio venero eu a Cat Power em primeiro lugar. Quanto mais ouço os álbuns pré-you are free mais entendo quem acha o the greatest "nada de especial", mas hey! quero que se fodam. Adoro todos, sem excepção. A moça nunca fez um álbum que eu não amasse, é a triste realidade com que tenho de viver, que triste que é.
Pergunto-me que raio terá o Bill Callahan para ter andado com esta moça. Há dias vi o Luís Costa Branco - Deus, não me lembro se é mesmo assim o nome dele, o da SIC Notícias - e perguntei-me que raio tinha ele para andar com tudo quanto é manequim deste país. Às tantas são gays, ambos. Não me admirava nada.
A questão é: não podendo ir ao Primavera, vou vê-la ao Coliseu, outra vez. Vou desenhar um coração com os indicadores e os polegares, outra vez. Vou chorar, outra vez.
(Lembro-me do dia do concerto dela na Aula Magna e de como nós, eu e coiso,ficámos a conversar a tarde inteira sobre o quanto a Chan era adorável e quais os melhores álbuns e as melhores canções. A conversa entreteve-nos a tarde toda. Estar nas Doutorais, olhar para trás e ele acenar-me - eu na segunda fila, ele na última da plateia, tão longe. Ligava-lhe muito pouco, nessa altura.)
Não é uma promessa, mas devo ver a Cat Power em maio.
20.3.08
Não sei se a beleza da canção vai ficar escondida sob o vídeo manhoso
Isto é particularmente sublime e extremamente recomendável.
Tunng :: Tale from black :: Mother's Daughter and Other Songs
18.3.08
Joana, look out (or you'll write about it all day)
What is not but could be if
We could be crossing this abridged abyss
Into beggining
Failure's got you in its grasp
And you're reaching for your very last
It's just beggining.
(...)
What is not but could be if
With all associated risk.
e acabar com a We could be looking for the same thing
We could be looking for the same thing
If you're looking for someone
We could be love to each other
If you're not seeing anyone.
Julgo que é apenas a vida e o Berman playing their little tricks on me.
(Ou então é coincidência. Ou não é nada disto que estou a pensar, que raio de mania de transpôr a Arte para nós próprios.)
Talvez esteja mesmo.
(Ainda se lembram "I was dressed for success, but success it never comes"? Ó, como se fosse possível esquecê-lo.)
A maneira como o Berman canta
P e r f e i t a .
Because the pillow that I dream on is the threshold of a kingdom
Is the threshold of a world where I'm with you
Is a darkened snowy secret
and it has to do with heaven
And what looks like sleep is really hard pursue.
(...)
Because the pillow that I dream on leads to some fantastic glory
Is the threshold of a world I can't ignore
Like time on school from heaven
Did you find me sleeping in your doorway?
Now I'm here for good, I won't leave you anymore.
Silver Jews :: My pillow is the threshold :: Lookout Mountain Lookout Sea
16.3.08
Blogging for dummies
Agora temos Trebuchet (o meu segundo tipo de letra favorito), verde e rosa (as minhas cores favoritas) e os títulos a preto (que eu sempre quis). Já gosto mais um bocadinho do Desumanos outra vez.
Para a Emma, por um tempo há muito tempo atrás

Mas é na distância desse quase que residem as canções, autênticas, honestas, pungentes.
Bon Iver é um misspelling propositado de Bon Hiver. Bom (fim de) Inverno.
Bon Iver :: For Emma, for a long time ago
13.3.08
We sure are cute for two ugly people.
The monkey on your back is the latest trend
I don't see what anyone can see in anyone else but you."
The Moldy Peaches :: Anyone else but you
Juno
Mas não, nada disso. É tão bonito, tão depressa se chora aos soluços como se ri à gargalhada, a Ellen Page faz um papel sarcástico-doce que lhe assenta como uma luva (ou ela assenta bem nele, c'est possible), o Michael Cera é adorável, o Jason Bateman é um o músico contido pela mulher perfeccionista (adoro-o). E tem uma banda sonora que meu Deus!
12.3.08
"My only weapon is my pen" *
Continuo a adorar o álbum novo dos Hot Chip. Cada vez mais, até. Tem uns seis ou sete momentos que são verdadeiros hinos, como esta Hold on, e que compensam em larga escala outros que são - confesso - verdadeiras xaropadas (mesmo que usar este termo seja um exagero, é preciso avisar os senhores do chip quente que ninguém consegue fazer uma Colours duas vezes na vida).
*Ou o meu teclado, neste caso.
Ah! E o Jamie Lidell é um senhor: o novo Jim está de lamber os beiços (como era, de resto, de esperar depois do Multiply.)
E estamos assim: dancemos!
*foge mesmo para a biblioteca*
As minhas várias dores de cabeça
*foge para a biblioteca*
Advogados que me visitam, não há nenhuma lei que proíba isto? É que é mesmo muito alto, é insuportável e dura há tanto tempo - e ninguém me pediu autorização.
10.3.08
Sound of kuduro knocking at my door
2006: conheço os Buraka, via o-mais-energético-concerto-de-sempre no Mercado. Sai o From Buraka to the World, nesse Verão, que oiço exaustivamente. Assisto o tudo o que me é humanamemte possível em que os Buraka participem.
2007: os Buraka internacionalizam-se, a M.I.A. lança o Kala (discaço, ponto final). Danço ao som de Buraka no Alive com um jornalista da nossa praça (queria deixar isto registado, porque foi uma surpresa: diz que aprendeu com uma pretinha em festas kuduro hardcore em Odivelas.)
2008: a M.I.A. participa no single dos Buraka. Vicio-me: isto é como se os Buraka não quisessem agradar a ninguém (como quem diz, educaram o ouvido e a pista, ensaiaram o cu dos brancos, agora aguentem-se com esta).
Não há nada para concluir. Apeteceu-me fazer um apanhado biográfico em vez de apenas deixar por aqui o vídeo.
Isto é *****. AVÉ MARIA!
(Xé, dama! Não dá p'ra parar, não dá p'ra 'tar quieto.)
Os controlos do blogger (e a redenção virtual)
(Estive, há coisa de duas semanas, a olhar fixamente para o Delete Blog. [Font = Georgia] Entretanto fui para o Alentejo e perdi a ideia que tinha para o meu post de closure (de apagar o blog passei a ter vontade de o deixar zombie, mais uma alma assombrada vagueando na blogosfera).
A ideia foi-se. E entretanto, tudo isto dentro de mim a querer sair sem ter maneira (a quantidade de leitura que faço é proporcional, na minha auto-avaliação, à má qualidade da minha escrita, isto é, quanto mais leio, pior julgo que escrevo). É difícil escrever um texto, depois de ter lido um capítulo do Roth, e achar que "sim, sim, está belíssimo, vou já dá-lo a ler."
Pressione Ctrl com P = Publicar. Estou viva, ao que parece.
E falar continua a ser uma coisa muitíssimo sobrevalorizada.
Rather Lovely Thing.
Um dia terei nas mãos mais verdades que mentiras e saberei distinguir as intenções das interjeições, e a estas duas poderei simplesmente marcá-las com a palavra lixo
(tenho uma caixa no quarto que serve para ir pondo lixo que não é bem lixo mas que um dia vai acabar por sê-lo, por enquanto é só um resto de coisas que foram ficando comigo e que, em abono da exactidão do discurso, nunca foram bem coisas, mas antes pessoas, emoções, receitas e bocados de músicas ou letras, algumas cartas de amor, aqui e ali, a maior parte delas nunca conheceram sequer viagem de ida)
guardá-las (às intenções e às interjeições) nessa caixa e deixá-las ali no canto do quarto, esquecidas por quem prefere sempre não esquecer.
Os bilhetes de concertos continuam fora da caixa. Como se os concertos - e a música, sempre a música - fossem mais verdade que tudo o que foi passando. Como se os concertos - e a música, outra vez - ficassem, enquanto o resto vai.
24.2.08
So many lessons you still have to learn.
18.2.08
Diálogo
Por isso, hoje, mais uma vez como em todo aquele mês (se calhar, há mais tempo, mas também ele gelara e o tempo não corre sobre a pele fria), saltou da cama, sem fazer barulho, fez café que pousou, numa caneca, sobre a mesa de cabeceira dela, tomou banho, arranjou-se e saíu, sem bons dias e sem festas no cabelo. E no caminho para o trabalho
primeiro a pé e a chuva gélida como granizo, as gotas por dentro da gola do sobretudo, descendo costas abaixo, encharcando-lhe a cintura apertada
Estás tão gordo, nem te cabem as calças
Mais para amar
E a gargalhada pronta, como é que alguém tão estupidamente feliz se pode tornar tão ridiculamente amargo?
depois no autocarro, comprimido entre odores, pode apostar que o pescoço desta miúda excessivamente arranjada cheira a um perfume adocicado, como fruta demasiado madura, quase podre, e estes dois atrás dele, de mão na barra de segurança e axilas ao ar, ou estavam sem gás em casa - e com aquele frio, quem é que toma banho de água sem ser a escaldar?- ou são porcos, mesmo. Porcos imundos com as axilas sob o seu nariz, que óptima ideia para uma manhã feliz.
(É a segunda vez que rima hoje e pergunta-se se aquele provérbio "quem rima sem querer é amado sem saber" também se aplica quando o único diálogo que vai tendo ainda é consigo próprio. Pergunta-se, logo depois, se quando deixar de falar consigo próprio é porque perdeu o juízo de vez ou porque recuperou a sanidade.)
Afunda-se nos auscultadores do leitor de mp3, presente de Natal dela quando celebraram o primeiro Natal juntos, ela grávida. Ainda celebravam o Natal então. Ainda falta meia hora para chegar.
17.2.08
15.2.08
Honestamente, estou-me nas tintas para o dia dos namorados.
Reconhece-se-lhe o dogma característico de coiso - as suas típicas verdades absolutas e incontestáveis, sobre os pilares frágeis da sua credulidade -mas não consigo não concordar, se olhar para além dos detalhes, se ler nas entrelinhas: o que é afinal namorar?
Namorar é desfrutar, é providenciar felicidade, para depois recebê-la. É claro que tudo aquilo pode estar incluído (e tantas vezes está e é bem bom, não o nego) mas viver um namoro, estar-se apaixonado tem de ser mais. Quantas vezes a relação cai na monotonia do telefonema de duas horas antes de se encontrar depois do trabalho para ir ao cinema? (Nada contra desde que o programa não seja por comodismo barato.)
Tudo isto para acrescentar que não sei o que é namorar - vai-se definindo a cada dia, a dois, e se renovando a cada segundo mas permito-me acrescentar, hoje, dia 15 de Fevereiro de 2008, que:
Namorar também é não celebrar o dia de S.Valentim.
13.2.08
No lanche a meio da cirurgia, na sala de convívio do Bloco
Mais tarde, na mesma sala, reparo que o José Castelo Branco está com o mesmo corte de cabelo que ela.
Não fica bem a nenhum, diga-se.
12.2.08
6.2.08
O meu email está agora disponível neste post.
Não vale a pena adicionar no msn (uso outra conta) nem mandar parvoíces. Um abraço.
*Isto é por ter medo de aranhas. Quando enviarem coisas, ponham os caracteres como deve ser!
*
E é tão bom, caramba, só nós sabemos quão bom é.
Em relação ao post anterior, o epílogo em inglês para tentar ter piada
Que é como quem diz, talvez tenha validade limitada e desapareça em breve.
Bloqueio sentimental
Que encontraste em mim?
Pergunto-me que tipo de conforto terás dos nossos encontros e - espero sinceramente não soar a Amy Winehouse agora - mas lembro-me sempre de quando ela canta
I knew I hadn't met my match but every moment we could snatch
I don't know why I got so attached
porque em cada momento que estamos juntos aquilo que trago para casa é o teu perfume no meu antebraço (sempre, sempre) e uma vontade gigante de amar o mundo - e é de tal maneira gigante que o mundo me parece pequeno e abraçável, se é que a palavra existe - e a ti.
Depois passa, como uma droga, e do sorriso inquebrável restam sempre dúvidas se é desta que pousaste ou se amanhã, como se nada fosse, me avisas que já vais e que até podias ficar por mim, mas tens de ir. E entretanto ficas e vais ficando e vamo-nos incluindo nos planos um do outro outra vez - porque isto de gostarmos de alguém cujos pés estão um palmo acima do chão e a cabeça um palmo abaixo das nuvens é também ter sapatinhos de veludo, como a barata, e dar passinhos lentos, sem ruídos nem ranger de soalhos, primeiro um em direcção do outro e finalmente um ao lado do outro.
É muito raro conseguir escrever sobre ti tal como é raro conseguir descrever-te sem parecer deslumbrada quando, na verdade, isto até nem é bem deslumbre mas vontade de decifrar o código, o teu código. E nós já vimos de longe juntos ou em ajuntamento e quando me puxas contra ti e fazes aquelas promessas todas, eu tenho dois anos de novo e estou a roubar Serenatas de amor da gaveta dos chocolates na casa da minha avó. Por isso é que te sorrio daquela maneira, fica já a saber.
Há coisa de um ano disse-te que não podíamos andar a nos beijar assim e tu deste uma daquelas tuas gargalhadas luminosas, daquelas que enchem uma sala. E perguntaste "Porquê?" e eu não soube responder, eu não gostava de ti o suficiente para ser tua namorada nem queria ainda acabar com os nossos momentos gulosos - e a gula é um dos sete pecados mortais - sem saber onde é que aquilo nos levava. Um ano depois, olho para trás e estou certa que nos demos dos melhores momentos da nossa vida e que isto tem sido divertido e giro e excitante, mas é também há um ano que não sei responder à pergunta "tens namorado?" - e é uma pergunta simples, de sim ou não - porque quer dê uma das duas respostas possíveis, estarei a mentir com os dentes todos que tenho na boca (incluindo os sisos que tirei o ano passado).
Sempre me pareceu cobardia escrever no Desumanos sobre ti, porque tu não vens aqui ler-me e seria injusto falar de ti nas tuas costas, mas ontem tivemos a conversar sobre estas coisas e correu bem, acho eu. Não sei como o fazes, mas dizes o que tens a dizer de forma tão convincente que eu volto a ganhar confiança em ti. Eu disse-te a verdade quando disse "já não acredito em ti" porque acredito mais no meu sexto sentido do que naquilo que prometes, mas macacos me mordam se ontem não foste, pela primeira vez (ou talvez segunda, não tenho a certeza), sincero comigo e - só por isso - voltei a acreditar em ti.
Isto está bastante mais auto-biográfico do que a maior parte dos posts que por aqui deixo e acabei de transformar o meu blog num daqueles blogs pessoais muito irritantes. A minha imaginação não tem sido grande parceira nestes últimos tempos porque só te imagina, só te crê, porque só nela te tornas presente. És desaconselhado por toda a gente, salvo raras excepções, e mesmo assim não me quero afastar de ti. "Tarde demais", diria.
Pois aqui estou.
4.2.08
Rejubilai!
(Isto já funciona como aquelas relações muito longas, que a certa altura já nem se conta há quantos anos se namora. Qualquer dia casamos, eu e o meu blog.)
"Without you the winter grows."
Se estiverem com um desgosto amoroso, NÃO oiçam isto pela vossa saúde, mesmo que esteja apenas no início, isto vai fazer-vos sentir ainda pior, a sério. É daquelas canções óptimas para nos mandarem ao chão, dar uns pontapés, fazer uns arranhões na cara e fazer cair grossas lágrimas de uma dor que está ainda mais para dentro do que as tripas e é maior que qualquer outra dor orgânica.
Por aqui, tudo bem, posso ouvir isto vezes sem conta sem verter uma gota - nem de choro nem de xixi, já agora, que ainda não estou incontinente. É tão linda, que canção tão filha de p*** de bonita, pá.
Noutra perspectiva, porque raio as músicas devem ser catalogadas como "txi vou chorar" ou "txi vou dançar"? Eu quando oiço "love me the way I love you" encho-me de uma alegria enorme, fico com o peito quase a rebentar de tanta alegria, mentalmente oiço uma cascata e água a correr - aqui sim, fico com vontade de um xixizinho que uma mulher não é de ferro - e o sol está a brilhar de uma maneira que tenho de franzir os olhos - como se eu tivesse miopia e me recusasse a usar óculos (olá, sim tu!) - e não há mais nada tão perfeito assim porque mentalmente oiço "I love you the way youuuu love me" e, honestamente, às vezes é só isso que precisamos de ouvir. E, se franzirmos tanto os olhos que as pálpebras chegam até a tocar-se, podemos adivinhar uma sombra que se aproxima da nossa cara e sentir, ao de leve, uns lábios molhados a tocar os nossos.
I can't marry you, you know
Without you the winter grows
I can't marry you, you know
Love me the way i love you
Love me the way i love you
Take a year in your hands
You can find another man
Let your unloved parts get loved
I will be your man
Love me the way i love you
Love me the way i love you
Places you should be afraid
Into the river we will wade
Love me the way i love you
Love me the way i love you
Não vi o vídeo, mas ouvi a canção toda e é mesmo o original. Agora o vídeo não sei, só sei que começava com o sorriso de uma criança e que, a certa altura, tinha uma imagem de uma vaca, em que reparei quando ia fazer o copy-paste do embed.
SMOGgy weather
Justice aversion :: Smog :: Dongs of Sevotion
Posto isto: que cada um enfie a carapuça onde quiser.
3.2.08
O Google é fixe. O Google é bom. O Google é Deus.
Boas notícias!
The combined influence of leisure-time physical activity and weekly alcohol intake on fatal ischaemic heart disease and all-cause mortality
Jane Østergaard Pedersen1,2,* ,Berit Lilienthal Heitmann2 ,Peter Schnohr3 andMorten Grønbæk
Aims: To determine the combined influence of leisure-time physical activity and weekly alcohol intake on the risk of subsequent fatal ischaemic heart disease (IHD) and all-cause mortality.Methods and results: Prospective cohort study of 11 914 Danes aged 20 years or older and without pre-existing IHD. During
20 years of follow-up, 1242 cases of fatal IHD occurred and 5901 died from all causes. Within both genders, being physically active was associated with lower hazard ratios (HR) of both fatal IHD and all-cause mortality than being physically inactive. Further, weekly alcohol intake was inversely associated with fatal IHD and had a U-shaped association with all-cause mortality. Within level of physical activity, non-drinkers had the highest HR of fatal IHD, whereas both non-drinkers and heavy drinkers had the highest HR of all-cause mortality. Further, the physically inactive had the highest HR of both fatal IHD and all-cause mortality within each category of weekly alcohol intake. Thus, the HR of both fatal IHD and all-cause mortality were low among the physically active who had a moderate alcohol intake.
Conclusion: Leisure-time physical activity and a moderate weekly alcohol intake are both important to lower the risk of fatal IHD and all-cause mortality.
Key Words: Physical activity • Alcohol intake • Ischaemic heart disease • All-cause mortality • Survival analysis
European Heart Journal 2008 29(2):204-212; doi:10.1093/eurheartj/ehm574
Devo estar com uma saúde de ferro!
29.1.08
Um disco que se destaca sobre todos os outros e uma nota de rodapé
And when I see you constantly changing
Never the same as, never remaining
I cannot fix you in a position
Where I would lose you out of my vision
For you are movement
And that is nothing
Nota de rodapé:
Leitores bonitos: tudo a ver o The Darjeeling Limited. É o melhor Anderson que vi e isto não é dizer pouco, tendo em conta o que está para trás e o facto do Royal Tenenbaums ser um dos meus filmes preferidos de todos os filmes do mundo - só não vi o Bottle Rocket, o primeiro dele, por isso sobre esse não me pronuncio. Era giro ver e eu gostava, mas nunca encontrei num clube de vídeo nem na casa de ninguém para pedir emprestado. Eu se percebesse alguma coisa de cinema escrevia um texto sobre o Darjeeling (desatava a falar em planos, fotografia, cortes de película como quem faz um sumo cheio de fruta sem se preocupar em saber o que está a deitar lá dentro), mas não percebo, vão ver vocês e depois digam qualquer coisa.
28.1.08
27.1.08
I <3 LDN
Vou a Londres, de 21 a 28 de Março. Já está tudo marcado e vai mesmo acontecer, o que é bom. É bom também não haver mais nada que justifique a minha ida a Londres se não a vontade de conhecer a cidade. (E agora também já posso voltar a dizer que quero fazer lá parte da especialidade sem que pensem "oh meu Deus, lá está ela a ser obsessiva de novo".) Inventei um slogan para a viagem, já agora: "L.O.J.J.A <3 LDN" (são as nossas iniciais e compõem a palavra loja).
Como era de esperar, e depois de algum tempo surpreendida a achar que não, há montes de concertos na semana que lá estou. Neil Young, The Sonics, Kristin Hersh, The Twilight Sad, e estou só a mencionar aqueles que gostava de ver. Vou ter de escolher dois, no máximo dois - ainda não sei quais.
Há montes de coisas para ver e fazer em Londres mas, quando penso nisso, aquilo que mais me apetece é "fundir". Fundir-me com os londrinos, como consegui em Barcelona. Acho que não quero ir ao Madame Tussaud's, as figuras de cera assustam-me um bocado. Quero ver as outras coisas todas, Big Ben, St. Paul's Cathedral, render da Guarda e Palácio de Buckingham, London Bridge (is falling down, falling down), Tower Bridge e o Tamisa, Picadilly Circus, Trafalgar Square. Gostava de ir ao Tate Modern. Passear, passear, passear e, ao final da tarde, beber umas pints no pub da esquina. Perfeito.
Adoro viajar.
20.1.08
Ainda bem que falamos em Hot Chip
Ouvi na H&M, durante os saldos
Aposto que esta Tomoko é daquelas gajas que nos irritam apesar de serem irrepreensivelmente adoráveis. So hard to hang out with that kind of girl.
Podem ouvir aqui.
She flies much faster
Shouts much louder
Looks much fresher
And eats much less than you
There's nothing you can do
It's just hard to hang out with Tomoko
Tomoko
She doesn't gossip
Her hair still shines
Still has hope
Is never broke
Like you
O Rato
É bom que sim, é bom que sim.
Adenda, de um site qualquer:
É um ano próspero para o nativo do Rato. Poderá ser promovido ou atingir o auge da carreira. No campo da saúde não se terá que preocupar. Poderá esperar ganhos monetários e atingir vários objectivos.
Good for me.
19.1.08
A arte do sample V
A tribe called quest :: Can I kick it
Baby Huey :: Hard times
Baby Huey teve uma vida demasiado curta e, como não começou a cantar mal saíu da barriga da mãe, uma carreira ainda mais curta, com apenas um álbum para a posterioridade, de seu nome The Baby Huey Story: The Living Legend.
Senhor de grande porte, James Ramey decidiu ser conhecido pelo nome de um pato gordo de um desenho animado que fazia as delícias das crianças. A voz é como aqui se ouve, melosa, rouca, extremamente sensual e quente.
Algures na década de '60, e porque felizmente estas vozes raramente ficam pelo canto durante o banho, juntou-se a outros músicos e formaram o conjunto Baby Huey and the Babysitters, que, após muitas e muitas actuações ao vivo, chamou à atenção da Curtom Records.
Ora, reza a história que os Babysitters não encantaram o patrão da Curtom, Curtis Mayfield (estou a tentar não entrar em histeria, para isto não se tornar um post sobre o Curtis Mayfield), e que, por isso, o disco, produzido pelo GIGANTE CURTIS, só ficou com o nome dele, apesar da participação do resto da banda.
Em 1970, Baby Huey, na altura com 26 anos, teve um enfarte do miocárdio (por acaso, tema de estudo este fim de semana e de trabalho a apresentar na sexta-feira, que coincidência) ao qual não sobreviveu.
Resta-nos o disco, assumidamente influência no hip-hop, e que foi só editado postumamente. Como se espera, é protagonizado pela voz de Baby Huey, mas Curtis - mesmo não gostando dos Babysitters - não deixou as orquestrações para trás, tornando-as dignas de um disco seu (ahahah) e é um encadear de emoções de um espectro enorme desde o blues ao funk, passando pelas baladas soul como esta que se mostra aqui, com ritmo para qualquer dia da nossa vida (desde a pista de dança ao amor com o(a) namorado(a), desde arrumar à casa a ir fazer exercício ou um trabalho para a faculdade).
The Baby Huey Story: The Living Legend é também, claro, obrigatório.
17.1.08
A arte do sample IV
Rihanna :: Don't stop the music
Só Deus sabe o quanto adoro mexer as ancas com isto. Isto é bom, as palmas, a letra flirty
Do you know what you started?
I just came here to party
And now we're rockin' on the dance floor
Looking naughty.
e o mamasémamasámamacosá, ou lá o que é que ela diz no final. E que ele também diz aqui:
Michael Jackson :: Wanna be starting something
Maravilha, ou quê?
[Post inspirado pela Isilda Sanches, no O2 Hi-Fi de hoje, da Oxigénio.]
15.1.08
(entre parêntesis)
A arte do sample III
M.I.A. :: Paper Planes
The Clash :: Straight to Hell
(Já toda a gente sabe desta, mas é uma das canções do ano e sampla de forma brilhante os Clash. Mais, a minha preferida do Kala talvez seja a Bamboo Banga, embora este seja daqueles discos de onde é impossível escolher uma sem estar a cometer uma injustiça do tamanho do mundo.)
Em assuntos relacionados, vejam, vejam o vídeo mais adorável de sempre. <3 (amor, meus espertinhos que pensaram nesse palavrão que rima com alho) para estes dois. É o Diplo e a própria, a cantar aquela que era a versão original da Paper Planes, que sampla outra coisa qualquer não me lembro o quê. Muito elucidativa, eu. Querem que vos fale de terapêutica com hidrocortisona no doente com choque séptico? Terei todo o gosto.
Eu sei que eles já acabaram, mas há ex-namorados que ficam para a vida - eu cá ando para prová-lo, e, se isto não é amor, não sei o que é o amor e provavelmente por isso raramente o encontro. Mas não. Algo me diz que isto é mesmo o amor. Coisa mais querida, meu Deus.
13.1.08
Janeiro também é mês de...
...Estreia de um filme novo do Mestre. *vénia*
(Depois de ver o trailer umas quinhentas mil vezes, o cenário é novamente Londres (and it's actually ok, Woody's sarcasm and ironic twist go well with a british accent), há problemas financeiros e um crime, uma mulher perigosamente estonteante, o dilema da moralidade versus imoralidade e a família - e deve-se fazer tudo pela família, não é? Como se vê ali em cima, entra o Ewan McGregor (ora bem, vai ser giro de ver, acho eu) e o meu ódio de estimação chamado Colin Farrell (mas porque é que os poucos realizadores cuja carreira vou acompanhando - olá Terrence Mallick! - o escolhem para filmes seus, bolas?). Prometo que vou estar lá sem implicar: é a prova de fogo, se não gostar dele dirigido pelo Woody Allen, é provável que não venha nunca a gostar.
A má notícia é que não há Hugh Jackman. Tive esperança que sim, que ele repetisse como repetiu a Scarlett. Que pena.)
Os discos que marcaram o transacto ano
20. The Stars of the Lid :: And Their Refinement of The Decline
19. No Age :: Weirdo Ripper
18. The Clientele :: God save the Clientele
17. Battles :: Mirrored
16. Norberto Lobo :: Mudar de Bina
15. Akron/ Family :: Love is Simple
13. Animal Collective :: Strawberry Jam
12. Beirut :: The Flying Club Cup
11. Electrelane:: No shouts, no calls
10. Jens Lekman :: Night fall over Kortedala
9. Matthew Dear :: Asa Breed
8. LCD Soundsystem :: Sound of Silver
7. Le Loup :: The Throne of the Third Heaven of the Nations' Millenium General Assembly

Epílogo:
Chega a esta altura e falta sempre ouvir imensa coisa, mas no que o ano passado era ansiedade, este ano é serenidade: tenho a certeza que, tirando uma ou outra falha mais ou menos grave a ser colmatada logo que possível, percorri os discos que mais me interessavam e aqueles que valeram mesmo segundo as críticas e mais não sei quem
De salientar: muitos discos da categoria electrónica-pista de dança-whatever (é uma área por que me interesso cada vez mais por trazer lufadas de ar fresco), disquitos indie aqui e acolá (ouvi muito indie rock ai-as-minhas-guitarras-e-as-minhas-all-star-e-os-teus-ganchinhos, fiz uma selecção e ficaram estes, mas também podia ali estar o álbum de estreia dos Voxtrot, dos The Good, The Bad and the Queen - aliás, porque é que não está ali este álbum que eu tanto adorei? - ou o álbum dos Modest Mouse ou do Andrew Bird), coisas que nunca pensei gostar e afinal adoro (No Age, Battles, Stars of the Lid, e ficou a faltar, nesta categoria, o álbum dos Shining "Grindstone").
Mais, deixa-me cá ver: ah, falta muito hip-hop aqui, mas este ano os álbuns do género soaram-me muito a pastilha elástica (mastiga e deita fora). Fartei-me rápido deles todos, tirando uma canção aqui e acolá, a que regressava com prazer. Mais, mais, mais: ai é verdade, coisas que já ouvi, gostei e não estão aqui! O primeiro dos Justice, o segundo de Go! Team (Lux, sexta, can't wait) e o ésimo álbum dos Wilco, do Bill Callahan, dos !!!, do Neil Young (que para já adoro). E chega de cromice.
É que este ano nem me ia meter nisto das listas - afinal, quem quer mesmo saber quais os vinte discos que na minha opinião foram os mais inovadores, mais ground-breaking/mais partiram pedra, mais únicos, mais irrepetíveis, melhores amigos para todas as ocasiões? Só o Nuno, que me pediu encarecidamente para tentar alinhar estes nomes (ele queria trinta, aqui ficam vinte). De resto, mais ninguém quer saber: fica aqui registado que é para daqui a dois meses eu rir-me.
8.1.08
Constatações finais
I'm not liable to figure you out.
I wanted to figure you out.
I learnt to read minds, but in the case of yours, I couldn't read in the dark.
Sabes que mais? Paciência. Azarito. Fica p'a próxima.
Grant Lee Buffalo :: Honey don't think
Uma pergunta a sério
Deverei perguntar "é do seu agrado eu agora desejar-lhe bom ano ou, pelo contrário, isso incomodaria-o de forma extremamente séria?"?
7.1.08
Dia 7 de Janeiro de 2008, no meu Poemário
ridícula do estão-a-tocar-a-nossa-canção
desaba sobre nós como um trovão.
Passa-nos uma coisa pela cabeça e
lá vamos nós de cabeça meter-nos
na boca do lobo, atirar ao próprio pé,
meter um golo na própria baliza.
Mesmo ao ler duas linhas muito belas,
com a sombra do candeeiro a dar-lhe em cheio,
a breve palavra dos seus lábios era outra.
A simples música dos seus lábios era outra.
Essas linhas já não tinham, por assim dizer,
lógica nenhuma. E eu, tonto, lá ia.
A coisa é de tal forma que ainda hoje
lá vou, a esse rodeio de mistérios repetidos,
força magnética e fatal, onde foste buscar
tanto sangue para meter nas veias?
Que, grossas, despontam sobre a ira
das mãos assanhadas e assim te atraem.
Uma dança parada de costas duras, fasquia
dobrável com truque de mão, alguma coisa
que me prende aqui, quem sabe se nesta casa
não descobri, sem querer, o eixo da terra,
o equador de uma alma relativamente pobre."
Helder Moura Pereira, Segredos do Reino Animal (1949)
O meu Poemário (um dos meus presentes preferidos deste Natal, daquelas surpresas não pedidas) é igual a todos os outros Poemários (implico com a palavra poemário e algo me diz que tal implicância terá a ver com as suas três últimas sílabas) da Assírio & Alvim, de 2008. Quando, por vezes, encontrar, por coincidência (ou não: já espreitei e o poema do dia 18 de Novembro - 24 anos - é um dos meus poemas preferidos de todos os tempos), poemas que goste muito, para aqui os trarei. Dia 2 já teve Cesariny e 3 o O'Neill, mas eu também não posso pôr aqui tudo. Escusado será dizer que, por nove euros e sessenta cêntimos (e com este poema como single de avanço) estes Segredos são um must-have absoluto.
Helder Moura Pereira nasceu em Setúbal, a 7 de Janeiro de 1949. Foi professor no Ensino Secundário e Assistente da Faculdade de Letras de Lisboa (Departamento de Estudos Anglo-Americanos). No King’s College da Universidade de Londres, como leitor, ensinou Literatura Portuguesa. Leccionou também Português e Técnicas de Expressão do Português nos cursos de Formação Profissional da Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa. Ingressou no Ministério da Educação em 1986, tendo exercido funções técnicas na área da educação de adultos, nomeadamente em animação de leitura e nos grupos de planeamento e redacção da revista Forma e do jornal Viva Voz. Foi técnico superior do Ministério da Justiça, em funções no Estabelecimento Prisional de Lisboa. Em 1990 reuniu os seus livros de poesia publicados até à data em De Novo as Sombras e as Calmas, poesia de 1976 a 1990. Publicou depois outros livros de poesia (Em Cima do Acontecimento, Nem Por Sombras, O Horizonte Basta, Amor Carnalis e Um Raio de Sol) e um de contos para crianças (A Pensar Morreu um Burro e Outras Histórias). O seu livro de poesia, Lágrima, foi publicado em 2002, seguindo-se A Tua Cara Não Me É Estranha, editado em 2004. Tem traduzido regularmente autores como Ernest Hemingway, Jorge Luis Borges, Sylvia Plath, Charles e Mary Lamb, Sade, Guy Debord; e escrito sobre música no Jornal de Notícias.
Biografia retirada do site da Assírio & Alvim.