10.11.05

dEUS


Mesmo sabendo que
não gostavas, empenhei meu anel de rubi para te levar ao concerto que havia no Rivoli
corro o risco de não almoçar nem jantar durante parte do mês de Novembro, não consegui resistir. Comprei.

E em Dezembro lá estarei na Aula Magna, a aplaudi-los.

"Here comes the sun smiling, how long have you been blue?
There'd ever be a time for us to recapture all the time we lose."

9.11.05

Um "AI PODE"

É o que eu quero receber nos anos.

(ou um Zen da Creative).

P.S. Se alguém tiver sugestões acerca de coisos-que-tocam-mp3-e-já-agora-rádio, pode deixar um comentário se faz favor que eu não percebo nada disso.

Isto não me sai da cabeça, mais vale pôr aqui para ver se ajuda...

My love life

Come on to my house
Come on and do something new.

I know you love one person so why can't you love two?

Give a little something
Give a little something
To my love life
To my love life
My love life...

I know you love one person so why can't you love two?

Give a little something
Give a little something
To my love life
To my love life
My love life...

I know you love one person so why don't you love two?
Love two...

Oh give a... Love.
I know you love.

Morrissey

7.11.05

Mensagem para o Outono

O meu corpo sentiu a tua presença hoje porque finalmente pude respirar fundo e absorver o ar frio transpirado pelos dias cada vez mais curtos. O amanhecer às 7 da manhã foi recebido com um arrepio: apesar da luz brilhante que aquecia o céu azul, o sol arrefeceu a casa do meu amigo, arrefecendo também a conversa inflamada sobre orgulho e justiça e moral(idade).

Chegaste há tempo mas só agora te aceitei, Outono, por isso faz-me companhia nestes dias breves mas sós que se avizinham. Tu e este cd fantástico com todas as músicas publicadas pelos Belle & Sebastian (presente mais que generoso de um amigo meu). E agora que já nos entendemos, Outono, posso começar a contar os dias para o meu aniversário, fazer listas de convidados para uma festa (nem que seja para actualizar mentalmente quem são os meus amigos), pensar em presentes que gostava de receber e, sobretudo, começar a tortura (que dura até ao fim do ano) dos balanços: o que é que eu fiz, o que estou a fazer, o que quero mudar, o que mudei, o que consegui, o que está por alcançar. Talvez também chore quando precisar mas a verdade é que a percepção que tenho de mim agora, é, estranhamente, de tranquilidade.

E comer castanhas.

Já agora, achas que o orgulho pessoal deve ser impedimento para viver a vida e aproveitá-la ao máximo?

5.11.05

Praia III

A praia só e calma
Feita de choros breves
E frias madrugadas
É o abrigo dos seres
Feitos, eles também,
De lamentos, sonhos
E gargalhadas.

1.11.05

A insensibilidade dos Homens

Porque reside na insensibilidade dos Homens a insegurança dos angustiados, porque quando olhava o Tejo no comboio, evitando chorar, descobri que podia ilibar-me da culpa de te desejar, porque é o passado de um povo que o sentencia e o passado do meu cruzou-se com reis e rainhas e amores de perdição.

Com a insensibilidade dos Homens revelou-se-me a destreza do Engano, ele próprio um engano de si mesmo por poder ser a verdade camuflada em mais enganos e lapsos voluntários. Eu própria, cansada de ti, pensava eu, em engano, afinal os meus vazios estão preenchidos pela plenitude que me trazes.

Desde a insensibilidade dos Homens que cada passo que dou parece pesar o decorrer dos anos, a dor dos vivos, a ausência dos mortos.

3.10.05

Conversas

Uma amiga dos meus pais, apontando para mim (que estava ao longe mas a ouvir tudo) "Mas a vossa filha é giríssima! Ela tem namorado?".
Resposta pronta "Não".

A amiga dos meus pais com ar introspectivo: "Ela é diferente, tem uma personalidade muito forte."

Isto foi há um mês e ainda hoje reflicto se devo encarar esta justificação como um elogio, uma crítica, uma coisa boa, uma coisa má, uma coisa que não é coisa nenhuma.

1.10.05

Misto de sentimentos

Depois de ler este artigo, não sei se sinto humilhação, desolação, profunda tristeza, vergonha, pena.

Se calhar estou a sentir tudo isso.

29.9.05

Mais música portuguesa

Para acrescentar a este post. Ouvi Quinteto Tati e Belle Chase Hotel nestes últimos dias e permitam-me juntar um nome aos já referidos: JP Simões. Um bem haja. Das das melhores coisas que se fizeram até hoje no mundo.

Não estás à espera que te responda a essa merda de mensagem, estás?

É que se estiveres, bem podes ir tirando o cavalinho da chuva, porque ainda me resta dignidade e amor-próprio.

Ora porra.

28.9.05

- Oh, tu nunca sequer fizeste um esforço...
- Eu nunca fiz um esforço... Ou tu exigias demais de mim? Pára de fazer isso ao cabelo, estuda, não uses as meias assim, não fumes, come mais verdura, faz a barba, diz obrigada, pede desculpa, conduz mais devagar, não dances, dança, lê mais, não sejas ignorante e irresponsável, puta que te pariu mais às tuas manias.
- Nós nunca iríamos resultar juntos.

Desculpa.

27.9.05

E porque as saudades já apertam


É esta a minha irmã.

Os R's da música portuguesa

Digam o que disserem, para mim a música portuguesa essencial tem dois nomes: Rui Reininho e Rodrigo Leão.

O primeiro porque é o David Byrne português (e eu já achava isto antes de ele fazer aquele cover dos Talking Heads).

O segundo porque é um génio.

Mas isto sou eu, que não percebo nada de música. Apenas ouvinte. E dos atentos.

26.9.05

A fenda

Algures entre mim e aquilo que passou, existe uma fenda no tempo composta de desilusões e sonhos desfeitos. Aproveito os dias de hoje onde o tempo navega tranquilo ao sabor da vontade e do desejo, vivo sem amar mas também não odeio. Vou sendo, convivo comigo e aprendo que o espaço da vida foi dimensionado para as pessoas imperfeitas.

Como eu.

25.9.05

Eu quero é dormir

Gasto todos os dias 45 minutos antes de sair de casa de manhã. Vejamos:

- 10-15 m. a tomar banho;
- 15 m. para vestir, pentear, perfume e cremes;
- 10 m. para pequeno-almoço e lavagem dos dentes.

Ora 45 minutos todos os dias são 16425 minutos por ano, isto é 273,75 horas, logo... 11 dias por ano gastos apenas para me tornar um ser social.

É impressão minha ou isto é tempo que eu poderia estar a dormir se pudesse sair à rua de pijama?

21.9.05

Rajadas de vento

Nem eu percebi bem o que se estava a passar comigo quando um dia olhaste para dentro de mim e roubaste a minha alma.
Não me lembro bem de ti, de mim, de onde estávamos, do olhar que trocámos enquanto nos fundíamos, sei que desde então não sou a mesma.

Apercebo-me que poderia ter dito "Pára!" antes de cair neste pântano emocional que é gostar de ti, mas como se não consigo identificar aquele instante que mudou as minhas horas, os meus dias, os meus meses, os meus anos, porque os tornei nossos.

Lembro-me de rajadas de vento em dias de temporal, a maioria das vezes arrebatadoras, outras tranquilas.

19.9.05

Uma pequena consideração acerca do dia 19 de Setembro às 9 horas

Voltei às aulas em Lisboa. As férias parecem um sonho bom que aconteceu durante uma noite entre o último exame e hoje.

16.9.05

"Summer has come and passed"

Pois é, o Verão está a acabar e muito em breve (dentro de três dias para ser exacta) as experiências intensas e variadas que vivi na silly season vão passar a ser memórias, ganhando com isso uma vertente subjectiva e muito minha. Se calhar ainda vos conto melhor o que passei neste último mês e picos...

O verso acima é de uma música (nada de especial, aviso já) dos Green Day que a minha irmã de oito anos está sempre a cantar ("Wake me up when September ends"). Hoje ao ouvi-la, e reparando na letra, fiquei com aquela bola na garganta que geralmente aparece quando tenho vontade de chorar. Não sei porquê. Não sei se foi de ver a minha irmã tão crescida a tentar cantar Green Day (como eu mais ou menos com a idade dela a cantar músicas da mesma banda ao estilo "du iu rave de taime tu lissen tu mi uaine"). Não sei se foi por saber que daqui a três dias já não vou poder abraçá-la, falar com ela assim, vê-la crescer. Não sei se foi mesmo por o Verão estar a acabar. Ou as aulas a começar. Sei que hoje fiquei nostálgica.

Ou isto ou o síndrome pré-menstrual a falar mais alto.

15.9.05

O Grito

Vinhas a correr, ofegante, lembro-me de ter parado na ponte à tua espera. Estavas assustado, suavas e tremias por todos os poros, por todas as extremidades, chamavas "Joana" mas o medo apertava as tuas cordas vocais uma contra a outra, roubava a saliva dos teus lábios (efeito do Simpático, que ironia) e querias gritar e não podias, por isso limitavas-te a acelerar o passo para te aproximares de mim.

De onde estavas, não me vias e eu via-te a ti, cansado, cada perna pesava mais do que a vida alguma vez pesou e agora o coração mais frequente e a respiração mais dolorosa a complicarem o ritmo rápido e descoordenado dos teus membros, no entanto o tronco mantinha-se rígido, ponte insustentável de um corpo frágil e desconexo, franzino e esguio.

Mantive na memória (onde ficará para sempre) os teus olhos sem órbita, esferas perfeitas que fogem do abrigo do rosto, o teu nariz quase invisível, os ossos da cara angulados sob a pele acentuando a carga dramática da tua beleza esquálida. Usavas aquela camisola negra tamanho XXL, desbotada nos cotovelos, que te escondia o tronco cada vez mais magro, as costelas e o esterno -irrepreensível escudo de uns pulmões que anos de fumo enegreceram.

Eu trazia o envelope na mão, a confirmação da tua morte, porque quando te telefonei apercebi-me que as minhas palavras te feriam como punhaladas na tua convicção, que não resistirias a passar por isto, ainda para mais só, sem heroína ( a metadona tinha funcionado tão bem e agora isto) e sem heroínas, agora nada nem ninguém poderia tirar-te de dentro desta carta, igual às outras, é certo, letras pretas sobre papel branco, o teu nome a começar o texto, o Pos. à frente daquelas siglas que deveria ser Neg.. Telefonei "Chegou o envelope."

"Abre, abre, lê-me, diz-me, vais ver como não passou de um erro infantil da puta do laboratório." Tu cheio de infinita certeza, desde pequeno que és assim, achas que a vida só castiga os outros.
"É positivo, querido. Mas tem calma porque há tratamentos..."

Sabias que os tratamentos na maior parte das vezes adiam a data da morte por isso desligaste-me o telemóvel sem sim nem senão. E eu fui ter contigo à praia, o sol punha-se por entre rajadas de vento, a cor do fogo que ardia cada teu passo ao meu encontro, ah se eu pudesse queimaria aquele papel que tinha na mão e viveríamos sem remédios nem contagens de leucócitos CD4s nem medos de infecções oportunistas nem preservativos obrigatórios. Mas tu já corrias e já sabias.

De repente vês-me e abrandas a marcha, gradualmente, até parares. E gritas "REPETE!".

"É positivo, porra!"

E então cospes a culpa, a injustiça, a dor, a parcialidade, a SIDA, a morte num só grito, as palmas das mãos sobre as tuas orelhas para que não te ouvisses.

"AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHH"



Munch- O Grito



10.9.05

Beleza

Não me venhas tu falar de beleza e de como eu sou bonita porque para mim a beleza é um conceito muito vasto e relativo. O que é a beleza afinal? Fisicamente falando, pois. Um conjunto de traços perfeitos que, conjugados, tornam um corpo e um rosto agradáveis ao olhar? Ou o detalhe e o pormenor do organismo?

Para mim a beleza não é isto, sabes, a beleza para mim não é um conceito nem uma definição e não parte de quem a possui, mas sim de quem a avalia. É isso que a torna tão indefinida, o facto de depender do olhar de alguém.

O olhar, outra palavra tão abrangente, enfim. Olhar como sujeito, algo que implica muito mais do que um par de olhos, algo que engloba outros sentidos, processamento, integração, comparação com aprendizagens anteriores e associação com experiências diversas, para depois ser produzido um juízo pessoal, que tem tanto de mentira como de verdade.

Por isso não me venhas falar de beleza nem de como eu sou bonita e trata, isso sim, de guardar este momento dentro de ti porque ele pode ser irrepetível. Podes nunca mais me achar bonita, pode este instante mudar a tua beleza, mas saberás sempre que um dia eu fui, para ti, a beleza. E nenhum conceito ou explicação poderá estragar isso.