12.11.05

A não perder

Em jeito de nota de rodapé com honras de letras gordas na primeira página do jornal, venho aconselhar o concerto de Devendra Banhart, amanhã à noite na Aula Magna.

E sei do que vos falo. Vi o senhor em concerto no Sudoeste, no palco Planeta Sudoeste.

Logo que entraram em palco, senti-me transportada para Woodstock, pelo visual, pela boa onda, pelo ar que se respirava. Não é preciso ser-se hippie ou fumar erva para compreender a sua música, feita de simplicidade e boas letras. É só exigido que nos deixemos levar. Que fechemos os olhos e respiremos profundamente, deixando cada acorde e cada palavra disseminar-se por nós e logo a tranquilidade e o prazer encarregar-se-ão do resto. Quando acabou, quem lá estava saíu diferente, ninguém o pode negar, preenchidos por uma mensagem de paz que cada um interpretou à sua maneira.

E quando ele chamou um songwriter ao acaso do público para tocar uma música, que momento tão humilde e generoso!

Este concerto marcou-me muito, mais não seja por o ter visto totalmente sozinha (bom, não tanto sozinha, mas sim acompanhada por um copo de plástico constantemente cheio de imperial).

Enfim, amanhã, dia 12, ele volta para estar connosco. É um aviso.

10.11.05

Melhor comentário 2005

Prémio a ser atribuído com alguma antecipação porque o vencedor desta categoria teve uma ideia que eu adorava ter tido.

Verão :D, este prémio é para si!!!

"Quando eu cheguei parecias encantada. Não te lembras das idas à praia, das saidas agradaveis nas minhas noites, das férias.
Como pudeste fazer isto?!
Prometeste fieldade, falaste em comprar aquecedores para as minhas ausências, em continuar a usar cores vivas, em continuar a comer gelados, até disseste que me ias visitar ao Brasil...Como pudeste fazer isto?!?!
Aparece um palhaço qualquer que faz cair as Folhas(das arvores e da velhice), molha tudo, traz trabalho...
Castanhas! ah,grande coisa! comida de porcos é o que é!
Já te esqueceste das saladas frescas?
Como pudeste fazer isto?!!!!!!!"

(Julgo que sei quem és mas pelo sim pelo não, reserva-se aqui o anonimato.)

dEUS


Mesmo sabendo que
não gostavas, empenhei meu anel de rubi para te levar ao concerto que havia no Rivoli
corro o risco de não almoçar nem jantar durante parte do mês de Novembro, não consegui resistir. Comprei.

E em Dezembro lá estarei na Aula Magna, a aplaudi-los.

"Here comes the sun smiling, how long have you been blue?
There'd ever be a time for us to recapture all the time we lose."

9.11.05

Um "AI PODE"

É o que eu quero receber nos anos.

(ou um Zen da Creative).

P.S. Se alguém tiver sugestões acerca de coisos-que-tocam-mp3-e-já-agora-rádio, pode deixar um comentário se faz favor que eu não percebo nada disso.

Isto não me sai da cabeça, mais vale pôr aqui para ver se ajuda...

My love life

Come on to my house
Come on and do something new.

I know you love one person so why can't you love two?

Give a little something
Give a little something
To my love life
To my love life
My love life...

I know you love one person so why can't you love two?

Give a little something
Give a little something
To my love life
To my love life
My love life...

I know you love one person so why don't you love two?
Love two...

Oh give a... Love.
I know you love.

Morrissey

7.11.05

Mensagem para o Outono

O meu corpo sentiu a tua presença hoje porque finalmente pude respirar fundo e absorver o ar frio transpirado pelos dias cada vez mais curtos. O amanhecer às 7 da manhã foi recebido com um arrepio: apesar da luz brilhante que aquecia o céu azul, o sol arrefeceu a casa do meu amigo, arrefecendo também a conversa inflamada sobre orgulho e justiça e moral(idade).

Chegaste há tempo mas só agora te aceitei, Outono, por isso faz-me companhia nestes dias breves mas sós que se avizinham. Tu e este cd fantástico com todas as músicas publicadas pelos Belle & Sebastian (presente mais que generoso de um amigo meu). E agora que já nos entendemos, Outono, posso começar a contar os dias para o meu aniversário, fazer listas de convidados para uma festa (nem que seja para actualizar mentalmente quem são os meus amigos), pensar em presentes que gostava de receber e, sobretudo, começar a tortura (que dura até ao fim do ano) dos balanços: o que é que eu fiz, o que estou a fazer, o que quero mudar, o que mudei, o que consegui, o que está por alcançar. Talvez também chore quando precisar mas a verdade é que a percepção que tenho de mim agora, é, estranhamente, de tranquilidade.

E comer castanhas.

Já agora, achas que o orgulho pessoal deve ser impedimento para viver a vida e aproveitá-la ao máximo?

5.11.05

Praia III

A praia só e calma
Feita de choros breves
E frias madrugadas
É o abrigo dos seres
Feitos, eles também,
De lamentos, sonhos
E gargalhadas.

1.11.05

A insensibilidade dos Homens

Porque reside na insensibilidade dos Homens a insegurança dos angustiados, porque quando olhava o Tejo no comboio, evitando chorar, descobri que podia ilibar-me da culpa de te desejar, porque é o passado de um povo que o sentencia e o passado do meu cruzou-se com reis e rainhas e amores de perdição.

Com a insensibilidade dos Homens revelou-se-me a destreza do Engano, ele próprio um engano de si mesmo por poder ser a verdade camuflada em mais enganos e lapsos voluntários. Eu própria, cansada de ti, pensava eu, em engano, afinal os meus vazios estão preenchidos pela plenitude que me trazes.

Desde a insensibilidade dos Homens que cada passo que dou parece pesar o decorrer dos anos, a dor dos vivos, a ausência dos mortos.

3.10.05

Conversas

Uma amiga dos meus pais, apontando para mim (que estava ao longe mas a ouvir tudo) "Mas a vossa filha é giríssima! Ela tem namorado?".
Resposta pronta "Não".

A amiga dos meus pais com ar introspectivo: "Ela é diferente, tem uma personalidade muito forte."

Isto foi há um mês e ainda hoje reflicto se devo encarar esta justificação como um elogio, uma crítica, uma coisa boa, uma coisa má, uma coisa que não é coisa nenhuma.

1.10.05

Misto de sentimentos

Depois de ler este artigo, não sei se sinto humilhação, desolação, profunda tristeza, vergonha, pena.

Se calhar estou a sentir tudo isso.

29.9.05

Mais música portuguesa

Para acrescentar a este post. Ouvi Quinteto Tati e Belle Chase Hotel nestes últimos dias e permitam-me juntar um nome aos já referidos: JP Simões. Um bem haja. Das das melhores coisas que se fizeram até hoje no mundo.

Não estás à espera que te responda a essa merda de mensagem, estás?

É que se estiveres, bem podes ir tirando o cavalinho da chuva, porque ainda me resta dignidade e amor-próprio.

Ora porra.

28.9.05

- Oh, tu nunca sequer fizeste um esforço...
- Eu nunca fiz um esforço... Ou tu exigias demais de mim? Pára de fazer isso ao cabelo, estuda, não uses as meias assim, não fumes, come mais verdura, faz a barba, diz obrigada, pede desculpa, conduz mais devagar, não dances, dança, lê mais, não sejas ignorante e irresponsável, puta que te pariu mais às tuas manias.
- Nós nunca iríamos resultar juntos.

Desculpa.

27.9.05

E porque as saudades já apertam


É esta a minha irmã.

Os R's da música portuguesa

Digam o que disserem, para mim a música portuguesa essencial tem dois nomes: Rui Reininho e Rodrigo Leão.

O primeiro porque é o David Byrne português (e eu já achava isto antes de ele fazer aquele cover dos Talking Heads).

O segundo porque é um génio.

Mas isto sou eu, que não percebo nada de música. Apenas ouvinte. E dos atentos.

26.9.05

A fenda

Algures entre mim e aquilo que passou, existe uma fenda no tempo composta de desilusões e sonhos desfeitos. Aproveito os dias de hoje onde o tempo navega tranquilo ao sabor da vontade e do desejo, vivo sem amar mas também não odeio. Vou sendo, convivo comigo e aprendo que o espaço da vida foi dimensionado para as pessoas imperfeitas.

Como eu.

25.9.05

Eu quero é dormir

Gasto todos os dias 45 minutos antes de sair de casa de manhã. Vejamos:

- 10-15 m. a tomar banho;
- 15 m. para vestir, pentear, perfume e cremes;
- 10 m. para pequeno-almoço e lavagem dos dentes.

Ora 45 minutos todos os dias são 16425 minutos por ano, isto é 273,75 horas, logo... 11 dias por ano gastos apenas para me tornar um ser social.

É impressão minha ou isto é tempo que eu poderia estar a dormir se pudesse sair à rua de pijama?

21.9.05

Rajadas de vento

Nem eu percebi bem o que se estava a passar comigo quando um dia olhaste para dentro de mim e roubaste a minha alma.
Não me lembro bem de ti, de mim, de onde estávamos, do olhar que trocámos enquanto nos fundíamos, sei que desde então não sou a mesma.

Apercebo-me que poderia ter dito "Pára!" antes de cair neste pântano emocional que é gostar de ti, mas como se não consigo identificar aquele instante que mudou as minhas horas, os meus dias, os meus meses, os meus anos, porque os tornei nossos.

Lembro-me de rajadas de vento em dias de temporal, a maioria das vezes arrebatadoras, outras tranquilas.

19.9.05

Uma pequena consideração acerca do dia 19 de Setembro às 9 horas

Voltei às aulas em Lisboa. As férias parecem um sonho bom que aconteceu durante uma noite entre o último exame e hoje.