Faltas tu, aqui, eu sei. (Mas já percebi a cena das stan smith, é muito do hip-hop você!)
15.7.06
PARABÉNS (só mais uma vez)
O meu presente para ti:

Faltas tu, aqui, eu sei. (Mas já percebi a cena das stan smith, é muito do hip-hop você!)
Faltas tu, aqui, eu sei. (Mas já percebi a cena das stan smith, é muito do hip-hop você!)
Uma canção de João Gilberto por dia dá saúde e alegria II
Coisa mais bonita é você, assim, justinho você
Eu juro, eu não sei porquê você.
Você é mais bonita que a flor, quem dera à primavera da flor
Tivesse todo esse aroma de beleza, que é o amor
Perfumando a natureza, numa forma de mulher.
Porque tão linda assim não existe, a flor, nem mesmo a cor não existe,
E o amor, nem mesmo o amor existe.
João Gilberto "Coisa Mais Linda"
Eu juro, eu não sei porquê você.
Você é mais bonita que a flor, quem dera à primavera da flor
Tivesse todo esse aroma de beleza, que é o amor
Perfumando a natureza, numa forma de mulher.
Porque tão linda assim não existe, a flor, nem mesmo a cor não existe,
E o amor, nem mesmo o amor existe.
João Gilberto "Coisa Mais Linda"
(ATENÇÃO, LEITORES DESATENTOS: Isto é um link para fazerem download da música, para que também vocês possam fazer karaoke; na canção anterior também lá está o link para os interessados - que eu, confiando no bom-gosto dos meus leitores, receio que sejam todos!)
13.7.06
Uma canção de João Gilberto por dia dá saúde e alegria I
Este seu olhar
Quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar
Doce é sonhar
É pensar que você
Gosta de mim
Como eu de você!
Mas a ilusão
Quando se desfaz
Dói no coração
De quem sonhou
Sonhou demais
Ah! Se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos...
João Gilberto "Este seu olhar"
(sempre em prol da saúde dos seus leitores, o Desumanos têm o prazer de disponibilizar a canção- é só seguir o link e fazer o download, por favor)
Quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar
Doce é sonhar
É pensar que você
Gosta de mim
Como eu de você!
Mas a ilusão
Quando se desfaz
Dói no coração
De quem sonhou
Sonhou demais
Ah! Se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos...
João Gilberto "Este seu olhar"
(sempre em prol da saúde dos seus leitores, o Desumanos têm o prazer de disponibilizar a canção- é só seguir o link e fazer o download, por favor)
12.7.06
CSS [cansei de ser sexy]
Nen sempre se percebe porque gostamos à primeira de uma canção. Há quem fale em letra, há quem fale em melodia ou instrumentalizações, há quem fale em beats e pós-produção. No caso de quem escreve, costuma ser uma sensação de viagem, de identificação, ou para resumir e deixar-se de devaneios, aquela sensação boa de comer um gelado de nata com molho de chocolate quente e morangos frescos, sabem?, é essa sensação que me costuma prender a uma canção.
No caso de Cansei de ser sexy (CSS para facilitar), há também o humor. Que começa imediatamente com o nome escolhido pela banda [que eu vou mandar escrever numa t-shirt, by the way] e com o início da banda: quando se juntaram, quais trapezistas musicais sem rede, não sabiam tocar instrumentos nenhuns à excepção do baterista. É no mínimo inusitado, querer ter uma banda e não saber tocar, mas é visível em toneladas de objectos pop morangos-com-açúcar-band-totalmente-em-desrespeito-com-a-música; ainda mais inusitado se torna quando as pessoas que se juntam têm realmente paixão pela música, como eu ou tu, porque ainda mais do que inusitado torna-se sobretudo um acto de coragem e rebeldia. E o humor, ou a ironia, acontece também na distribuição do seu cd, que vinha com um CD virgem vazio para que se pudesse copiá-lo livremente (bela forma de combater a hipocrisia da suposta crise dos downloads ilegais). E o humor está também em cada título de EP, canção ou álbum (Em Rotterdam já é uma febre é o nome do primeiro EP, Let's make love and listen to Death from above, o nome do single).
Toda a gente sabe que o Brasil é um mundo, quem lá foi e quem pelo país se interessa mais do que ninguém o reconhece, se fosse para descrever o Brasil com uma cor, teríamos que usar uma paleta enorme, porque é um país de vários tons, não se fica pelo amarelo, também é cinzento, não se fica pelo azul, é também vermelho, não se fica pelo verde, é também laranja; nãoo se fica pelo branco, é também preto. E um dos factores inequívocos desta panóplia espectrofotométrica é, indiscutivelmente, a música. Estando toda a gente familiarizada com a bossa-nova, o samba, o pagode, o sertanejo, as dúvidas afloram um pouco quando se fala em baile funk, electrónica, hip-hop, reggae isto tudo cantado em português com um sotaque que lhe dá a graça toda. São Paulo, meus amigos, está no epicentro desta revolução (S. Paulo e as favelas, mas para o caso as favelas pouco interessam pois os moços de que vos falo são paulistas). E que cidade melhor que S. Paulo para fundir toda a música num só estilo? (uma cidade que, recordo-vos, tem tantos ou mais habitantes que Portugal todo junto) Em São Paulo, muito graças à editora Trama, nascem e renascem novos géneros musicais a toda a hora, novos hypes a cada minuto, novas bandas a cada segundo. E nós, deste lado do Atlântico, agradecemos. Porque esta música brasileira nova traz a boa-disposição e o sentimento da velha mas intemporal MPB, apenas torna-a mais bip-bop (seja o que isso for).
E é de bip-bop e de silly season que os CSS são feitos. Guitarras que misturam rock com electrónica desmesurada, beats provavelmente saídos de um órgão Casio (carrega-se-neste-botão-e-pronto), que se conjugam para fazer das coisas mais dançáveis (e sexys, há que dizê-lo) que já se ouviram este ano, letras provocantes e fáceis-de-decorar q.b., há The Kills e Yeah Yeah Yeahs mas há muito mais do que a fusão disto; os Cansei de ser sexy, sem o fazerem de propósito, conseguiram trazer muito mais às pistas de dança do que aquelas bandas de revivalismo 80s (que já me irritam): a evolução. Trouxeram mais, oferecem muito mais e é por isso que os devemos receber de braços abertos.
Na sua música há pura genuinidade (não confundir com ingenuinidade), há pôr-do-sol-depois-de-um-dia-de-praia, há caipirinhas, há bikinis e mini-saias e há corpos bronzeados. Mas, não fosse isto já bom o suficiente, não há só verão nestas canções, há também a cultura cosmopolita, há o Bairro Alto (ou a down-town NY), há o botellón (cada vez mais em voga na Praça Camões), há pontes sobre rios ( Brooklyn Bridge ou Vasco da Gama, not important), há imperiais fresquinhas em copos de plástico, há piercings e t-shirts (às riscas sempre) rasgadas.
E não sou só eu a dizê-lo.
Os Cansei de ser sexy começaram este mesmo mês uma tournée com o Diplo pelos Estados Unidos (boa sorte, amigos!) e eu temo que, para bem do nosso Verão, eles sejam the next big thing. Vão-no ser pelo menos no meu leitor de cd's.
[Não fosse a música suficientemente boa e os meninos ainda tiveram a audácia de ter um grande vídeo para mostrar]
"Let's make love and listen to Death From Above"
Cansei de ser sexy n'Os desumanos
Tempo para um conselho: se querem ser felizes, vão ao site da Trama, dos CSS e ao seu mypace e oiçam mais.
Tempo para um aviso: se não dançarem, é porque estão mortos.
No caso de Cansei de ser sexy (CSS para facilitar), há também o humor. Que começa imediatamente com o nome escolhido pela banda [que eu vou mandar escrever numa t-shirt, by the way] e com o início da banda: quando se juntaram, quais trapezistas musicais sem rede, não sabiam tocar instrumentos nenhuns à excepção do baterista. É no mínimo inusitado, querer ter uma banda e não saber tocar, mas é visível em toneladas de objectos pop morangos-com-açúcar-band-totalmente-em-desrespeito-com-a-música; ainda mais inusitado se torna quando as pessoas que se juntam têm realmente paixão pela música, como eu ou tu, porque ainda mais do que inusitado torna-se sobretudo um acto de coragem e rebeldia. E o humor, ou a ironia, acontece também na distribuição do seu cd, que vinha com um CD virgem vazio para que se pudesse copiá-lo livremente (bela forma de combater a hipocrisia da suposta crise dos downloads ilegais). E o humor está também em cada título de EP, canção ou álbum (Em Rotterdam já é uma febre é o nome do primeiro EP, Let's make love and listen to Death from above, o nome do single).
Toda a gente sabe que o Brasil é um mundo, quem lá foi e quem pelo país se interessa mais do que ninguém o reconhece, se fosse para descrever o Brasil com uma cor, teríamos que usar uma paleta enorme, porque é um país de vários tons, não se fica pelo amarelo, também é cinzento, não se fica pelo azul, é também vermelho, não se fica pelo verde, é também laranja; nãoo se fica pelo branco, é também preto. E um dos factores inequívocos desta panóplia espectrofotométrica é, indiscutivelmente, a música. Estando toda a gente familiarizada com a bossa-nova, o samba, o pagode, o sertanejo, as dúvidas afloram um pouco quando se fala em baile funk, electrónica, hip-hop, reggae isto tudo cantado em português com um sotaque que lhe dá a graça toda. São Paulo, meus amigos, está no epicentro desta revolução (S. Paulo e as favelas, mas para o caso as favelas pouco interessam pois os moços de que vos falo são paulistas). E que cidade melhor que S. Paulo para fundir toda a música num só estilo? (uma cidade que, recordo-vos, tem tantos ou mais habitantes que Portugal todo junto) Em São Paulo, muito graças à editora Trama, nascem e renascem novos géneros musicais a toda a hora, novos hypes a cada minuto, novas bandas a cada segundo. E nós, deste lado do Atlântico, agradecemos. Porque esta música brasileira nova traz a boa-disposição e o sentimento da velha mas intemporal MPB, apenas torna-a mais bip-bop (seja o que isso for).
E é de bip-bop e de silly season que os CSS são feitos. Guitarras que misturam rock com electrónica desmesurada, beats provavelmente saídos de um órgão Casio (carrega-se-neste-botão-e-pronto), que se conjugam para fazer das coisas mais dançáveis (e sexys, há que dizê-lo) que já se ouviram este ano, letras provocantes e fáceis-de-decorar q.b., há The Kills e Yeah Yeah Yeahs mas há muito mais do que a fusão disto; os Cansei de ser sexy, sem o fazerem de propósito, conseguiram trazer muito mais às pistas de dança do que aquelas bandas de revivalismo 80s (que já me irritam): a evolução. Trouxeram mais, oferecem muito mais e é por isso que os devemos receber de braços abertos.
Na sua música há pura genuinidade (não confundir com ingenuinidade), há pôr-do-sol-depois-de-um-dia-de-praia, há caipirinhas, há bikinis e mini-saias e há corpos bronzeados. Mas, não fosse isto já bom o suficiente, não há só verão nestas canções, há também a cultura cosmopolita, há o Bairro Alto (ou a down-town NY), há o botellón (cada vez mais em voga na Praça Camões), há pontes sobre rios ( Brooklyn Bridge ou Vasco da Gama, not important), há imperiais fresquinhas em copos de plástico, há piercings e t-shirts (às riscas sempre) rasgadas.
E não sou só eu a dizê-lo.
Os Cansei de ser sexy começaram este mesmo mês uma tournée com o Diplo pelos Estados Unidos (boa sorte, amigos!) e eu temo que, para bem do nosso Verão, eles sejam the next big thing. Vão-no ser pelo menos no meu leitor de cd's.
[Não fosse a música suficientemente boa e os meninos ainda tiveram a audácia de ter um grande vídeo para mostrar]
"Let's make love and listen to Death From Above"
Cansei de ser sexy n'Os desumanos
Tempo para um conselho: se querem ser felizes, vão ao site da Trama, dos CSS e ao seu mypace e oiçam mais.
Tempo para um aviso: se não dançarem, é porque estão mortos.
11.7.06
Lugares-comuns
Passo as páginas do livro sem as ler, não leio palavras nem frases porque já nenhuma me diz seja o que for. Decidida a escrever a minha própria estória, sem intromissões nem compromissos, abro um caderno em branco, folhas vazias que esperam os meus instantes.
Penso que só acreditamos em príncipes encantados porque foi isso que nos ensinaram na infância.
E assim começo, a caneta bic roída na tampa desliza sobre o papel rugoso
folhas recicladas porque sou environment-friendly
E conto uma história e invento floreados e olhares e instantes que não existiram
porque quem conta um conto, acrescenta sempre um ponto
e geralmente está vento
e hoje em Lisboa o vento soprava com força, trazendo cheiros de outras nacionalidades
e arranjo qualquer coisa bonita para dizer sobre a forma como os cabelos estavam despenteados e a chuva consegue ser romântica porque toda a gente se recolhe debaixo de algum tecto
e, vinda do nada, ou talvez daquelas nuvens além, sinto gotas no rosto, primeiro no nariz, depois nos lábios e só então molham-me o cabelo - e o guarda-chuva em casa - e eu acelero o passo dirigindo-me a lado nenhum
e o ar que se respirava, que era já húmido, torna-se ainda mais sufocante, mas eu descubro maneira de fazer com que um olhar tímido se cruze com outro e duas pessoas, até então desconhecidas, sorriem e vão beber uma imperial e falar sobre a vida.
Dou por mim e apaixono-me pela minha caneta, pelo meu caderno, pela música que oiço, pelos livros que leio. Dou por mim e sou mais uma da carneirada com a mania que sou diferente (não melhor, só diferente). Agarro na minha caneta bic e parto para o egocentrismo: assino o meu nome em todas as folhas brancas do caderno, faço trocadilhos, desenho figuras geométricas e, cansada de esperar que alguém o faça por mim, preencho cada espaço vazio restante com uma cara sorridente (vulgo smiley).
Fecho o caderno e guardo-o na gaveta. Saio para a rua e está a chover, mas o ar está quente, seca-me por dentro. Era um belo momento para inspirar profundamente e sentir o cheiro da terra, mas se eu inspirar profundamnete agora, fico com uma grande dor de cabeça e o máximo que consigo cheirar é fumo de escape.
Penso que só acreditamos em príncipes encantados porque foi isso que nos ensinaram na infância.
E assim começo, a caneta bic roída na tampa desliza sobre o papel rugoso
folhas recicladas porque sou environment-friendly
E conto uma história e invento floreados e olhares e instantes que não existiram
porque quem conta um conto, acrescenta sempre um ponto
e geralmente está vento
e hoje em Lisboa o vento soprava com força, trazendo cheiros de outras nacionalidades
e arranjo qualquer coisa bonita para dizer sobre a forma como os cabelos estavam despenteados e a chuva consegue ser romântica porque toda a gente se recolhe debaixo de algum tecto
e, vinda do nada, ou talvez daquelas nuvens além, sinto gotas no rosto, primeiro no nariz, depois nos lábios e só então molham-me o cabelo - e o guarda-chuva em casa - e eu acelero o passo dirigindo-me a lado nenhum
e o ar que se respirava, que era já húmido, torna-se ainda mais sufocante, mas eu descubro maneira de fazer com que um olhar tímido se cruze com outro e duas pessoas, até então desconhecidas, sorriem e vão beber uma imperial e falar sobre a vida.
Dou por mim e apaixono-me pela minha caneta, pelo meu caderno, pela música que oiço, pelos livros que leio. Dou por mim e sou mais uma da carneirada com a mania que sou diferente (não melhor, só diferente). Agarro na minha caneta bic e parto para o egocentrismo: assino o meu nome em todas as folhas brancas do caderno, faço trocadilhos, desenho figuras geométricas e, cansada de esperar que alguém o faça por mim, preencho cada espaço vazio restante com uma cara sorridente (vulgo smiley).
Fecho o caderno e guardo-o na gaveta. Saio para a rua e está a chover, mas o ar está quente, seca-me por dentro. Era um belo momento para inspirar profundamente e sentir o cheiro da terra, mas se eu inspirar profundamnete agora, fico com uma grande dor de cabeça e o máximo que consigo cheirar é fumo de escape.
Querem-se / Precisam-se
Pessoas que observem
Que opinem , que escolham, que se insurjam
Que não toquem nas obras de arte mas saibam senti-las
Que vejam televisão e desliguem-na cinco minutos depois
Que percam meia hora a fazer o seu jantar
Que ponham a mesa mesmo quando jantam sós
Que oferecem um malmequer como presente de anos
Que enviem uma carta pelo correio
Que dêem a mão a quem gostam
Que fiquem tristes com as notícias, mas
Que ficam ainda mais tristes com a doença do vizinho do lado
Que não se limitem a encolher os ombros
Que brincam com crianças na rua
Que reconhecem as crianças que têm dentro de si
Que fazem brindes por tudo e por nada
Que opinem , que escolham, que se insurjam
Que não toquem nas obras de arte mas saibam senti-las
Que vejam televisão e desliguem-na cinco minutos depois
Que percam meia hora a fazer o seu jantar
Que ponham a mesa mesmo quando jantam sós
Que oferecem um malmequer como presente de anos
Que enviem uma carta pelo correio
Que dêem a mão a quem gostam
Que fiquem tristes com as notícias, mas
Que ficam ainda mais tristes com a doença do vizinho do lado
Que não se limitem a encolher os ombros
Que brincam com crianças na rua
Que reconhecem as crianças que têm dentro de si
Que fazem brindes por tudo e por nada
Que fazem planos para amanhã, para daqui a meses ou daqui a uns anos
Que descobrem sempre uma maneira de dar a volta por cima
Que dançam com o corpo todo, à frente do espelho e de outras pessoas
Que sorriem perante a lua, o sol, o mar, o vento
Que se aninhem em coisas, e não só nos lençóis.
Que só se deitam depois de ouvir música
Que na cama lêem um parágrafo de um livro que adoram
Que ao fim do dia reparam que hoje foram melhores
Que, com a luz apagada ou acesa, nunca se esquecem de sonhar.
9.7.06
8.7.06
Adormecer
Estou cansada e é aqui que escolhi dormir.
O meu corpo repousado sobre um manto fofo de musgo, o cabelo estendendo-se junto aos malmequeres amarelos, as mãos e os pés intimamente acariciando a terra.
Mais importante, a alma, vazia de emoções, finalmente existe com esse único propósito: o de existir. Deixar passar o tempo sem tentar acelerá-lo, desfrutar unicamente da companhia do silêncio.
Aos poucos, um formigueiro percorre suavemente os membros, que perdem a tensão desviando-se do centro. O corpo adormece.
O meu corpo repousado sobre um manto fofo de musgo, o cabelo estendendo-se junto aos malmequeres amarelos, as mãos e os pés intimamente acariciando a terra.
Mais importante, a alma, vazia de emoções, finalmente existe com esse único propósito: o de existir. Deixar passar o tempo sem tentar acelerá-lo, desfrutar unicamente da companhia do silêncio.
Aos poucos, um formigueiro percorre suavemente os membros, que perdem a tensão desviando-se do centro. O corpo adormece.
Jens Lekman - A higher power
She said let's put a plastic bag over our heads
and then kiss and stuff 'til we get dizzy and fall on the bed.
We were in heaven for five or six minutes, then we passed out
and I was so in love I thought I knew what love was all about.
In church on sunday making out in front of the preacher.
You had a black shirt on with a big picture of Nietzsche.
When we had done our thing for a full christian hour,
I had made up my mind that there must be a higher power.
A higher, higher power.
At a Christmas-party, I'd hold your hair when you vomit,
I'd help you up to brush your teeth, and then I'd kiss your stomach.
We lie still on your bed, the room is lit only by the tele
and it's a perfect night for feeling melancholy.
A higher, higher power.
[esta merece um post só para si]
and then kiss and stuff 'til we get dizzy and fall on the bed.
We were in heaven for five or six minutes, then we passed out
and I was so in love I thought I knew what love was all about.
In church on sunday making out in front of the preacher.
You had a black shirt on with a big picture of Nietzsche.
When we had done our thing for a full christian hour,
I had made up my mind that there must be a higher power.
A higher, higher power.
At a Christmas-party, I'd hold your hair when you vomit,
I'd help you up to brush your teeth, and then I'd kiss your stomach.
We lie still on your bed, the room is lit only by the tele
and it's a perfect night for feeling melancholy.
A higher, higher power.
[esta merece um post só para si]
À redescoberta
A sofreguidão para conhecer coisas novas, musicalmente falando, faz-me esquecer coisas boas que andavam a ganhar pó na minha estante. Foi o que aconteceu ao Jens Lekman, que tão injustamente há já algum tempo que não girava por estas bandas.
E um senhor que escreve coisas como as que vos vou mostrar não deveria ser nunca silenciado.
"She said "shhh
please be quiet
I know you don't want to
but please deny it""
[The cold swedish winter]
Ou então,
"When I said I wanted to be your dog
I wasn't coming on to you
I just wanted to lick your face
Lick those raindrops from the rainy days"
[When I said I wanted to be your dog].
E um senhor que escreve coisas como as que vos vou mostrar não deveria ser nunca silenciado.
"She said "shhh
please be quiet
I know you don't want to
but please deny it""
[The cold swedish winter]
Ou então,
"When I said I wanted to be your dog
I wasn't coming on to you
I just wanted to lick your face
Lick those raindrops from the rainy days"
[When I said I wanted to be your dog].
6.7.06
Figura de estilo
Correr descalça e livre sobre a relva molhada,
respingar os tornozelos com gotas de chuva,
distraír-se,
cair.
Levantar-se,
uma perna atrás da outra,
erguer-se e limpar a dor,
sem se incomodar com o sangue
ou com a lama nas mãos,
concentrar-se,
correr de novo,
escorregar,
voltar a cair,
lamber as feridas,
erguer-se novo.
Uns dias um pouco mais triste, outros dias feliz como nunca.
respingar os tornozelos com gotas de chuva,
distraír-se,
cair.
Levantar-se,
uma perna atrás da outra,
erguer-se e limpar a dor,
sem se incomodar com o sangue
ou com a lama nas mãos,
concentrar-se,
correr de novo,
escorregar,
voltar a cair,
lamber as feridas,
erguer-se novo.
Uns dias um pouco mais triste, outros dias feliz como nunca.
4.7.06
Praia IV
Entretive-me a desenhar círculos na areia com os dedos, muito suavemente como o rasto de um eremita. O coração, enterrado no fundo do mar, batia mais depressa, cada dia um bocadinho mais.
Distraída como estava, não vi formar-se a onda que lavou a minha alma quando chegaste.
Distraída como estava, não vi formar-se a onda que lavou a minha alma quando chegaste.
América Latina
Se eu pudesse, se eu pudesse..., visitava todos de uma assentada. Falta-me dinheiro e meses de férias para isso.
| You Should Visit Peru |
Peru is ideal for your "off the beaten path" traveling style. Head out to an ancient Incan city, visit a volcano, and don't forget to pet a llama. |
3.7.06
Googlism for: joana
joana is rich compared to those living in the villages of fiji
joana is self
joana is our second beanie tapir
joana is completely obsessed with bernhard and the relationship disintegrates
joana is a who's
joana is currently a sophomore at rock valley college and plans to transfer to niu after graduation in the spring of 2002
joana is originally from lisboa
joana is a happy
joana is still hoping that the family will get together again one day and that something positive will come out of all this
joana is keeping track of
joana is working on getting sierra nevada to donate space
joana is active in missionary work in haiti
joana is a seattle native who worked at world vision and interned at northwest urban ministry's hope central before joining the campus ministries staff
joana is een hele lieve en prachtige poes met grote oren en megapluimen erop
joana is a rio nightspot known as a bastion of old
joana is 15 and lives in germany
joana is born hier finden sie informationen zu den folgenden themen
joana is trusted by
joana is a booger
joana is deeply committed to enhancing life in ghana and the world
joana is my cousin but also belongs to my group of friends
joana is a naval infantry
joana is one of the original members of the blast
joana is another veteran of the blast from last season
joana is kein leben
joana is talking about is going to a lab and doing a timing on a feature
joana is a true local artist
joana is not literate
joana is the 2
joana is a 11 years old and tiago is a 12 years old
joana is looking for a friend that is between the ages of 30
joana is getting married
joana is willing to do light housework
joana is portuguese
joana is studying "signature whistles" while robin is studying behavioral development in the dolphins
joana is flexible
joana is decidedly architectonic
joana is the presidente of brca/usa and a very dear friend
joana is a bitchy wimp
joana is a genius
joana is the most polished setter
joana is the most polished
joana is going to school there
joana is a busy setting with 1
joana is 16
Verdades, mentiras, são os factos sobre as Joanas encontrados no google.
joana is self
joana is our second beanie tapir
joana is completely obsessed with bernhard and the relationship disintegrates
joana is a who's
joana is currently a sophomore at rock valley college and plans to transfer to niu after graduation in the spring of 2002
joana is originally from lisboa
joana is a happy
joana is still hoping that the family will get together again one day and that something positive will come out of all this
joana is keeping track of
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joana is active in missionary work in haiti
joana is a seattle native who worked at world vision and interned at northwest urban ministry's hope central before joining the campus ministries staff
joana is een hele lieve en prachtige poes met grote oren en megapluimen erop
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joana is 15 and lives in germany
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joana is kein leben
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joana is not literate
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joana is a 11 years old and tiago is a 12 years old
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joana is getting married
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joana is flexible
joana is decidedly architectonic
joana is the presidente of brca/usa and a very dear friend
joana is a bitchy wimp
joana is a genius
joana is the most polished setter
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joana is going to school there
joana is a busy setting with 1
joana is 16
Verdades, mentiras, são os factos sobre as Joanas encontrados no google.
28.6.06
Tem dias em que me apetece
Agarrar neste blog e cortá-lo aos bocadinhos porque às vezes fico muito farta dele.
(Desta vez safou-se.)
(Desta vez safou-se.)
Breathtaking
José Gonzalez - Heartbeats
one night to be confused
one night to speed up truth
we had a promise made
four hands and then away
both under influense
we had devine scent
to know what to say
mind is a razorblade
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
one night of magic rush
the start a simple touch
one night to push and scream
and then releaf
ten days of perfect tunes
the colors red and blue
we had a promise made
we were in love
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
and you, you knew the hands of the devil
and you, kept us awake with wolf teeths
sharing different heartbeats
in one night
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
(a sério, queridos leitores, o que seria de vocês sem as letras que ponho aqui?)
one night to be confused
one night to speed up truth
we had a promise made
four hands and then away
both under influense
we had devine scent
to know what to say
mind is a razorblade
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
one night of magic rush
the start a simple touch
one night to push and scream
and then releaf
ten days of perfect tunes
the colors red and blue
we had a promise made
we were in love
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
and you, you knew the hands of the devil
and you, kept us awake with wolf teeths
sharing different heartbeats
in one night
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
(a sério, queridos leitores, o que seria de vocês sem as letras que ponho aqui?)
Mais uma daquelas que não me sai da cabeça
Matthew Herbert - Something Isn't Right
i don't buy the thing you said
you hit the nail and not the head
tried to chain me to the floor
took the handle from the door
won't you look me in the eye
start by admitting now
something isn't right
something isn't right
look me in the eye
tell me something isn't right in here
no that something isn't right
not right
i won't pander to it all
join an army not a school
fit the handle to the door
something isn't right
look me in the eye
tell me something isn't right in here
no that something isn't right
cover up, when expose you ought to
wise up to the things they taught ya
cover up: its an allied slaughter
pucker up: it's a friendly torture
i won't follow you in to the night
i won't use your torch for a light
chop down trees just to set them alight
i won't follow your scent in the night
there must be something wrong
i don't feel love
there must be something wrong in here
i don't feel love do ya?
there must be something wrong
i don't fell love
because i ain't felt like this
i don't feel love
felt like this before
do ya
there must be something wrong
i don't feel love
something isn't right
there must be something wroing
something isn't right
i don't feel love
because i ain't felt like this
i don't feel love
felt like this before
ddddddo you think?
what d.d.d.do you think?
do you remember?
something isn't right
there must be something wrong
because i ain't felt like this
felt like this before
do ya
there must be something wrong
ddddddo you think?
what d.d.d.do you think?
do you remember?
do you deny all the goodness in everything?
can you describe all the wonder in me?
and if the details are too much to comprehend
an email's there on your laptop to see
i'm all over this world
im all over this
i'm all over this world
i'll over this
come on to me
try and take me down
i'm all over this, i'm all over this
(aqui fica a letra da praxe, mesmo sabendo que ninguém a lê- ficam a saber que eu sou adepta do homemade karaoke)
i don't buy the thing you said
you hit the nail and not the head
tried to chain me to the floor
took the handle from the door
won't you look me in the eye
start by admitting now
something isn't right
something isn't right
look me in the eye
tell me something isn't right in here
no that something isn't right
not right
i won't pander to it all
join an army not a school
fit the handle to the door
something isn't right
look me in the eye
tell me something isn't right in here
no that something isn't right
cover up, when expose you ought to
wise up to the things they taught ya
cover up: its an allied slaughter
pucker up: it's a friendly torture
i won't follow you in to the night
i won't use your torch for a light
chop down trees just to set them alight
i won't follow your scent in the night
there must be something wrong
i don't feel love
there must be something wrong in here
i don't feel love do ya?
there must be something wrong
i don't fell love
because i ain't felt like this
i don't feel love
felt like this before
do ya
there must be something wrong
i don't feel love
something isn't right
there must be something wroing
something isn't right
i don't feel love
because i ain't felt like this
i don't feel love
felt like this before
ddddddo you think?
what d.d.d.do you think?
do you remember?
something isn't right
there must be something wrong
because i ain't felt like this
felt like this before
do ya
there must be something wrong
ddddddo you think?
what d.d.d.do you think?
do you remember?
do you deny all the goodness in everything?
can you describe all the wonder in me?
and if the details are too much to comprehend
an email's there on your laptop to see
i'm all over this world
im all over this
i'm all over this world
i'll over this
come on to me
try and take me down
i'm all over this, i'm all over this
(aqui fica a letra da praxe, mesmo sabendo que ninguém a lê- ficam a saber que eu sou adepta do homemade karaoke)
É impressão minha...
Ou Lisboa está-se mesmo a tornar uma praia onde a Cesária canta "É doce morrer no mar, nas ondas verdes do mar" e o corpo deixa-se levar pela ondulação, os pés pisam a areia fina sem deixar pegadas e a brisa que corre refresca sem arrepiar?
Curta-metragem
Saíu do autocarro duas paragens antes de sua casa, apetecia-lhe andar um bocado a pé, pensar na vida talvez (como se ultimamente conseguisse fazer outra coisa).
Decidida a apagar a imagem do estranho que conhecera uns dias antes, pensando "isto é uma grande estupidez", e de cada vez que o pensava os seus passos ganhavam mais velocidade como se de facto essa fosse a decisão mais acertada. Perante o trânsito e o seu andar ritmado, quase que acompanhava o autocarro no regresso a casa, e sorria por dentro e por fora, pensando, claro, que tinha controlo sobre si própria e sobre o que sentia.
Pensava na palavra paz dita de várias maneiras e em várias línguas, e noutras como viajar, sorrir, mar, vento, simples, todas elas soletradas pelas pedras da calçada para entretê-la durante a caminhada.
Quando chegou a casa, determinada em apagar aquele contacto do messenger, ligou o computador e leu "constroe tu stencillo!" - o seu braço paralisou. Lembrou-se de uma palavra dita pela pedra da calçada "sencillo" e também de como tinha vindo até casa a pensar que chegara a Primavera e com ela a hora de simplificar.
Por isso não apagou o contacto, antes pelo contrário, passou o serão a imaginar a melhor abordagem. E foi mesmo isso que lhe disse
Estava a pensar na melhor maneira de te dizer isto
apostada em causar uma boa segunda impressão.
Decidida a apagar a imagem do estranho que conhecera uns dias antes, pensando "isto é uma grande estupidez", e de cada vez que o pensava os seus passos ganhavam mais velocidade como se de facto essa fosse a decisão mais acertada. Perante o trânsito e o seu andar ritmado, quase que acompanhava o autocarro no regresso a casa, e sorria por dentro e por fora, pensando, claro, que tinha controlo sobre si própria e sobre o que sentia.
Pensava na palavra paz dita de várias maneiras e em várias línguas, e noutras como viajar, sorrir, mar, vento, simples, todas elas soletradas pelas pedras da calçada para entretê-la durante a caminhada.
Quando chegou a casa, determinada em apagar aquele contacto do messenger, ligou o computador e leu "constroe tu stencillo!" - o seu braço paralisou. Lembrou-se de uma palavra dita pela pedra da calçada "sencillo" e também de como tinha vindo até casa a pensar que chegara a Primavera e com ela a hora de simplificar.
Por isso não apagou o contacto, antes pelo contrário, passou o serão a imaginar a melhor abordagem. E foi mesmo isso que lhe disse
Estava a pensar na melhor maneira de te dizer isto
apostada em causar uma boa segunda impressão.
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