27.9.06

O efeito de um concerto



Porque se antes gostava da banda, depois passei a adorar.

Liars @ Clube Lua, Lisboa 26.09.06

25.9.06

QUERO UM CÃO.

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Esta é a Becas, que está na Madeira e é a coisa mai'linda. Tenho saudades dela. Quero um cão, a sério. Dêem-me um cão.

Um agradecimento por uma noite bem passada

E um beijinho cheio de coragem à Rita (com a promessa da visita a Boston logo que os astros se alinhem nesse sentido).



Tchakare Kanyembe + Rita Martins @ Andanças 2006

23.9.06

Autumn or Fall

Dias assim, em que o vento despe o bronzeado do Verão, deixando-o tombar sobre as folhas que repousam no chão.

Passados que estão os dias de cabeça vazia e tronco nu, há despedidas para fazer(porque o Outono é também tempo de refazer e de partir) e há abraços obrigatoriamente apertados e sentidos.

Someone staying and someone gone

A mente fixa numa só coisa, num só instante, como se não conseguisse avançar nem retroceder, como se antes disso nada tivesse acontecido, como se naquele momento se tivesse nascido. Nascer para morrer, como um fruto que não é colhido. Pensar que nada é desnecessário ou supérfluo: porque tal como um fruto que quando apodrece lança à terra sementes que gerarão novas vidas, também no amor nada se destrói e tudo é reaproveitado e regenerado. Mesmo quando tudo acaba, quando tudo parece morrer - ou quando nos matam, devagar - há sempre um novo nós que ressurge por entre a polpa ácida e perfumada de um fruto maduro. Nós próprios, talvez mais ácidos, mais perfumados, sem dúvida mais maduros.

Is it bad that you're good for me,
did I love you just randomly?


Vejo uma estação de comboios, uma gare de autocarros, um aeroporto. Pessoas que partem ou regressam, como o Outono, todos os anos.

*dEUS "Serpentine"

22.9.06

Sentir? (ou a minha relação com a arte contemporânea)

Mostram-nos bocados de arte e dizem-nos:

Sente.

Imagens retorcidas, traços que unem pontos e perspectivas, homens esculpidos de mármore, de filamentos metálicos, de cabos de electricidade, de barro, homens de cera iguais a ti mas opacos e maciços.

Mostram-nos essas coisas e dizem-nos:

Sente.

Como se sentir fosse uma ordem ou desculpa.

Olhar - ou ver- fragmentos de vidro espalhados num soalho de madeira. Sentir? Ver, no mínimo. Explicarem-nos qualquer coisa, estragarem sempre tudo com explicações baratas.

Não perceberem que quanto mais se justificam, quanto mais nos pedem desculpa, menos mérito lhes damos.

Sentir? Absolutamente. Se nos der gozo. Sempre que nos der gozo. Enquanto nos der gozo.

Porque existirem obras de arte que não nos dizem nada não é novidade nem é fruto da arte contemporânea - e entender porquê é que cada obra nos faz um arrepio vai para além de qualquer reflexão.

(Como a cor de um batôm ou a forma das nuvens, nem todas nos fazem desviar o olhar pela segunda vez.)

Olhar para a criatividade (para alguns só se chama criatividade porque eles se consideram criadores), ver intervenções e instalações e pensar que "um enxame de mosquitos fazia melhor trabalho numa noite em que dormisse destapada do que estes gajos numa sala de 300 metros quadrados".

Ou ver cada coisa no seu lugar

o quadro no chão, a escultura no tecto, a instalação em nossa casa

e achar que se pertence ali, que se está em cada objecto, porque sabemos que viver num mundo como este e em tempos como estes, é também, por si só, uma forma de arte.

21.9.06

I.

Há um lustre cheio de brilhos presunçosos suspenso ao centro da sala. Há sofás de veludo cor-de-sangue, a maior parte deles com marcas do tempo, outros clientes, outras seduções. Ao canto, um piano, empoeirado. Mas as colunas debitam canções e há funk e jazz e outras coisas que não percebe bem.

Ela dança e pensa

Dança comigo a primeira valsa da Primavera. Dança sem sonhos, esquece as promessas, ninguém nos espera

Notas soltas de piano que a abraçam, que sozinhas enchem a sala quente, despovoada como um cabaret abandonado. Não há janelas para a rua, ali ninguém os vê e ela dança. Desenha sonhos como bolhas de sabão que os envolvem,, alienando-os das conversas, dos degraus, dos espelhos. O único sítio onde se reflectem é nos olhos um do outro: olhares que se cruzam para logo se afastarem, cheios de timidez delicodoce.

Olhares que suspiram, embriagados

Com um pouco de sexo ou muita poesia ainda nos vamos casar.

*Quinteto Tati "Valsa Quase Antidepressiva"

16.9.06

Uma canção e um adeus ou até logo

E não é uma canção qualquer; é a única que hoje faz sentido.

Fiona Apple |I Know

So be it, I'm your crowbar
If that's what I am so far
Until you get out of this mess

And I will pretend
That I don't know of your sins
Until you are ready to confess
But all the time, all the time
I know, I know

And you can use my skin
To bury secrets in
And I will settle you down

And at my own suggestion
I will ask no questions
While I do my thing in the background
But all the time, all the time
I know, I know

Baby
I can't help you out
While she's still around

So for the time being
I'm being patient
And amidst the bitterness
If you'll just consider this
Even if it don't make sense
All the time, give it time

And when the crowd becomes your burden
And you've early closed your curtains
I'll wait by the backstage door

While you try to find
The lines to speak your mind
And pry it open, hoping for an encore
And if it gets too late
For me to wait
For you to find you love me, and tell me so
It's ok, don't need to say it.



E então adeus ou até logo.

"Desculpa, mas não sou capaz."

E eis que através do post anterior este blogue tornou-se profético. Posto isto, deixo aqui a frase "um dia estarei um bocadinho menos triste" a ver se também isto se torna realidade.

9.9.06

É o regresso ansiado das...
Frases que se ditas com frequência poderiam evitar muitos problemas IV

"Desculpa, mas não sou capaz."

6.9.06

Moleskine

Escrever com as palavras dos outros, juntar letras para usar expressões e frases dos outros.

Escrever com as tuas palavras. Escrever - sem saber bem o quê- contigo nos meus dedos, tu preenchendo cada espaço em branco.

Tu preenchendo cada espaço vazio em mim.

Desligar a televisão porque ela não me traz notícias tuas. Fechar os jornais - ou nem os abrir. Não chegar sequer a sintonizar o rádio.

Esperar. Esperar, sempre. Depois achar que isto não é estar à espera. Voltar a esperar na expectativa que não pode correr bem.

Atitudes pró-activas que moem mas não matam.

E o tempo que não passa. E os dias que finalmente se esgotam, um atrás do outro.

Luares que se repetem, sendo cada dia novos no seu esplendor marinho. Brilhos de prata que se acusam (e como os invejo!) por te verem, por saberem onde estás na tua frieza árctica, por te espiarem, por te embalarem ao entrarem pela tua janela quando dormes.

Silêncios prescrutadores (o mar sempre ao fundo, enquanto as ondas arrastam calhaus pela praia na maré baixa) em que surges sempre tão perto como se o teu sorriso viesse calar o vento ou os grilos, como se as tuas mãos fossem agarrar as minhas num abraço apertado (e a tonta da lua que tudo testemunha), como se cada conversa tivesse a sorte de ter-te como seu interveniente.

Não saber o que dizer de forma a acabar este post, sabendo, bom, tendo a certeza, que a melhor forma de acabar este Verão seria ter-te aqui.

28.8.06

You can never replace anyone because everyone is made up of such beautiful specific details.
Isn't everything we do in life a way to be loved a little more?

15.8.06

Durante o concerto de Morrissey

O Morrissey está a tocar em Paredes de Coura. Está em Portugal. Eu estou em casa, na Madeira, a ouvir o concerto através da emissão on-line da Antena 3.

Parece que estou mesmo a ouvir-me

"MOZ MAKE ME A BABY", que é a frase que grito nos concertos de rock quando sei que ninguém está a ouvir-me (e que só não gritei ao Hooke dos New Order porque

1- não quero ter um filho com ele;
2- estava na primeira fila, ou quase, e ele ainda ouvia e levava-me a sério.)

Está calor. Em Paredes de Coura chove, também chove na "Life is a Pig Sty" do Ringleader of the Tormentors, e ouvem-se trovões enquanto ele se lamenta.

(Tal como eu me lamento. Tal como, tantas vezes, chove dentro de mim.)

É isso, o lamento quase fado do Morrissey que me abraça e me consola.

Ouvir Smiths e, por conseguinte, Morrissey é cada vez mais viajar no tempo, porque isto de ouvir música, e gostar de o fazer, obriga a estar atento ao novo

E este homem não vai propriamente para novo, já o sabemos.

o que empurra as coisas demasiado ouvidas para o fim da prateleira dos discos.

Comecei a ouvir Smiths e Morrissey tarde. Estupidamente tarde.

Lembro-me de chegar a casa de uma amigo e estar a dar Smiths a decibéis pouco recomendáveis e de ter gostado desde então.

Valeram-me os álbuns em promoção na fnhéque

- lembro-me de uma tarde no primeiro ano em que comprei, assim de seguida, três álbuns dos Smiths:

::The Queen is Dead
::The Smiths
::Strangeways, here we come -

e valeu-me este ouvido e este coração, que quase imediatamente elevaram os Smiths a banda preferida de sempre.

(Claro que agora sei que isso é uma hipérbole, mas não deixa de saber bem dizê-lo.)

Tendo esta voz que mais ninguém tem, Morrissey esgrima por entre letras muitíssimo bem conseguidas,

não, não é o maior poeta de sempre mas escreveu dos versos mais bonitos que já tive o prazer de ouvir e ler

onde deliberadamente nos mostra a realidade em tons de sarcasmo e ternura, em que raramente queremos acreditar,

I know it's over still I cling, I don't know where else I can go

e um som que desliza entre o bate-o-pé-e-dança-e-canta-comigo e o senta-te-no-puff-e-pensa-na-vida.

E foi assim que fui enfrentando e convivendo com e a cada instante e aprendendo a amar e a seduzir, a afastar-se e sofrer, a criticar o mundo com um dedo espetado, a sair à noite e a apanhar bebedeiras só de imperial; como se gostar de Smiths tivesse ensinado a viver - e ensinou.

Por isso hoje, oiço este concerto com o coração pequenino a bater depressa, porque sou outra Joana desde o dia em que os ouvi pela primeira vez,

já fui até várias Joanas desde então

mas o Morrissey nunca deixou de ser um dos meus melhores amigos.

[hmhm]

Pensava que tinha de encontrar-te, mas enganei-me, primeiro tive que encontrar-me a mim.

3.8.06

Days like this

EM QUE ME APETECE MANDAR TUDO P'O C*R*LH*.

Pardon my french.

Só mais um (e este vale MUITO a pena)



Fiona Apple "Paper Bag"

I was staring at the sky
Just looking for a star
To pray on, or wish on
Or something like that

I was having a sweet fix
Of a daydream of a boy
Whose reality I knew
Was a hopeless to be had

But then the dove of hope began its downward slope
And I believed for a moment that my chances were
Approaching to be grabbed
But as it came down near, so did a weary tear
I thought it was a bird, but it was just a paper bag

Hunger hurts, and I want him so bad, oh it kills
'Cause I know I'm a mess he don't wanna clean up
I got to fold 'cause these hands are too shaky to hold
Hunger hurts, but starving works, when it costs too much to love

And I went crazy again today, looking for a strand to climb
Looking for a little hope
Baby said he couldn't stay, wouldn't put his lips to mine,
And a fail to kiss is a fail to cope

I said, "Honey, I don't feel so good, don't feel justified
Come on put a little love here in my void"
He said, "It's all in your head"
And I said, "So's everything'" but he didn't get it
I thought he was a man but he was just a little boy

Hunger hurts, and I want him so bad, oh it kills
'Cause I know I'm a mess he don't wanna clean up
I got to fold écause these hands are too shaky to hold
Hunger hurts, but starving works, when it costs too much to love

Sim, estou viciada no tutubo



The Dears "The death of all romance"

2.8.06

Prazeres

A piscina da Angela em pleno Lumiar.

Prazeres

Carte d'Or Mania for Coffee directamente da embalagem com uma colher de sopa enquanto os olhos fechados deixam o corpo balançar ao som de Simentera.