22.10.08

Desalinhamentos de planetas.

Eu tenho para mim que há quem passe por aqui e leve demasiado a peito aquilo que escrevo. São só palavras, a sério que são.

A culpa também é minha, sou uma incomodada: estranho o silêncio tanto quanto o barulho. Deixei de aceitar a normalidade (talvez porque, da falta de hábito, já não a reconheça).

Depois consulto o horóscopo da Elle, o único que acerta sempre apesar de eu não acreditar nessas coisas, visto que desisti de pensar em justificações plausíveis (não há nada que justifique nada disto, honestamente), então para nutrir o espírito acredito que nos surgiu a todos algo em que nunca pensáramos e que nos agrada em todos os sentidos ou que o fluir dos acontecimentos está a nosso favor, embora sempre nos tenhamos sentado no banco de trás, sem dar nas vistas.

(É que eu queria perceber, mas agora não tenho tempo.)

Nao há lógica possível em nada que me circunscreva ou me circunde. Aqui e acolá, a própria astrologia parece-me uma ciência exacta.

Bem mais exacta do que o amor, parece-me evidente.

Não é uma mulher de meio-termo: ou ama ou odeia. Detesta sentimentos mornos.

11.10.08

MARGARIDA REBELO PINTO!

Devolve-me já a minha pass.

10.10.08

Mente.

Kotama Boubane

Porque as palavras são como o gelo, derretem e desaparecem. Efémeras, interessa saber o seu efeito quando proferidas, uma por uma, alinhadas como tiros de morteiro.

(Se me disseres a verdade, só vou reter nos sonhos a que gosto de chamar memória as palavras que não me magoam. Vou jurar a pés juntos

Mas foi o que tu disseste!

porque eu faço das minhas vontades ocorrências. Não é negação.)

6.10.08

Despenso-te.

Sou uma velha carapaça que escreve madrugada a fora, quando até a noite dorme refugiada no seu próprio sossego. Trevas para mim são trevas, são horas de lidar com incongruências, com espíritos, com comicotragédias mal resolvidas.

Como um terrorista experiente, tento esquecer-te usando os truques já usados - a colocação estratégica de explosivos nos pontos vitais da estrutura do edifício. A sustentação está, por si, frágil, se pensarmos que são as coisas que nos unem (um rol de coisas, que não me canso de enumerar para mim mesma) versus as que nos separam (um mar de distância, até literalmente) que a aguentam. Tento minar-nos por dentro, desprovendo-nos de finalidade, de sentido.

(O Mexia também teve o telemóvel avariado. Ficou sem mensagens. Já o problema do meu é articular, quando voltar, terá todas as mensagens alinhadas, azar o meu.)

Eu tento esquecer-te até pensar em ti. Depois apercebo-me, espera, estou a pensar em ti de novo, deixa-me despensar, e despenso - porque não pensar em ti é diferente de esquecer-te, então inventei uma palavra nova.

Tal como demorou eternidades para gostar de ti, agora custa-me horrores a deixar-te. Now isn't it funny. Tem tudo a ver: tornei-me resistente a encantos e imunizei-me contra desencantos, nem um nem outro me afectam sobremaneira.

De maneira que, bem vistas as coisas, enganei-me redondamente quando achei que toda eu fosse dispensar-te ao despensar-te. Quis esquecer-te, quando, na verdade, acabei por ter saudades de pensar em ti.

Enfim.

Bóias de salvação

Imagino-me no dia 21 de Novembro a ligar o computador, a fazer- pela última vez - "Mark all as read" no GReader (depois de ler alguns blogs seleccionados e as cenas partilhadas pelos amigos) e a abrir, placidamente, o Fórum Sons (fui lá hoje, já não ia lá há coisa de um mês), o blogger.

Recapitular o que isto tem sido (ainda). E escrever - com mais calma do que hoje - que há música que salva a vida exactamente quando se precisa, cada uma à sua maneira.

O Meddle dos Pink Floyd, uma compilação da Janis Joplin, o Chet Baker, Inspiração e Ilha Azul do Bau, Department of Eagles, The Octopus Project, Buraka SS, Flying Lotus. E tanta, tanta coisa de que já fui falando por aqui.

O meu irmão olhou para os meus discos e disse "Di'co!". Prevejo-lhe um grande futuro.

Sex on fire.

Estou só de passagem para deixar registado que gosto muito, mesmo muito, do single novo dos Kings of Leon. O álbum tem coisas boas, assim-assim e más. Este single esfomeado, turn-on feito rock glamoroso, não está em mais faixa nenhuma.

Entendam isso como quiserem.

29.9.08

Uma das coisas que mais gostava na vida, hoje em dia.

Ser socialite. Dondoca. Acordar às 10 da manhã e ir para o spa.

Não fazer ideia do que é, sequer, o Harrisson, ou aquilo que representa.

"Harrisson? É primo do Harry?", coisas assim.

Não que o meu nível de conhecimento, depois de tanto tempo a estudar, esteja longe de saber o que é o Harrisson e pouco mais.

19.9.08

Todos os dias precisam de um bocadinho de perfeição.



Silver Jews :: Trains across the sea, do Starlite Walker, 1994



Fleet Foxes :: Mykonos
,do Sun Giant EP, 2008

E agora vou ali estudar, adeusinho.

18.9.08

Funchal.

De longe parece que a cidade cresceu como longos dedos que agarram a serra pelo seu ónus, e nela cravou as unhas para não deixar partir. O casario deixou-se amontoar em ângulos agudos, fronteiras aguçadas de troncos e folhas, à distância massas indistintas de vários verdes. Desconheço se se tratam de limites determinados, se a serra é, por ali, de tal forma cerrada e ausente que não permite ulterior intrusão. Desconfio que sim.

De resto, escorregou montanha abaixo, desdobrada em estradas, becos e travessas, igrejas e bancos de jardim, parques e canteiros, contorcida em calçadas, levadas e ribeiras, para desaguar nas praias de calhau e neste mar tão ameno de tão só nosso.

Minto: é que, na verdade, cresceu ao contrário, empurrada pelas ondas, força motriz em séculos de coragem e trabalho.

16.9.08

Bloco de Cardio.

Vejo-me mas não me vejo a mim. Não me reconheço nas características que me definem.

(Como uma pintura a óleo onde se acertasse o verde dos olhos mas se falhasse o tom pardacento correcto. Onde se omitissem os sulcos do sorriso embora o contorno dos lábios estivesse sido precisamente decalcado. Um rosto harmoniosamente composto onde faltasse serenidade. Uma obra incompleta.)

Não sou bem eu, acima do chão, tentando não pensar, tentando não ser demasiado. Não agora, não posso, não tenho tempo. Assumo que por vezes surpreendo-me a mim própria, a persistência teimosa, alguma coragem.

Sobrevida no primeiro ano de 83%, no terceiro de 76%. Fizeram-me um transplante cardíaco e ando a rejeitar o enxerto. Preciso de braços, de beijos, de mais surpresas, não desta bradicardia reinante. Que angústia!

Adio as taquiarritmias.

(Literalmente - o capítulo é assustador - e não só - este coração frio não é meu, pu-lo enquanto para me poder concentrar num objectivo maior. )

28.8.08

Dois anos.

Já oiço esta canção há dois anos e sempre a cantei da mesma forma, o primeiro verso

I've looked everywhere, Mr. Forbes

algures lá para meio

I looked in my chest, where I thought it would be

e o fim, dramático, arrepiante

Oh why can't I think what I did with that old skill and die
You can't possibly go without that

You can't possibly go without love.

Isto não interessa nem a um macaquinho coxo, mas a malta do Songmeanings não acha que caiba lá este love (hoje fui lá por causa das letras novas). Pois para mim faz todo, todo o sentido. Todo no mundo.

(E para além do mais, apesar da voz se tornar quase surda no final do verso, ouve-se perfeitamente o soletrar de um L no início da palavra. Perfeitamente.)

Grizzly Bear :: Marla, Yellow House

26.8.08

It's OK.

Primeiro pensava que ele tinha gasto o seu tempo a escrever uma canção com a única e exclusiva finalidade de ser mentiroso. Não gosto de quando me mentem propositadamente, me encostam a testa no seu ombro e sussurram "está tudo bem" ou "tudo acabará bem", quando eu sei perfeitamente - sem precisar de grandes visões do futuro - que não há grandes hipóteses de as coisas ficarem bem tendo-se entrado neste caminho sujo e sujeito a atalhos pouco misericordiosos.

Mas a canção continua, e quando acaba, apetece-me ouvi-la outra vez, e a tensão que até continua baixa, apesar de praticamente estar a comer uma colher de sal por dia- por entre sopas, pregos, sandes de polvo e coisas que tais. A sensação de que ele está a mentir vai-se dissolvendo, vejo-me obrigada a pensar na quantidade enorme de coisas boas que já permiti a outras pessoas e que outros já me permitiram. Não posso ser má pessoa assim, não eu, que escolhi a minha profissão de acordo com o bem que iria fazer aos outros, não eu.

Talvez seja eu quem me mente, e não o Vic Chesnutt. Ou então eu estou certa quando penso que aquilo que penso de mim é mais correcto, mais próximo da verdade. Afinal, com quem mais falo eu na vida? Comigo, com os meus raros botões - no Inverno, nos casacos de malha, no Verão são como amigos imaginários, não estão ali, mas é como estivessem, que eu também nunca nunca esperei uma resposta deles.

Nunca espero respostas de ninguém, agora que penso nisso. E muitas vezes eu própria não respondo quando deveria. Queres ver, rapariga, que é esse o teu erro? Quase que consigo acreditar que o meu mal foi não querer magoar os outros e por isso guardei dentro de mim os mapas, os atalhos, as saídas secretas. Olha que estupidez, que absurdo, querer-se estar no seu canto e subitamente ter-se imiscuído no canto dos outros. Mas porque é que eu não estou quieta?

Agora ando aqui, sistólica de 8 nos piores dias, nos melhores nem sei, nem interessa, interessa-me estudar, inscrever-me na Ordem, despachar este exame, não tenho grande tempo para medir nada, para saber nada senão os cinco blocos do Harrisson.

"It's OK
in moderation
It's OK
cutting down
It's OK
you can quit tomorrow
but for now
keep on keeping on.

You are never alone."

É adiar a vida para Novembro, mas que me interessa, se disso depende o resto da vida?

"It's OK
you can be forgiven
but for now
keep on keeping on.

You are never alone."

Vic Chesnutt :: You are never alone (zshare incluído, com um click sobre o nome)

Um gajo não ia gastar tempo numa mentira desta maneira, faz-me bem acreditar nisto, sobe-me a tensão e tudo.

P.S. Ora telegramas, ora confissões arraçadas de egocentrismo, peço desculpa mas até Novembro o blog também está assim a puxar para o adiado, assim como quem adia pensar muito nos assuntos, sejam eles quais forem.

21.8.08

"For she held me

Not too tight for she would break me

Not too loose for I would slip away"

O disco deste ano dos Tindersticks é apneico de tão fabuloso*.

*Do inglês breathtaking. Que é o que o disco é.

16.8.08

A million waste.


A milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli quando e se algum dia morrer, quero
a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli que seja o WALL.E
a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a vasculhar o lixo que se acumula durante uma vida inteira
a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a compactar aquele que não serve para nada
a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli e que já é tanto, aos 23,
a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a guardar, naquela estante rotativa, o lixo que não é bem lixo
a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli e a ouvir as minhas canções, daquela maneira, a ouvi-las e a dar a mão ao som delas.

Não me perguntem porque é que decidi juntar o WALL.E ao Lil'Wayne, há coisas que só Harrison explica.

14.8.08

"Pai, qual é a tua banda preferida?"

O meu pai responde sempre o mesmo. Hesita muito - os olhos quase se lhe marejaram de lágrimas quando soube da reunião esgotadíssima dos Led Zeppelin em Londres, foi de propósito a essa mesma cidade há mais de vinte anos ver os Pink Floyd e, com o mesmo propósito, a Lisboa quase dez anos depois, e sabe, das duas bandas, diversos discos de cor e salteado - mas acaba por responder sempre o mesmo.

"Beatles.", assim sem o The, como quem chama o canalizador pelo sobrenome sem lhe juntar o epíteto mestre.

Uma vez, perante o meu espanto (na primeira vez que lhe fiz esta pergunta, num dia em que comprei vários discos de Radiohead e queria acabar aquela conversa com um categórico - e gramaticalmente confuso - "A minha banda preferida são os Radiohead."), ele acrescentou:

"São a banda mais completa que alguma vez existiu, lembra-te que era a década de 60. Souberam fazer de tudo, chegar a imensa gente, inspirar-se em tudo o que conheceram. Uma vez que os queiras realmente conhecer - aos álbuns, não àquelas canções que toda a gente trauteia, ficas de tal maneira pendurada naquilo que não queres outra coisa. E mesmo aquelas canções, pop, acessíveis, são do melhor que já foi feito na História. Muito do que conheces não existia se não fosse por eles."

O discurso pode não ter sido ipsis verbis este, eu sou uma exagerada. Mas acho que chegou a hora de perceber porque é que o meu pai responde sempre o mesmo. Hoje estive a ouvir o Abbey Road, o primeiro que me calhou às mãos, quando fui ao B da tal estante. E depois peguei no Revolver.

Estou assombrada. A s s o m b r a d a. Não tenho grandes palavras senão expressar a minha gigantesca ignorância por nunca os ter ouvido como agora.



Love you to* :: The Beatles :: Revolver

Each day just goes so fast,
I turn around, it's past,
You don't get time to hang a sign on me.
Love me while you can,
Before I'm a dead old man.
A life-time is so short,
A new one can't be bought,
But what you've got means such a lot to me.
Make love all day long,
Make love singing songs.
Make love all day long,
Make love singing songs.
There's people standing round,
Who'll screw you in the ground,
They'll fill you in with their sins,
You'll see.
I'll make love to you,
If you want me to.

*Um exemplozito de genialidade. Que nunca ninguém, nem no 3º milénio nem nunca, os esqueça.

11.8.08

New Bjork



X diz:
agora no teu blog
X diz:
adicionas um capítulo
X diz:
à cena New Bjork
X diz:
http://www.vmagazine.com/cms/files/0807lollaYYY1.jpg
Joni. diz:
:D
Joni. diz:
lovefoxx + bjork + karen o = wacky

10.8.08

Product placement.

Se isto fosse um blog a sério, teria acabado o último post com "passe a publicidade". "Fenistil, passe a publicidade".

Donde se depreende: isto não é um blog a sério. Mas se os senhores da Fenistil quiserem dar dinheiro pelo product placement, o mail para contactos está no canto superior direito (de quem olha para o monitor, esquerdo se estiverem atrás do monitor ou forem o monitor vocês mesmos).

Posso juntar-lhe a marca do repelente também, que o tempo é de crise.

Uma verdade inconveniente.

Aborda-se novamente o aquecimento global neste blog sem pretensões de falsos moralismos - desde que cada um faça o que lhe for possível, não estaremos mal de todo. O problema são os mosquitos.

Os mosquitos estão a subir de latitude. Encontraram na humidade da Madeira o conforto que a extremização de temperaturas nos trópicos não oferece. Temos por aqui a espécie de mosquitos que é vector de transmissão da dengue, para dar um exemplo (não infectam ninguém com dengue porque não há cá a doença, mas imagine-se que fulano vai ao Brasil e fica infectado, se na Madeira é picado pelo mosquito, esse mosquito passa a poder infectar outras pessoas através da sua picada). A situação não é de alarme, de todo.

A inconveniência é que os madeirenses que cá residem dessensibilizaram as picadas destes idiotas (já não fazem grandes reacções alérgicas). Eu não. Eu vivo em Lisboa. Eu sou picada e fico com grandes galos e com uma comichão tal que parece que tenho varicela.

Isto está de tal maneira que, quando fico em casa, para estudar, tomo banho de repelente de insectos. Na minha própria casa. Repelente. Comichão, se não o fizer.

Agora vão lá dizer ao Al Gore que ele é mentiroso e alarmista, vão. Mas levem Fenistil.

Pede-se educadamente ao subconsciente que vá ver se estou na esquina.

Ando a ter os sonhos mais esquisitos de sempre.

Só na última semana, já vi os Simpsons 2 (foi bestial, o filme, espero que na vida real também o seja), já fui visitar a minha sogra ao hospital - estava com uma pneumonia (a propósito, que sogra era aquela?, loura, de cabelo liso, pelos ombros), esta noite acampei com uma tribo africana (juro), há dias vi um concerto de Grizzly Bear numa sala parecida com a Aula Magna mas ao ar livre.

Não sei o que pensar disto; mas aposto que Freud teria uma boa explicação.