O ano passado, entre o dia 17 e o dia 18 de Novembro, eu estava no backstage da sala Apollo, em Barcelona. Com os National, a cumprimentá-los, a trocar mails, a beber vinho branco e cerveja a dizer "my birthday's in five minutes or so, coming here was a birthday gift from my parents" e eles, à meia-noite "happy birthday" (eles não, os gémeos, enquanto autografam a meia dúzia de singles que comprei como se fossem pãezinhos, "este para o Dário!", "este para mim!", este para o Mário!", etc.).
Depois disso, atravessámos a rua e fomos bater a um barzinho apertado, com uma dijéia que passou a Have love will travel dos Sonics, que eu tinha passado o dia a cantar pelas Ramblas. E, ainda mais tarde, eu e a Tânia passámos um frio de rachar na fila do Razz para ver um set do Diplo, que acabou perto das seis e meia com a Paper Planes da M.I.A..
Acordei às onze com telefonemas da família e descubro que:
1) Na cama do hostel não tenho rede;
2) Estou completamente afónica e ninguém me ouve.
Fomos passear pelo Bairro Gótico e Born, à procura de um sítio qualquer para tomar o pequeno almoço (e de uma farmácia, onde comprei o equivalente catalão à Mebocaína), passámos pelo Jardim Botânico, por uma praça enorme onde estava gente de todas as idades a dançar aos pares dança de salão, atravessámos a Avenida Diágonal e, quando demos por nós, estávamos no Passeig de Grácia, à frente da Casa Battló, que tivemos de visitar apesar de não podermos entrar na parte do apartamento.
Depois cantámo-nos os parabéns com um donut da Dunkin' e café e sumo de laranja para a voz melhorar. Encontrámo-nos todos perto da praça Orwell, jantámos num restaurante de inspiração africana e eles foram ver Gogol Bordello.
Eu atravessei as Ramblas sozinha e entrei no Metro para ir até à Gràcia (ou Eixample?), onde me encontrei com o André, o meu primeiro amigo emigrante, e a Isabel, para cerveja num bar cubano, no bairro deles. A caminho do bar, aparentemente, passamos numa rua chamada Ramón y Cajal, o mais importante neurofisiologista do mundo (foi quem descreveu pela primeira vez o neurónio como célula básica do sistema nervoso, e era Espanhol, como o nome indica).
Este ano, exactamente no mesmo dia, vou estar a estudar, com vontade de matar alguém.
Karma karma karma karma karma chameleoooon.