30.7.06
Raciocínio (pouco) lógico
Hemorragia, dor, solidão, calor, sol, música, Sines, praia, amizades, lágrimas, nó na garganta, saudades, desilusão, tempo, exames, Lisboa, acasos, coincidências, projectos, frustrações, encontros, desencontros, mudanças, viagens, madrugadas, aurora (não boreal), sorrisos, mãos dadas, conversas, temperos, cerveja, sapatilhas (ou ténis?), vestidos, Havaianas, Tejo, dança, beijos, timidez, frigorífico, palavras, canções, mensagens, fotografias, desejo, prazer, melancolia.
Summer tunes V
Jamie Lidell "Multiply" (A merecida recuperação porque o Verão é também sensualidade, sedução e menear de ancas.)
Such a twat
"Why did I have to go and do a stupid thing like that
Coz yeah it felt like we were through though
But I could've ruined it,
I’m such a twat."
Coz yeah it felt like we were through though
But I could've ruined it,
I’m such a twat."
29.7.06
Save as draft?
Ouvir a tua voz depois de todos estes anos e ela ter a mesma doçura enquanto me convidas para um café. Encontrar-te agora (hoje!) e estares na mesma.
O teu sorriso aberto por me ver, "Ao tempo!", abraçarmos-nos como nunca, conversarmos como se apenas ontem não nos tivéssemos visto, como se este tempo em branco tivesse apenas durado aqueles dias que duram anos quando se está apaixonado.
Eu com a esperança que sejas tu, eu com a certeza que ainda és tu quem me completa, eu julgando que quando nos víssemos acabariam os receios e as perguntas.
Eu concentrada em ti enquanto te olho nos olhos para perceber se também gostas, se também queres, se também sentes.
Tu a afastares-te suavemente dos meus braços, a dar um passo ao lado
[e eu com a cabeça - e o coração - num beijo]
a apontares para uma mulher com um carrinho de bebé.
Os meus braços como pêndulos alinhados, a consciência que é um túnel em espiral por onde entro, primeiro a cabeça, depois o tronco, só então as pernas, o corpo ganhando o peso de elefantes para depois ficar leve como uma pluma, uma cegueira breve, os ouvidos que - por mais que me esforce- ainda te ouvem
"Aquela é a minha mulher e o meu filho."
[Nota para mim mesma: texto obviamente a precisar de polimento.]
O teu sorriso aberto por me ver, "Ao tempo!", abraçarmos-nos como nunca, conversarmos como se apenas ontem não nos tivéssemos visto, como se este tempo em branco tivesse apenas durado aqueles dias que duram anos quando se está apaixonado.
Eu com a esperança que sejas tu, eu com a certeza que ainda és tu quem me completa, eu julgando que quando nos víssemos acabariam os receios e as perguntas.
Eu concentrada em ti enquanto te olho nos olhos para perceber se também gostas, se também queres, se também sentes.
Tu a afastares-te suavemente dos meus braços, a dar um passo ao lado
[e eu com a cabeça - e o coração - num beijo]
a apontares para uma mulher com um carrinho de bebé.
Os meus braços como pêndulos alinhados, a consciência que é um túnel em espiral por onde entro, primeiro a cabeça, depois o tronco, só então as pernas, o corpo ganhando o peso de elefantes para depois ficar leve como uma pluma, uma cegueira breve, os ouvidos que - por mais que me esforce- ainda te ouvem
"Aquela é a minha mulher e o meu filho."
[Nota para mim mesma: texto obviamente a precisar de polimento.]
Eyes wide shut
Aproximo-me de ti devagar, arrasto-me preguiçosamente pelos lençóis revoltos e o meu corpo procura o teu, e já o conhece bem, as minhas coxas encaixam nas tuas e o meu peito encosta-se às tuas costas.
Dormes a sono solto mas aos poucos despertas. Sem nunca abrir os olhos, viras-te para mim e sem me ver olhas-me, e os teus lábios tocam os meus, ao de leve, em reconhecimento.
As nossas mãos fecham-se uma na outra, descobrindo primeiro as pontas dos dedos, macias, depois percorrendo o comprimento até à palma, as linhas da vida que não te adivinharam aqui e que se desenham e entrecruzam como as nossas pernas.
Os corpos em mar alto.
O beijo que se prolonga em suspiros, a tua boca que se continua
no meu pescoço
na minha nuca
no lóbulo da orelha esquerda
no pescoço outra vez
no lóbulo da orelha direita
na minha nuca
para se perderem em desejo junto aos ombros destapados.
Os teus olhos sempre fechados.
A minha língua desliza pelo teu pescoço, por lá se demorando, e percorre o teu tronco, desenhando ténues espirais, começo no tórax e desço ao ritmo da tua respiração até ao teu abdómen, páro no teu umbigo.
Não resistimos e voltamos a fazer encontrar os lábios para mais ósculos. E digo-te
"Ósculos"
e tu sorris mas estás preso em mim, por isso sorris para dentro de mim e esse sorriso junta-se à corrente sanguínea e enche-me de prazer dos pés ao cabelo.
As nossas mãos soltam-se e as tuas agarram firmemente nas minhas ancas e fazemos da figura humana geometria enquanto nos projectamos em ângulos, curvas e intersecções.
Os teus olhos sempre fechados.
Até que os abres e.
(E o fim da história já o conhecemos.)
Dormes a sono solto mas aos poucos despertas. Sem nunca abrir os olhos, viras-te para mim e sem me ver olhas-me, e os teus lábios tocam os meus, ao de leve, em reconhecimento.
As nossas mãos fecham-se uma na outra, descobrindo primeiro as pontas dos dedos, macias, depois percorrendo o comprimento até à palma, as linhas da vida que não te adivinharam aqui e que se desenham e entrecruzam como as nossas pernas.
Os corpos em mar alto.
O beijo que se prolonga em suspiros, a tua boca que se continua
no meu pescoço
na minha nuca
no lóbulo da orelha esquerda
no pescoço outra vez
no lóbulo da orelha direita
na minha nuca
para se perderem em desejo junto aos ombros destapados.
Os teus olhos sempre fechados.
A minha língua desliza pelo teu pescoço, por lá se demorando, e percorre o teu tronco, desenhando ténues espirais, começo no tórax e desço ao ritmo da tua respiração até ao teu abdómen, páro no teu umbigo.
Não resistimos e voltamos a fazer encontrar os lábios para mais ósculos. E digo-te
"Ósculos"
e tu sorris mas estás preso em mim, por isso sorris para dentro de mim e esse sorriso junta-se à corrente sanguínea e enche-me de prazer dos pés ao cabelo.
As nossas mãos soltam-se e as tuas agarram firmemente nas minhas ancas e fazemos da figura humana geometria enquanto nos projectamos em ângulos, curvas e intersecções.
Os teus olhos sempre fechados.
Até que os abres e.
(E o fim da história já o conhecemos.)
27.7.06
Summer tunes IV
Beck "Girl"(Hino do Verão passado, mas sempre muito solarengo e actual, a letra podem-na encontrar aqui)
Summer tunes III
Phoenix "Consolation Prizes(sim, é a mesma banda, mas exala Verão por todos os poros, não lhe consigo resistir.)
26.7.06
Sullen Batsie
sul·len (sln)
adj. sul·len·er, sul·len·est
1. Showing a brooding ill humor or silent resentment; morose or sulky.
2. Gloomy or somber in tone, color, or portent: sullen, gray skies.
3. Sluggish; slow: the sullen current of a canal.
"Days like this, I don't know what to do with myself
All day and all night
I wander the halls along the walls and under my breath
I say to myself I need fuel to take flight
And there's too much going on
But it's calm under the waves, in the blue of my oblivion
Under the waves in the blue of my oblivion
Is that why they call me a sullen girl, sullen girl
They don't know I used to sail the deep and tranquil sea
But he washed me shore and he took my pearl
And left an empty shell of me
And there's too much going on
But it's calm under the waves in the blue of my oblivion
Under the waves in the blue of my oblivion
Under the waves in the blue of my oblivion
It's calm under the waves in the blue of my oblivion."
"Sullen girl" - Fiona Apple (tudo a ouvir até decorar, vá)
adj. sul·len·er, sul·len·est
1. Showing a brooding ill humor or silent resentment; morose or sulky.
2. Gloomy or somber in tone, color, or portent: sullen, gray skies.
3. Sluggish; slow: the sullen current of a canal.
"Days like this, I don't know what to do with myself
All day and all night
I wander the halls along the walls and under my breath
I say to myself I need fuel to take flight
And there's too much going on
But it's calm under the waves, in the blue of my oblivion
Under the waves in the blue of my oblivion
Is that why they call me a sullen girl, sullen girl
They don't know I used to sail the deep and tranquil sea
But he washed me shore and he took my pearl
And left an empty shell of me
And there's too much going on
But it's calm under the waves in the blue of my oblivion
Under the waves in the blue of my oblivion
Under the waves in the blue of my oblivion
It's calm under the waves in the blue of my oblivion."
"Sullen girl" - Fiona Apple (tudo a ouvir até decorar, vá)
25.7.06
Um adeus
O vento corria rasteiro sobre a areia. Um barco encostava no quebrar das ondas, dois (ou três?) homens de pele queimada e barba por fazer, puxavam por cordas fazendo-o atracar. Traziam redes cheias de peixe; um bando enorme de gaivotas rodeava-os desde alto-mar, roubando um ou outro. As poucas pessoas na praia àquela hora aproximavam-se também, curiosas ou mesmo interessadas. Via-as afastarem-se minutos depois, sacos na mão, os miúdos contentes a mexerem nas escamas, nas barbatanas.
Foi um instante para aquela confusão acabar e eu finalmente ficar a sós com o mar.
O vento cada vez mais frio e o sol que desaparecia longe. Eu abraçada às minhas pernas pensava em mim. Mas em mim de uma maneira diferente, porque só pensava em mim por não conseguir deixar de pensar em ti.
Como se pensar em ti fosse uma maneira de te ter aqui.
De alguma maneira associava cada detalhe desta praia que adoravas a um pedacinho da tua vida. De alguma maneira sentia-me abraçada por ti, apesar da nossa etérea distância.
Vem dar um mergulho, a água está óptima!, dizias-me - ou a criança dentro de ti, acenando por entre braçadas.
Fizeste de mim irmã do mar, do vento, dos relâmpagos, confidente das algas e das conchas, amante da areia e do sol. Entregaste a minha paternidade ao Verão, às chuvas quentes, ao céu limpo, ao chocolate derretido.
Mas nenhum deles é capaz de me consolar agora que aqui já não estás.
Ontem, antes de te ver sob sete palmos de terra, sentia um profundo ódio por isto: nunca foste um pai muito presente excepto quando aqui vínhamos os dois e eu sempre pensei que isso um dia mudaria. E quando soube, que tinhas
Desculpa, mas ainda não consigo dizê-lo
quando soube que tinhas ido para outro sítio qualquer, julguei que me abandonavas, pai, que finalmente assumias que tinhas desistido de mim. Foi ao ver o teu rosto no velório que te perdoei, que desejei estar ali deitada a teu lado para que juntos pudessemos conhecer todas as praias por este mundo a fora.
Desejei morrer para te deixar ser meu pai só mais uma vez.
[Cada vez mais frio nesta praia cada vez mais deserta. Dentro de mim, um sangue que não me aquece, um coração que bate apenas o suficiente para me manter viva, um corpo seco que já perdeu todas as suas lágrimas.]
Decido adormecer na areia gélida no nosso último dia de praia juntos. (Avisa à mãe que fico cá a dormir.)
Anoitece sobre o mar, o espelho negro reflecte a luz da lua. O vento cada vez mais agreste cobre-me de areia e eu sinto-te aqui. Pões a mão no meu ombro
Eu sei que não podes estar aqui a pôr-me a mão no ombro mas eu sinto-te, não sei explicar
e o vento e as ondas falam comigo, dizem-me aquelas coisas que eu gostava de ter ouvido da tua boca. Sei que és tu, aqui.
Sei que serás tu para sempre aqui.
Foi um instante para aquela confusão acabar e eu finalmente ficar a sós com o mar.
O vento cada vez mais frio e o sol que desaparecia longe. Eu abraçada às minhas pernas pensava em mim. Mas em mim de uma maneira diferente, porque só pensava em mim por não conseguir deixar de pensar em ti.
Como se pensar em ti fosse uma maneira de te ter aqui.
De alguma maneira associava cada detalhe desta praia que adoravas a um pedacinho da tua vida. De alguma maneira sentia-me abraçada por ti, apesar da nossa etérea distância.
Vem dar um mergulho, a água está óptima!, dizias-me - ou a criança dentro de ti, acenando por entre braçadas.
Fizeste de mim irmã do mar, do vento, dos relâmpagos, confidente das algas e das conchas, amante da areia e do sol. Entregaste a minha paternidade ao Verão, às chuvas quentes, ao céu limpo, ao chocolate derretido.
Mas nenhum deles é capaz de me consolar agora que aqui já não estás.
Ontem, antes de te ver sob sete palmos de terra, sentia um profundo ódio por isto: nunca foste um pai muito presente excepto quando aqui vínhamos os dois e eu sempre pensei que isso um dia mudaria. E quando soube, que tinhas
Desculpa, mas ainda não consigo dizê-lo
quando soube que tinhas ido para outro sítio qualquer, julguei que me abandonavas, pai, que finalmente assumias que tinhas desistido de mim. Foi ao ver o teu rosto no velório que te perdoei, que desejei estar ali deitada a teu lado para que juntos pudessemos conhecer todas as praias por este mundo a fora.
Desejei morrer para te deixar ser meu pai só mais uma vez.
[Cada vez mais frio nesta praia cada vez mais deserta. Dentro de mim, um sangue que não me aquece, um coração que bate apenas o suficiente para me manter viva, um corpo seco que já perdeu todas as suas lágrimas.]
Decido adormecer na areia gélida no nosso último dia de praia juntos. (Avisa à mãe que fico cá a dormir.)
Anoitece sobre o mar, o espelho negro reflecte a luz da lua. O vento cada vez mais agreste cobre-me de areia e eu sinto-te aqui. Pões a mão no meu ombro
Eu sei que não podes estar aqui a pôr-me a mão no ombro mas eu sinto-te, não sei explicar
e o vento e as ondas falam comigo, dizem-me aquelas coisas que eu gostava de ter ouvido da tua boca. Sei que és tu, aqui.
Sei que serás tu para sempre aqui.
23.7.06
BITE ME!
Os Strokes são bons, mas melhores no primeiro disco do que nos outros. E enormes em palco. Ponto final.
JUST TAKE IT OR LEAVE IT. JUST TAKE IT OR LEAVE IT.
OH TAAAAAAKE IT.
JUST TAKE IT OR LEAVE IT. JUST TAKE IT OR LEAVE IT.
OH TAAAAAAKE IT.
22.7.06
Humanos
Sou humana, como tu. Tenho dúvidas, pressentimentos, medos e inseguranças. Mas como tu, sei que há qualquer coisa dentro de cada um de nós que nos eleva, que nos faz ser mais um para o outro - e um para os outros - do que uma mera e permanente questão. Estou mais que certa que dentro de mim existe mais do que um ponto de interrogação, de exclamação, umas reticências ou - Deus nos livre! - um ponto final. É porque dentro de nós existe mais do que pontuação; há algo vivo, que respira e se alimenta e que, ao fazê-lo, assegura que também nós passemos pela vida fazendo mais do que apenas respirar e alimentar. Passamos pela vida sentindo-a, o que nos humaniza mais do que tudo.
Sou humana como tu. Tenho certezas, emoções, lógicas e razões. E é por isso que gosto assim, que sinto com o corpo todo e que esta alma está, mais do que nunca, inquieta e expectante.
Ao som de "I found a reason" dos Velvet Underground pela doce (tão doce!) Cat Power. Deixo o site para download para que o leiam também assim!
Sou humana como tu. Tenho certezas, emoções, lógicas e razões. E é por isso que gosto assim, que sinto com o corpo todo e que esta alma está, mais do que nunca, inquieta e expectante.
Ao som de "I found a reason" dos Velvet Underground pela doce (tão doce!) Cat Power. Deixo o site para download para que o leiam também assim!
17.7.06
E por ora
15.7.06
PARABÉNS (só mais uma vez)
Uma canção de João Gilberto por dia dá saúde e alegria II
Coisa mais bonita é você, assim, justinho você
Eu juro, eu não sei porquê você.
Você é mais bonita que a flor, quem dera à primavera da flor
Tivesse todo esse aroma de beleza, que é o amor
Perfumando a natureza, numa forma de mulher.
Porque tão linda assim não existe, a flor, nem mesmo a cor não existe,
E o amor, nem mesmo o amor existe.
João Gilberto "Coisa Mais Linda"
Eu juro, eu não sei porquê você.
Você é mais bonita que a flor, quem dera à primavera da flor
Tivesse todo esse aroma de beleza, que é o amor
Perfumando a natureza, numa forma de mulher.
Porque tão linda assim não existe, a flor, nem mesmo a cor não existe,
E o amor, nem mesmo o amor existe.
João Gilberto "Coisa Mais Linda"
(ATENÇÃO, LEITORES DESATENTOS: Isto é um link para fazerem download da música, para que também vocês possam fazer karaoke; na canção anterior também lá está o link para os interessados - que eu, confiando no bom-gosto dos meus leitores, receio que sejam todos!)
13.7.06
Uma canção de João Gilberto por dia dá saúde e alegria I
Este seu olhar
Quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar
Doce é sonhar
É pensar que você
Gosta de mim
Como eu de você!
Mas a ilusão
Quando se desfaz
Dói no coração
De quem sonhou
Sonhou demais
Ah! Se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos...
João Gilberto "Este seu olhar"
(sempre em prol da saúde dos seus leitores, o Desumanos têm o prazer de disponibilizar a canção- é só seguir o link e fazer o download, por favor)
Quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar
Doce é sonhar
É pensar que você
Gosta de mim
Como eu de você!
Mas a ilusão
Quando se desfaz
Dói no coração
De quem sonhou
Sonhou demais
Ah! Se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos...
João Gilberto "Este seu olhar"
(sempre em prol da saúde dos seus leitores, o Desumanos têm o prazer de disponibilizar a canção- é só seguir o link e fazer o download, por favor)
12.7.06
CSS [cansei de ser sexy]
Nen sempre se percebe porque gostamos à primeira de uma canção. Há quem fale em letra, há quem fale em melodia ou instrumentalizações, há quem fale em beats e pós-produção. No caso de quem escreve, costuma ser uma sensação de viagem, de identificação, ou para resumir e deixar-se de devaneios, aquela sensação boa de comer um gelado de nata com molho de chocolate quente e morangos frescos, sabem?, é essa sensação que me costuma prender a uma canção.
No caso de Cansei de ser sexy (CSS para facilitar), há também o humor. Que começa imediatamente com o nome escolhido pela banda [que eu vou mandar escrever numa t-shirt, by the way] e com o início da banda: quando se juntaram, quais trapezistas musicais sem rede, não sabiam tocar instrumentos nenhuns à excepção do baterista. É no mínimo inusitado, querer ter uma banda e não saber tocar, mas é visível em toneladas de objectos pop morangos-com-açúcar-band-totalmente-em-desrespeito-com-a-música; ainda mais inusitado se torna quando as pessoas que se juntam têm realmente paixão pela música, como eu ou tu, porque ainda mais do que inusitado torna-se sobretudo um acto de coragem e rebeldia. E o humor, ou a ironia, acontece também na distribuição do seu cd, que vinha com um CD virgem vazio para que se pudesse copiá-lo livremente (bela forma de combater a hipocrisia da suposta crise dos downloads ilegais). E o humor está também em cada título de EP, canção ou álbum (Em Rotterdam já é uma febre é o nome do primeiro EP, Let's make love and listen to Death from above, o nome do single).
Toda a gente sabe que o Brasil é um mundo, quem lá foi e quem pelo país se interessa mais do que ninguém o reconhece, se fosse para descrever o Brasil com uma cor, teríamos que usar uma paleta enorme, porque é um país de vários tons, não se fica pelo amarelo, também é cinzento, não se fica pelo azul, é também vermelho, não se fica pelo verde, é também laranja; nãoo se fica pelo branco, é também preto. E um dos factores inequívocos desta panóplia espectrofotométrica é, indiscutivelmente, a música. Estando toda a gente familiarizada com a bossa-nova, o samba, o pagode, o sertanejo, as dúvidas afloram um pouco quando se fala em baile funk, electrónica, hip-hop, reggae isto tudo cantado em português com um sotaque que lhe dá a graça toda. São Paulo, meus amigos, está no epicentro desta revolução (S. Paulo e as favelas, mas para o caso as favelas pouco interessam pois os moços de que vos falo são paulistas). E que cidade melhor que S. Paulo para fundir toda a música num só estilo? (uma cidade que, recordo-vos, tem tantos ou mais habitantes que Portugal todo junto) Em São Paulo, muito graças à editora Trama, nascem e renascem novos géneros musicais a toda a hora, novos hypes a cada minuto, novas bandas a cada segundo. E nós, deste lado do Atlântico, agradecemos. Porque esta música brasileira nova traz a boa-disposição e o sentimento da velha mas intemporal MPB, apenas torna-a mais bip-bop (seja o que isso for).
E é de bip-bop e de silly season que os CSS são feitos. Guitarras que misturam rock com electrónica desmesurada, beats provavelmente saídos de um órgão Casio (carrega-se-neste-botão-e-pronto), que se conjugam para fazer das coisas mais dançáveis (e sexys, há que dizê-lo) que já se ouviram este ano, letras provocantes e fáceis-de-decorar q.b., há The Kills e Yeah Yeah Yeahs mas há muito mais do que a fusão disto; os Cansei de ser sexy, sem o fazerem de propósito, conseguiram trazer muito mais às pistas de dança do que aquelas bandas de revivalismo 80s (que já me irritam): a evolução. Trouxeram mais, oferecem muito mais e é por isso que os devemos receber de braços abertos.
Na sua música há pura genuinidade (não confundir com ingenuinidade), há pôr-do-sol-depois-de-um-dia-de-praia, há caipirinhas, há bikinis e mini-saias e há corpos bronzeados. Mas, não fosse isto já bom o suficiente, não há só verão nestas canções, há também a cultura cosmopolita, há o Bairro Alto (ou a down-town NY), há o botellón (cada vez mais em voga na Praça Camões), há pontes sobre rios ( Brooklyn Bridge ou Vasco da Gama, not important), há imperiais fresquinhas em copos de plástico, há piercings e t-shirts (às riscas sempre) rasgadas.
E não sou só eu a dizê-lo.
Os Cansei de ser sexy começaram este mesmo mês uma tournée com o Diplo pelos Estados Unidos (boa sorte, amigos!) e eu temo que, para bem do nosso Verão, eles sejam the next big thing. Vão-no ser pelo menos no meu leitor de cd's.
[Não fosse a música suficientemente boa e os meninos ainda tiveram a audácia de ter um grande vídeo para mostrar]
"Let's make love and listen to Death From Above"
Cansei de ser sexy n'Os desumanos
Tempo para um conselho: se querem ser felizes, vão ao site da Trama, dos CSS e ao seu mypace e oiçam mais.
Tempo para um aviso: se não dançarem, é porque estão mortos.
No caso de Cansei de ser sexy (CSS para facilitar), há também o humor. Que começa imediatamente com o nome escolhido pela banda [que eu vou mandar escrever numa t-shirt, by the way] e com o início da banda: quando se juntaram, quais trapezistas musicais sem rede, não sabiam tocar instrumentos nenhuns à excepção do baterista. É no mínimo inusitado, querer ter uma banda e não saber tocar, mas é visível em toneladas de objectos pop morangos-com-açúcar-band-totalmente-em-desrespeito-com-a-música; ainda mais inusitado se torna quando as pessoas que se juntam têm realmente paixão pela música, como eu ou tu, porque ainda mais do que inusitado torna-se sobretudo um acto de coragem e rebeldia. E o humor, ou a ironia, acontece também na distribuição do seu cd, que vinha com um CD virgem vazio para que se pudesse copiá-lo livremente (bela forma de combater a hipocrisia da suposta crise dos downloads ilegais). E o humor está também em cada título de EP, canção ou álbum (Em Rotterdam já é uma febre é o nome do primeiro EP, Let's make love and listen to Death from above, o nome do single).
Toda a gente sabe que o Brasil é um mundo, quem lá foi e quem pelo país se interessa mais do que ninguém o reconhece, se fosse para descrever o Brasil com uma cor, teríamos que usar uma paleta enorme, porque é um país de vários tons, não se fica pelo amarelo, também é cinzento, não se fica pelo azul, é também vermelho, não se fica pelo verde, é também laranja; nãoo se fica pelo branco, é também preto. E um dos factores inequívocos desta panóplia espectrofotométrica é, indiscutivelmente, a música. Estando toda a gente familiarizada com a bossa-nova, o samba, o pagode, o sertanejo, as dúvidas afloram um pouco quando se fala em baile funk, electrónica, hip-hop, reggae isto tudo cantado em português com um sotaque que lhe dá a graça toda. São Paulo, meus amigos, está no epicentro desta revolução (S. Paulo e as favelas, mas para o caso as favelas pouco interessam pois os moços de que vos falo são paulistas). E que cidade melhor que S. Paulo para fundir toda a música num só estilo? (uma cidade que, recordo-vos, tem tantos ou mais habitantes que Portugal todo junto) Em São Paulo, muito graças à editora Trama, nascem e renascem novos géneros musicais a toda a hora, novos hypes a cada minuto, novas bandas a cada segundo. E nós, deste lado do Atlântico, agradecemos. Porque esta música brasileira nova traz a boa-disposição e o sentimento da velha mas intemporal MPB, apenas torna-a mais bip-bop (seja o que isso for).
E é de bip-bop e de silly season que os CSS são feitos. Guitarras que misturam rock com electrónica desmesurada, beats provavelmente saídos de um órgão Casio (carrega-se-neste-botão-e-pronto), que se conjugam para fazer das coisas mais dançáveis (e sexys, há que dizê-lo) que já se ouviram este ano, letras provocantes e fáceis-de-decorar q.b., há The Kills e Yeah Yeah Yeahs mas há muito mais do que a fusão disto; os Cansei de ser sexy, sem o fazerem de propósito, conseguiram trazer muito mais às pistas de dança do que aquelas bandas de revivalismo 80s (que já me irritam): a evolução. Trouxeram mais, oferecem muito mais e é por isso que os devemos receber de braços abertos.
Na sua música há pura genuinidade (não confundir com ingenuinidade), há pôr-do-sol-depois-de-um-dia-de-praia, há caipirinhas, há bikinis e mini-saias e há corpos bronzeados. Mas, não fosse isto já bom o suficiente, não há só verão nestas canções, há também a cultura cosmopolita, há o Bairro Alto (ou a down-town NY), há o botellón (cada vez mais em voga na Praça Camões), há pontes sobre rios ( Brooklyn Bridge ou Vasco da Gama, not important), há imperiais fresquinhas em copos de plástico, há piercings e t-shirts (às riscas sempre) rasgadas.
E não sou só eu a dizê-lo.
Os Cansei de ser sexy começaram este mesmo mês uma tournée com o Diplo pelos Estados Unidos (boa sorte, amigos!) e eu temo que, para bem do nosso Verão, eles sejam the next big thing. Vão-no ser pelo menos no meu leitor de cd's.
[Não fosse a música suficientemente boa e os meninos ainda tiveram a audácia de ter um grande vídeo para mostrar]
"Let's make love and listen to Death From Above"
Cansei de ser sexy n'Os desumanos
Tempo para um conselho: se querem ser felizes, vão ao site da Trama, dos CSS e ao seu mypace e oiçam mais.
Tempo para um aviso: se não dançarem, é porque estão mortos.
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