26.5.09

Equador

Enquanto o sono não chega como trapos andrajando-te a marcha, se fosses um pássaro de asas azul-cobalto livre na floresta da Tijuca, poderias cantar as canções que nunca esquecerias mesmo que amanhã eu te deixasse por outros solos. Sabes que me vou mas não te deixo nunca, estarei nestes troncos como seiva nutrindo, serei o âmbar que fossiliza as tuas recordações cristalizando-as de amarelo-Vénus. Se me deixares tu primeiro, persigo-te o vôo até Fez onde me doerá a vista pela tua ausência presença nas tinturarias anil. Doem-me os ossos ocos na antecipação.

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