31.12.08

Perdas de tempo.

Acabo de ver um caso antigo feito de boa conversa de engate e ainda melhor cama. Isto deu-se há coisa de três anos, no Verão de 2005, e o aniversário da estreia do excelente sexo é precisamente hoje, hoy, today, aujourd'hui. Pensava que nunca mais o veria: é de Coimbra, estava cá em trabalho e no Verão passado ter-me-ia dito, num encontro ocasional, que se ia mudar para Lisboa (cidade onde, já eu sabia de antemão, frequentaríamos locais absolutamente díspares). Lembro-me de ter ficado apanhadíssima, eu miúda, indefesa, inexperiente, rendida ao paleio fácil de quem me queria levar para a cama mas levava-me a pensar que estaria a viver uma belíssima história de amor. Encontros à socapa antes do comboio ao fim de semana, vindas mais frequentes à Madeira sem explicar porquê, mensagens e telefonemas constantes. Lembro-me bem de tudo, até de quando ele disse que seria incapaz de ter uma relação desde a última vez que tinha estado para casar com uma rapariga qualquer lá da cidade dele.

Hoje ele mostrou-me por a mais b que tinha uma relação e que estava feliz. A mesma relação que foi incapaz de assumir comigo. (Ainda que me prometesse um telefonema em Lisboa e languidamente dissesse "gostei muito de te ver, quero ver-te de novo". Eu não quero vê-lo de novo.)

Hoje, através deste ente que à distância pouco ou nada importou, percebi duas coisas:

Não posso ter casos, relações desligadas e/ ou abertas. Não tenho essa frieza, ligo-me emocionalmente à pessoa a quem me dou, invariavelmente.

Ou escolho muito mal homens, ou sadicamente gosto mesmo de histórias complicadas, ou simplesmente tenho péssimos timings para estabelecer uma relação.

Espero acertar desta vez. Só desta, por fim.

29.12.08

Cinzas.

Manchei as paredes caiadas com o sangue escorrendo pelo canto dos olhos, agulhas pela epiderme como bonecas voodoo, acupunctura de sentimentos à flor da pele, à raíz do pêlo, acupunctura reversa, que adoece ao invés de curar. Tinha medo que dentro de mim germinasse ódio, desprazer, e pensei

nunca mais vou poder olhar para a tua cara por tanto te odiar

nunca mais, ouviste?, nunca mais, mas tenho saudades tuas embora já não te chore. Já não sei o que és, portanto, se desilusão, se desgosto, se passado, se evolução natural. Nunca soube o que eras, nada mudou desde a nossa primeira noite, longe vai ela, desde a noite em que eu chorara numa casa de banho imunda, o meu corpo a querer tombar para o chão inundado em mijo e talvez vómito, eu a sair e a limpar as lágrimas e tu, sem nada saberes, em silêncio, a abraçar-me e eu julguei que sabia quem eras pela força dos teus braços enquanto me apertavas e aquelas paredes cheias de hormonas esconderam o nosso namoro, exibindo vaidosas o meu sorriso na despedida, as paredes, tontas das paredes que não me avisaram quando lhes confessei

estou tão apaixonada.

não me disseram

esquece-o.

porque sabiam que era irremediável, e o que não tem remédio remediado está, nunca te hei-de esquecer, tal como hoje em que tenho umas saudades tuas tremendas e quase não consigo respirar porque custa a expandir o tórax,

tudo isto um desperdício, tudo isto sem mais nada valer, porque já não sou tua, deixei-te aí e agora estou aqui, e já não choro nem peso o peso de mil ossos em chumbo carregados pelo lombo curvado de ceifeira de amores quase perfeitos.

Sempre te perdoei depois de chorar uma noite inteira.

Repito, deixei de chorar.

13.12.08

9.12.08

O rei na barriga.

Eu já fui rei, disseste enquanto apagavas o cigarro no cinzeiro, exalando nuvens brancas pela boca esférica em ó, o tronco debruçado sobre a pequena coffe table da Feira da Ladra, eu fui rei e senhor do coração de uma menina e eu pensei que o serias agora, rei e senhor do meu coração, pequeno diabo angelical debruado a couro e correntes no peito despido mas só disse tanto egoísmo!, e lembro-me de frisar bem o acento no i, egoí-íiiis-mo, porque quando se frisam acentos habitualmente estamos impacientes, saturados, isto já que em momento algum me tinhas dito que ela também reinara sobre o teu peito e isso cansa-me.

A sério, fui, casámos e tudo, passávamos domingos a ler o Expresso por uma ordem predefinida de suplementos, Única, Cartaz, Economia, páginas brancas, Imobiliário: eu, ela: Cartaz, páginas brancas, Imobiliário e Economia e deixava a Única para ler durante a semana nos transportes e, perante o meu ar de estupefacção, tu sempre, a sério, juro, a sério, porque é que não acreditas e esticavas as palmas das mãos mais alvas que o resto do corpo, nada aqui, nada nas mangas, a sério, a sério, ó Joana, a sério, juro.

Eu também juro que já não sabia se acreditava porque me tinham dito que não devia acreditar, porque não podia acreditar nem mais uma vez ou simplesmente porque me estavas a mentir, mas afinal não te conhecia e de peste bem embrulhada em papel e fita bonita passavas-me a soldadinho de chumbo, que ela ficara doente e tu cuidaras dela, mas fôra tudo muito rápido, que ela morrera, que tu ficaras só com os móveis do Ikea no apartamentozito em Arroios e, das mil coisas que me passavam pela cabeça, nenhuma delas era suficientemente clara para ser dita agora em voz alta e ficou assim um silêncio feito de espadas e vapor de água e uma janela ao nosso lado que mostrava um céu sem nesga de céu, só neblina e nuvens em recortes de diversos cinzentos mesclados. Quer dizer, silêncio silêncio nem era, porque primeiro juntaste as palmas uma com a outra, os cotovelos sobre os joelhos e o tronco continuadamente inclinado para diante, e fez clap e depois porque eu tamborilei os dedos, primeiro nas coxas, depois na madeira do banco, sobretudo porque fiquei sem saber o que dizer.

Posso roubar-te um? Ninguém pede cigarros assim. Peço eu. Então pede. Já pedi, ACABEI DE O FAZER! exasperei-me e tu levaste a tua mão ao meu pulso e eu achei que me fosses magoar porque odeias que levante a voz, mas não sei porque achei isto porque nunca me magoaste antes, não desta forma física, não explicitamente, não com hematomas e escoriações visíveis, Detesto saber que fumas por minha causa, enquanto empurravas o maço na minha direcção com a mão que não me agarrava o pulso, Não tenho lume, Eu também não, e a mesma mão que empurrara o maço procura agora no bolso e acaba por fazer-me chegar uma chama pequenina, e eu acendi o cigarro, dei o primeiro bafo e disse que não fumava por tua causa, já fumava antes de te conhecer

e não fumo quase nada, é só de vez em quando. Devia ser nunca. Que é isso agora? Não quero cuidar de ti quando estiveres doente. Também não quero cuidar de ti, meu grandesíssimo parvalhão, desperdício de economia humana e energia afectiva quando estiveres doente. Pois bem, também não te pedi nada e eu concentrei-me naquele cigarro e fixei o olhar no mesmo fumo com que há pouco desenhavas círculos no ar. Voltaram a passar-me imagens repetidas pela cabeça, como há pouco antes de chegares, o dia em que nos conhecemos, as bebidas que partilhámos, o amor que fizemos em cada cama, a tua expressão à minha espera num sítio qualquer quando eu invariavelmente me atrasava. A tua expressão hoje, quando me encontraste sentada na mesa à tua espera, de olhar meio perdido na parede branca com uma impressão de uma aguarela genérica Que pontual e eu que esperara dois anos para dizer esta piada, mesmo sabendo de antemão que hoje seríamos rios invertidos e sairíamos daqui afluentes orientadas para a montanha e o desgosto, Foi pela ânsia por te ver e tu riste-te provavelmente só porque é isso que se deve fazer quando alguém diz uma piada e eu ri-me também enquanto te apontava um lugar à minha frente, mas apeteceu-me logo chorar enquanto te desculpavas pela demora, Trânsito do caralho, e eu voltando a cabeça para o empregado já que não havia trânsito que desculpasse o que ali se ia passar Traga-me uma água, natural, e um café pingado, o senhor bebe uma coca-cola, obrigado, com sua licença, olhaste-me e viste-me por dentro e ainda ali hesitaste só mais uma vez, não no teu último gesto misericordioso, mas porque algures por dentro soubeste que era cedo demais Vou-te contar uma coisa, não vais acreditar. Conta.

O cigarro entre os lábios, eu a saber que vou senti-los na minha barriga sempre que estiver só, eu sei lá se pela última vez ou não, que merda esta de seguir caminhos separados, que merda, os dedos que não o seguravam cofiando a barba

Eu já fui rei e o empregado trouxe os pedidos. E eu arre, filho da puta do empregado, raios o partam mais a bica mal tirada e tu e a neblina ao teu lado, a vidraça embaciada adivinhando frio e eu arrepiada e os dois sem nada para dizer porque eu estava à espera que continuasses e eu para ti Então? e tu Tenho medo que gostes menos de mim. Ai a merda, como se isso fosse possível. E as tuas mãos no meu cabelo e o beijo muito longo e depois beijinhos nas pálpebras

e agora nem sei onde foi parar o cigarro, apagaste-o e eu nem dei conta

Um dia conto-te uma história, agora só te quero levar para casa.

3.12.08

Three still is the magic number.

Photobucket
Hey how you're doin' sorry you can't get through
why don't you leave your name and your number
And I'll get back to you.

Que grande, grande concerto ontem.

30.11.08

Sweetheart got so much freedom

But freedom is just another word
When you've noone left to hurt.

Spiritualized :: Soul on fire

P.S. Isto dá num anúncio da VW. Está bem que é o meu carro favorito e tal; mas Spiritualized e VW não faz sentido em lado nenhum.

(É como quando dá a Mistaken for Strangers dos National na Fox.)

Tounka


Discover Rokia Traoré!


Rokia Traoré!

(Estava só a testar a incorporação do Deezer. Acho um leitor um pouco feio.)

Silêncio.

Não gosto do silêncio; detesto, aliás, e nunca gostei.

Primeiro, foi o medo de não saber o que aquilo é: a sensação absurda de que estou sempre a ouvir um zumbido, um som surdo de origem incerta. Isso cresceu em mim, aos poucos, foi-se tornando uma aversão ao iminente risco de darem por desaparecidas as conversas, as canções e as notícias da telefonia e de se instalar o tom ameaçador das tonalidades que passam a fazer um barulho ensurdecedor quando substituem o ruído numa sala vazia.

(Sou indissociável da música por isso, porque fielmente cala o silêncio.)

Depois, foi e ainda é o medo de me ouvir demasiado alto. De acabar por falar só, entregue às horas solitárias e às recordações barulhentas, o timbre da minha voz inflectido nas esquinas da sala atingindo-me como setas.

Reconhecer a minha voz, verificar que ninguém me responde, confirmar que estou sozinha.

That's love, right there.



Bon Iver :: Blood Bank (do EP Blood Bank, algures a 20 de Janeiro de 2009)

You said it's just like a present
To keep showing up like this
As the moon started to crescent
We started to kiss

I said I know it well
That secret that you know
But you don't know how to tell

I'm in love with your honor
I'm in love with your cheeks
What's that noise up the stairs babe?
Is that Christmas morning?

I know it well.

23.11.08

12.11.08

"No tempo em que festejavam o dia dos meus anos eu era feliz e ninguém estava morto."

O ano passado, entre o dia 17 e o dia 18 de Novembro, eu estava no backstage da sala Apollo, em Barcelona. Com os National, a cumprimentá-los, a trocar mails, a beber vinho branco e cerveja a dizer "my birthday's in five minutes or so, coming here was a birthday gift from my parents" e eles, à meia-noite "happy birthday" (eles não, os gémeos, enquanto autografam a meia dúzia de singles que comprei como se fossem pãezinhos, "este para o Dário!", "este para mim!", este para o Mário!", etc.).

Depois disso, atravessámos a rua e fomos bater a um barzinho apertado, com uma dijéia que passou a Have love will travel dos Sonics, que eu tinha passado o dia a cantar pelas Ramblas. E, ainda mais tarde, eu e a Tânia passámos um frio de rachar na fila do Razz para ver um set do Diplo, que acabou perto das seis e meia com a Paper Planes da M.I.A..

Acordei às onze com telefonemas da família e descubro que:

1) Na cama do hostel não tenho rede;
2) Estou completamente afónica e ninguém me ouve.

Fomos passear pelo Bairro Gótico e Born, à procura de um sítio qualquer para tomar o pequeno almoço (e de uma farmácia, onde comprei o equivalente catalão à Mebocaína), passámos pelo Jardim Botânico, por uma praça enorme onde estava gente de todas as idades a dançar aos pares dança de salão, atravessámos a Avenida Diágonal e, quando demos por nós, estávamos no Passeig de Grácia, à frente da Casa Battló, que tivemos de visitar apesar de não podermos entrar na parte do apartamento.

Depois cantámo-nos os parabéns com um donut da Dunkin' e café e sumo de laranja para a voz melhorar. Encontrámo-nos todos perto da praça Orwell, jantámos num restaurante de inspiração africana e eles foram ver Gogol Bordello.

Eu atravessei as Ramblas sozinha e entrei no Metro para ir até à Gràcia (ou Eixample?), onde me encontrei com o André, o meu primeiro amigo emigrante, e a Isabel, para cerveja num bar cubano, no bairro deles. A caminho do bar, aparentemente, passamos numa rua chamada Ramón y Cajal, o mais importante neurofisiologista do mundo (foi quem descreveu pela primeira vez o neurónio como célula básica do sistema nervoso, e era Espanhol, como o nome indica).

Este ano, exactamente no mesmo dia, vou estar a estudar, com vontade de matar alguém.

Karma karma karma karma karma chameleoooon.

7.11.08

Não sei se se lembram do que foi isso do Festival Radar de há dois anos

Outono de 2006.

Anunciam a Cat Power em Dezembro.

Yo La Tengo.

Stuart Staples (o único do raio do festival que não fui ver porque tinha-o visto em Maio desse ano).

Lisa Germano.

Oportunamente, anunciam um Festival com o nome da rádio que passa estas coisas e que, ai que curioso, é da mesma empresa que a Música no Coração e informam igualmente que não existe bilhete único.

Gastei 70 euros por quatro dias e três concertos. E era quase Natal.

(Note-se que nada tenho contra a Radar.)

Coisas mesmo parvinhas que passam pela cabeça enquanto se estuda



Lykke Li | Little bit

E eu não gostei disto na primeira vez que ouvi, longe vai o fim da estação fria. E esta nem é a melhor música do álbum, provavelmente, mas é a que tem a letra mais coiso.

Certeira, pois.

Bom, e agora inventam um festival à festival Radar de há dois anos (ai Música no coração, como vos amo) em que para ver a moça, preciso de, entre diversas coisas, prescindir de ver coisas e pagar um bilhete provavelmente ao preço de quem não prescinde de ver nada, só para vê-la. No Last.fm o evento já mudou, passou de Lykke Li - lê-se lúcali, embora eu insista em ler laiqueli - para qualquer coisa em stock ou lá o que é.

Que raiva.

2.11.08

Crappy newsflash

Crappy hair, crappy lips (literally), crappy dark circles under eyes, shitty face, still coming back tomorrow.

Just a crappy human being on a plane. Nothing to see here, people!

25.10.08

Querido Pai Natal:

Fui uma menina muito bem comportada e queria esta roupa toda.





Moschino, Spring Summer 2009

Prometo que te deixo bolachinhas e leite ao pé da árvore.

Um grande beijinho e obrigada!
Joana

P.S. Eu nunca tinha gostado tanto de uma colecção como desta, Pai Natal, é que nem o Philip Lim tem este efeito em mim! Vá láaaaaa!

P.P.S. Acho que só não gosto das calças de harlequin logo ao início, a sério. Vá lá vá lá vá lá!

Bloco de Hemato.

É o meu sangue que te procura, que te sente a falta. É ele que se escapa pela incisão no peito que desferiste sem piedade, há tanto tempo que não me chegam os dedos ou calendários para o contar. Eu anémica, alva, toilette composta de fio de sangue que já fora mais vivo, hoje violeta, sem ar.

Não sei se és tu que me manténs assim, em ferida aberta sangrante à tua espera, ainda rasto de seiva rubra em riacho de desejo, se sou eu que não me deixo cicatrizar, recompôr a integridade da pele e do coração e das coronárias, finalmente sangue estanque feito coágulo cansado do talante.

À excepção do MySpace:

Detesto sites que dêem música automaticamente. Sobretudo quando o player incorporado - gosto desta expressão, player incorporado - não está numa localização instintiva (um cantinho da página, discreto) ou está transparente e é preciso andar com o cursor sobre o site (habitualmente em flash) até aparecer. Ou, no pior pesadelo de todo o sempre, não haver maneira de parar a cançoneta, não se encontrar um pause ou um mute que seja em lado algum.

A única solução é fugir rapidamente e não visitar a página. A isto é que eu chamo bom marketing, realmente.

24.10.08

It gets lonely here, it really does.

O Zero também é um número par.

(A Álgebra é pós-moderna, pró-irónica.)

22.10.08

It gets lonely here.

600 posts. Achei que deviam saber.

(601 agora)

esqueci-me que tinha de avisar

o post anterior não é para ser levado à letra. um exemplo:

cena bons amigos, take 1000

amigo:
li o teu blog. estás bem?

me:
man. a sério. é a minha imaginação a funcionar, mais que outra coisa qualquer.

amigo:

aquilo tem sempre um bocado de ti, que eu sei.
e fico preocupado.

me:
eu sei e obrigada. mas juro que é um vestígio de mim, coisita de nada.

amigo:
tipo o quê? 30% teu, 70% fantasioso?

me:
eu diria menos meu.

amigo:
ok.

me:
confabulação.
vai-se a ver e foi o melhor dia de sempre desde sempre para sempre.
não tinha piada para mim escrever um diário.

amigo:
tu lá sabes

me:
sim, se algum dia pensar no suicídio ligo-te primeiro.

Desalinhamentos de planetas.

Eu tenho para mim que há quem passe por aqui e leve demasiado a peito aquilo que escrevo. São só palavras, a sério que são.

A culpa também é minha, sou uma incomodada: estranho o silêncio tanto quanto o barulho. Deixei de aceitar a normalidade (talvez porque, da falta de hábito, já não a reconheça).

Depois consulto o horóscopo da Elle, o único que acerta sempre apesar de eu não acreditar nessas coisas, visto que desisti de pensar em justificações plausíveis (não há nada que justifique nada disto, honestamente), então para nutrir o espírito acredito que nos surgiu a todos algo em que nunca pensáramos e que nos agrada em todos os sentidos ou que o fluir dos acontecimentos está a nosso favor, embora sempre nos tenhamos sentado no banco de trás, sem dar nas vistas.

(É que eu queria perceber, mas agora não tenho tempo.)

Nao há lógica possível em nada que me circunscreva ou me circunde. Aqui e acolá, a própria astrologia parece-me uma ciência exacta.

Bem mais exacta do que o amor, parece-me evidente.

Não é uma mulher de meio-termo: ou ama ou odeia. Detesta sentimentos mornos.

11.10.08

MARGARIDA REBELO PINTO!

Devolve-me já a minha pass.

10.10.08

Mente.

Kotama Boubane

Porque as palavras são como o gelo, derretem e desaparecem. Efémeras, interessa saber o seu efeito quando proferidas, uma por uma, alinhadas como tiros de morteiro.

(Se me disseres a verdade, só vou reter nos sonhos a que gosto de chamar memória as palavras que não me magoam. Vou jurar a pés juntos

Mas foi o que tu disseste!

porque eu faço das minhas vontades ocorrências. Não é negação.)

6.10.08

Despenso-te.

Sou uma velha carapaça que escreve madrugada a fora, quando até a noite dorme refugiada no seu próprio sossego. Trevas para mim são trevas, são horas de lidar com incongruências, com espíritos, com comicotragédias mal resolvidas.

Como um terrorista experiente, tento esquecer-te usando os truques já usados - a colocação estratégica de explosivos nos pontos vitais da estrutura do edifício. A sustentação está, por si, frágil, se pensarmos que são as coisas que nos unem (um rol de coisas, que não me canso de enumerar para mim mesma) versus as que nos separam (um mar de distância, até literalmente) que a aguentam. Tento minar-nos por dentro, desprovendo-nos de finalidade, de sentido.

(O Mexia também teve o telemóvel avariado. Ficou sem mensagens. Já o problema do meu é articular, quando voltar, terá todas as mensagens alinhadas, azar o meu.)

Eu tento esquecer-te até pensar em ti. Depois apercebo-me, espera, estou a pensar em ti de novo, deixa-me despensar, e despenso - porque não pensar em ti é diferente de esquecer-te, então inventei uma palavra nova.

Tal como demorou eternidades para gostar de ti, agora custa-me horrores a deixar-te. Now isn't it funny. Tem tudo a ver: tornei-me resistente a encantos e imunizei-me contra desencantos, nem um nem outro me afectam sobremaneira.

De maneira que, bem vistas as coisas, enganei-me redondamente quando achei que toda eu fosse dispensar-te ao despensar-te. Quis esquecer-te, quando, na verdade, acabei por ter saudades de pensar em ti.

Enfim.

Bóias de salvação

Imagino-me no dia 21 de Novembro a ligar o computador, a fazer- pela última vez - "Mark all as read" no GReader (depois de ler alguns blogs seleccionados e as cenas partilhadas pelos amigos) e a abrir, placidamente, o Fórum Sons (fui lá hoje, já não ia lá há coisa de um mês), o blogger.

Recapitular o que isto tem sido (ainda). E escrever - com mais calma do que hoje - que há música que salva a vida exactamente quando se precisa, cada uma à sua maneira.

O Meddle dos Pink Floyd, uma compilação da Janis Joplin, o Chet Baker, Inspiração e Ilha Azul do Bau, Department of Eagles, The Octopus Project, Buraka SS, Flying Lotus. E tanta, tanta coisa de que já fui falando por aqui.

O meu irmão olhou para os meus discos e disse "Di'co!". Prevejo-lhe um grande futuro.

Sex on fire.

Estou só de passagem para deixar registado que gosto muito, mesmo muito, do single novo dos Kings of Leon. O álbum tem coisas boas, assim-assim e más. Este single esfomeado, turn-on feito rock glamoroso, não está em mais faixa nenhuma.

Entendam isso como quiserem.

29.9.08

Uma das coisas que mais gostava na vida, hoje em dia.

Ser socialite. Dondoca. Acordar às 10 da manhã e ir para o spa.

Não fazer ideia do que é, sequer, o Harrisson, ou aquilo que representa.

"Harrisson? É primo do Harry?", coisas assim.

Não que o meu nível de conhecimento, depois de tanto tempo a estudar, esteja longe de saber o que é o Harrisson e pouco mais.

19.9.08

Todos os dias precisam de um bocadinho de perfeição.



Silver Jews :: Trains across the sea, do Starlite Walker, 1994



Fleet Foxes :: Mykonos
,do Sun Giant EP, 2008

E agora vou ali estudar, adeusinho.

18.9.08

Funchal.

De longe parece que a cidade cresceu como longos dedos que agarram a serra pelo seu ónus, e nela cravou as unhas para não deixar partir. O casario deixou-se amontoar em ângulos agudos, fronteiras aguçadas de troncos e folhas, à distância massas indistintas de vários verdes. Desconheço se se tratam de limites determinados, se a serra é, por ali, de tal forma cerrada e ausente que não permite ulterior intrusão. Desconfio que sim.

De resto, escorregou montanha abaixo, desdobrada em estradas, becos e travessas, igrejas e bancos de jardim, parques e canteiros, contorcida em calçadas, levadas e ribeiras, para desaguar nas praias de calhau e neste mar tão ameno de tão só nosso.

Minto: é que, na verdade, cresceu ao contrário, empurrada pelas ondas, força motriz em séculos de coragem e trabalho.

16.9.08

Bloco de Cardio.

Vejo-me mas não me vejo a mim. Não me reconheço nas características que me definem.

(Como uma pintura a óleo onde se acertasse o verde dos olhos mas se falhasse o tom pardacento correcto. Onde se omitissem os sulcos do sorriso embora o contorno dos lábios estivesse sido precisamente decalcado. Um rosto harmoniosamente composto onde faltasse serenidade. Uma obra incompleta.)

Não sou bem eu, acima do chão, tentando não pensar, tentando não ser demasiado. Não agora, não posso, não tenho tempo. Assumo que por vezes surpreendo-me a mim própria, a persistência teimosa, alguma coragem.

Sobrevida no primeiro ano de 83%, no terceiro de 76%. Fizeram-me um transplante cardíaco e ando a rejeitar o enxerto. Preciso de braços, de beijos, de mais surpresas, não desta bradicardia reinante. Que angústia!

Adio as taquiarritmias.

(Literalmente - o capítulo é assustador - e não só - este coração frio não é meu, pu-lo enquanto para me poder concentrar num objectivo maior. )

28.8.08

Dois anos.

Já oiço esta canção há dois anos e sempre a cantei da mesma forma, o primeiro verso

I've looked everywhere, Mr. Forbes

algures lá para meio

I looked in my chest, where I thought it would be

e o fim, dramático, arrepiante

Oh why can't I think what I did with that old skill and die
You can't possibly go without that

You can't possibly go without love.

Isto não interessa nem a um macaquinho coxo, mas a malta do Songmeanings não acha que caiba lá este love (hoje fui lá por causa das letras novas). Pois para mim faz todo, todo o sentido. Todo no mundo.

(E para além do mais, apesar da voz se tornar quase surda no final do verso, ouve-se perfeitamente o soletrar de um L no início da palavra. Perfeitamente.)

Grizzly Bear :: Marla, Yellow House

26.8.08

It's OK.

Primeiro pensava que ele tinha gasto o seu tempo a escrever uma canção com a única e exclusiva finalidade de ser mentiroso. Não gosto de quando me mentem propositadamente, me encostam a testa no seu ombro e sussurram "está tudo bem" ou "tudo acabará bem", quando eu sei perfeitamente - sem precisar de grandes visões do futuro - que não há grandes hipóteses de as coisas ficarem bem tendo-se entrado neste caminho sujo e sujeito a atalhos pouco misericordiosos.

Mas a canção continua, e quando acaba, apetece-me ouvi-la outra vez, e a tensão que até continua baixa, apesar de praticamente estar a comer uma colher de sal por dia- por entre sopas, pregos, sandes de polvo e coisas que tais. A sensação de que ele está a mentir vai-se dissolvendo, vejo-me obrigada a pensar na quantidade enorme de coisas boas que já permiti a outras pessoas e que outros já me permitiram. Não posso ser má pessoa assim, não eu, que escolhi a minha profissão de acordo com o bem que iria fazer aos outros, não eu.

Talvez seja eu quem me mente, e não o Vic Chesnutt. Ou então eu estou certa quando penso que aquilo que penso de mim é mais correcto, mais próximo da verdade. Afinal, com quem mais falo eu na vida? Comigo, com os meus raros botões - no Inverno, nos casacos de malha, no Verão são como amigos imaginários, não estão ali, mas é como estivessem, que eu também nunca nunca esperei uma resposta deles.

Nunca espero respostas de ninguém, agora que penso nisso. E muitas vezes eu própria não respondo quando deveria. Queres ver, rapariga, que é esse o teu erro? Quase que consigo acreditar que o meu mal foi não querer magoar os outros e por isso guardei dentro de mim os mapas, os atalhos, as saídas secretas. Olha que estupidez, que absurdo, querer-se estar no seu canto e subitamente ter-se imiscuído no canto dos outros. Mas porque é que eu não estou quieta?

Agora ando aqui, sistólica de 8 nos piores dias, nos melhores nem sei, nem interessa, interessa-me estudar, inscrever-me na Ordem, despachar este exame, não tenho grande tempo para medir nada, para saber nada senão os cinco blocos do Harrisson.

"It's OK
in moderation
It's OK
cutting down
It's OK
you can quit tomorrow
but for now
keep on keeping on.

You are never alone."

É adiar a vida para Novembro, mas que me interessa, se disso depende o resto da vida?

"It's OK
you can be forgiven
but for now
keep on keeping on.

You are never alone."

Vic Chesnutt :: You are never alone (zshare incluído, com um click sobre o nome)

Um gajo não ia gastar tempo numa mentira desta maneira, faz-me bem acreditar nisto, sobe-me a tensão e tudo.

P.S. Ora telegramas, ora confissões arraçadas de egocentrismo, peço desculpa mas até Novembro o blog também está assim a puxar para o adiado, assim como quem adia pensar muito nos assuntos, sejam eles quais forem.

21.8.08

"For she held me

Not too tight for she would break me

Not too loose for I would slip away"

O disco deste ano dos Tindersticks é apneico de tão fabuloso*.

*Do inglês breathtaking. Que é o que o disco é.

16.8.08

A million waste.


A milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli quando e se algum dia morrer, quero
a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli que seja o WALL.E
a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a vasculhar o lixo que se acumula durante uma vida inteira
a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a compactar aquele que não serve para nada
a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli e que já é tanto, aos 23,
a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a guardar, naquela estante rotativa, o lixo que não é bem lixo
a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli a milli e a ouvir as minhas canções, daquela maneira, a ouvi-las e a dar a mão ao som delas.

Não me perguntem porque é que decidi juntar o WALL.E ao Lil'Wayne, há coisas que só Harrison explica.

14.8.08

"Pai, qual é a tua banda preferida?"

O meu pai responde sempre o mesmo. Hesita muito - os olhos quase se lhe marejaram de lágrimas quando soube da reunião esgotadíssima dos Led Zeppelin em Londres, foi de propósito a essa mesma cidade há mais de vinte anos ver os Pink Floyd e, com o mesmo propósito, a Lisboa quase dez anos depois, e sabe, das duas bandas, diversos discos de cor e salteado - mas acaba por responder sempre o mesmo.

"Beatles.", assim sem o The, como quem chama o canalizador pelo sobrenome sem lhe juntar o epíteto mestre.

Uma vez, perante o meu espanto (na primeira vez que lhe fiz esta pergunta, num dia em que comprei vários discos de Radiohead e queria acabar aquela conversa com um categórico - e gramaticalmente confuso - "A minha banda preferida são os Radiohead."), ele acrescentou:

"São a banda mais completa que alguma vez existiu, lembra-te que era a década de 60. Souberam fazer de tudo, chegar a imensa gente, inspirar-se em tudo o que conheceram. Uma vez que os queiras realmente conhecer - aos álbuns, não àquelas canções que toda a gente trauteia, ficas de tal maneira pendurada naquilo que não queres outra coisa. E mesmo aquelas canções, pop, acessíveis, são do melhor que já foi feito na História. Muito do que conheces não existia se não fosse por eles."

O discurso pode não ter sido ipsis verbis este, eu sou uma exagerada. Mas acho que chegou a hora de perceber porque é que o meu pai responde sempre o mesmo. Hoje estive a ouvir o Abbey Road, o primeiro que me calhou às mãos, quando fui ao B da tal estante. E depois peguei no Revolver.

Estou assombrada. A s s o m b r a d a. Não tenho grandes palavras senão expressar a minha gigantesca ignorância por nunca os ter ouvido como agora.



Love you to* :: The Beatles :: Revolver

Each day just goes so fast,
I turn around, it's past,
You don't get time to hang a sign on me.
Love me while you can,
Before I'm a dead old man.
A life-time is so short,
A new one can't be bought,
But what you've got means such a lot to me.
Make love all day long,
Make love singing songs.
Make love all day long,
Make love singing songs.
There's people standing round,
Who'll screw you in the ground,
They'll fill you in with their sins,
You'll see.
I'll make love to you,
If you want me to.

*Um exemplozito de genialidade. Que nunca ninguém, nem no 3º milénio nem nunca, os esqueça.

11.8.08

New Bjork



X diz:
agora no teu blog
X diz:
adicionas um capítulo
X diz:
à cena New Bjork
X diz:
http://www.vmagazine.com/cms/files/0807lollaYYY1.jpg
Joni. diz:
:D
Joni. diz:
lovefoxx + bjork + karen o = wacky

10.8.08

Product placement.

Se isto fosse um blog a sério, teria acabado o último post com "passe a publicidade". "Fenistil, passe a publicidade".

Donde se depreende: isto não é um blog a sério. Mas se os senhores da Fenistil quiserem dar dinheiro pelo product placement, o mail para contactos está no canto superior direito (de quem olha para o monitor, esquerdo se estiverem atrás do monitor ou forem o monitor vocês mesmos).

Posso juntar-lhe a marca do repelente também, que o tempo é de crise.

Uma verdade inconveniente.

Aborda-se novamente o aquecimento global neste blog sem pretensões de falsos moralismos - desde que cada um faça o que lhe for possível, não estaremos mal de todo. O problema são os mosquitos.

Os mosquitos estão a subir de latitude. Encontraram na humidade da Madeira o conforto que a extremização de temperaturas nos trópicos não oferece. Temos por aqui a espécie de mosquitos que é vector de transmissão da dengue, para dar um exemplo (não infectam ninguém com dengue porque não há cá a doença, mas imagine-se que fulano vai ao Brasil e fica infectado, se na Madeira é picado pelo mosquito, esse mosquito passa a poder infectar outras pessoas através da sua picada). A situação não é de alarme, de todo.

A inconveniência é que os madeirenses que cá residem dessensibilizaram as picadas destes idiotas (já não fazem grandes reacções alérgicas). Eu não. Eu vivo em Lisboa. Eu sou picada e fico com grandes galos e com uma comichão tal que parece que tenho varicela.

Isto está de tal maneira que, quando fico em casa, para estudar, tomo banho de repelente de insectos. Na minha própria casa. Repelente. Comichão, se não o fizer.

Agora vão lá dizer ao Al Gore que ele é mentiroso e alarmista, vão. Mas levem Fenistil.

Pede-se educadamente ao subconsciente que vá ver se estou na esquina.

Ando a ter os sonhos mais esquisitos de sempre.

Só na última semana, já vi os Simpsons 2 (foi bestial, o filme, espero que na vida real também o seja), já fui visitar a minha sogra ao hospital - estava com uma pneumonia (a propósito, que sogra era aquela?, loura, de cabelo liso, pelos ombros), esta noite acampei com uma tribo africana (juro), há dias vi um concerto de Grizzly Bear numa sala parecida com a Aula Magna mas ao ar livre.

Não sei o que pensar disto; mas aposto que Freud teria uma boa explicação.

5.8.08

Eu não fico triste por ter de estudar, fico é invejosa por outros não terem de o fazer.

Não é que não me apeteça estudar, até que me apetece porque me apetece poder escolher Anestesi(ologi)a no sítio onde me der mais jeito, onde me apetecer, onde for melhor, etc.

Apetece-me estudar e todas as manhãs sento o rabo na mesa de jantar-secretária improvisada. Não alimento os vícios do gchat com a Tarte e o Rod e não leio quase nada dos meus feeds no greader, simplesmente porque só me autorizo a estar no computador cinco a dez minutos por intervalo que faça, mais coisa menos coisa.

Não é que não me apeteça estar no greader a ver ténis que nunca usarei (há, no entanto, uns Purcell a caminho da minha morada, finalmente). Só que eu penso "em vez disto, podia estar na praia" e não estou.

É então que transfiro o meu corpo alvo para a cadeirinha, volto a ligar o iPod, a concentrar-me nas folhas tamanho B4 (maior que A4, menor que A3) e nas canetas Stabilo e a fingir que a praia e o mar, como conceito de férias, são um conceito bastante aborrecido e que estar a estudar o Harrisson é a melhor coisa que podia acontecer ao meu mês de Agosto.

Não é que não me apeteça estudar, porque apetece; digamos só que em termos de programa uma coisa é fazer praia, outra é sublinhar parágrafos enquanto toda a gente chapinha no oceano Atlântico.

4.8.08

O Desumanos é umano e também herra.

Abaixo, diz-se que a Duffy vai interpretar o tema principal do próximo Bond. Nada de mais errado: falou-se nisso, na Amy antes. No Mark Ronson como produtor.

Aqui e acolá [inserir links para o The Guardian e outros se se tiver tempo, não tenho],já se noticiou que é a Alicia Keys a intérprete e que está a trabalhar no tema com o Jack White. Um caso de "seja o que Deus quiser", acho eu - pela mistura, não pelos talentos individuais de cada um. Isto é, eu gosto de morangos e de abóbora, mas sei lá eu como ficariam juntos.

É que às tantas herraremos de novo e vai ser a canção do ano, ou assim.

Lie to me.

Sempre que ele pede "mente-me se o desejares", toda eu páro. Já a mentira: nunca se saberá onde começa e onde acaba, se é que algum dia começou. Quanto de realidade existe numa mentira? Quanto de mentira existe numa verdade?

Mentem-nos demasiado ou acreditamos demasiado?

Lie to me if you will
At the top of Beringer Hill
Tell me anything you want, any old lie will do
Call me back to you

Back to you.




Fleet Foxes :: Ragged Wood


(Está mais ou menos descoberto o disco do ano.)

2.8.08

TRÊS MESES É UMA ETERNIDADE.



E Breeders é o meu 11º ano all over again, quando as conheci através do nick de irc do Hilário, cuja banda preferida eram, claro, os Pixies.

1.8.08

"Go ahead, you know you want it!"

Go ahead, you know you want it
You'll have no other way
you just want to take us down
go ahead,
I'll be the one hit
If I can take you, boy, it just might throw this town
Oh, you want to get it
You make us bleed, it'll prove there's life somewhere
And oh, no, I want to yell it
but do we speak or are we just nodding our heads




Santogold :: You'll find a way (Switch & Sinden rmx)


Detesto a L.E.S. Artistes, detesto mesmo (apesar de mne ficar na cabeça um dia inteiro), mas adoro a Santi de sotaque jamaicano a tresandar a dancehall. Agora que me passou o vício da Creator, é esta que ressaco.

31.7.08

Quando a música pára.

Para o Sebastian, ao som de Fleet Foxes.

Demora-se imenso tempo a ter um lugar, porque a vida não é a sala da Primária, com o nosso nome numa folha de cartolina tamanho A4 dobrada de forma a nos identificar. Mais depressa, nisto de se mudar, podemos comparar-nos com o jogo das cadeiras, em que um pobre cretino fica sempre de rabo no ar, atarantado, na busca vã de uma cadeira vazia para que não perca o jogo.


Quando pára a música.

Os outros riem-se, a música recomeça. O pobre cretino está fora do jogo.

Encontrar um lugar leva o seu tempo, isto quando se tem a sorte de encontrar um canto onde se pertença. É muito curioso isso no ser humano: querer descobrir-se e conhecer-se, pagar 200 euros por sessão de psicanálise, mais 100 por sessão de terapia de grupo e sair mais frustrado do que quando começara. Depois descobrir os seus pares, pessoas de percurso semelhante ou divergente do seu, mas que naquele momento estão como ele, algures sós, perdidas entre milhares de outros. Dão-se as mãos, sorri-se, confidencia-se. E quando pára a música está-se finalmente numa cadeira - está-se do outro lado, do lado de quem ri do pobre cretino que procura o seu assento.

Não é fácil ir embora sabendo que se tem de jogar o jogo das cadeiras noutro sítio qualquer. Impôr-se esse esforço colossal de ter onde encontrar conforto quando a música pára.

No silêncio aquilo que me vai safando é a alegria das partes de mim divididas entre todos os meus outros.

26.7.08

Duffy versus Amy

Adoro a voz da Amy-Winehouse-quando-sóbria; já a voz da sua so-called sucessora Duffy vai-me aos nervos de uma forma inqualificável (só aquele versito you got me beggin' you for mercy yeah yeah, aquele tom nasalado socorro).

Depois de ouvir o álbum quase todo da Duffy, posso ainda acrescentar uma coisa: na Duffy nada soa tão verdadeiro e autêntico como na Amy - eu sei que é fácil dizer isto tendo em conta a carruagem descarrilada com um escândalo todos os dias na primeira página do The Sun que ela se tornou -, e os arranjos são demasiado bem compostos, sem aquela genuinidade (genialidade, até) do Mark Ronson.

Se me permitem a conclusão - que apenas advém do facto do produtor do álbum ter sido guitarrista da banda - os arranjos da Duffy têm aquele lado dos Suede de que eu nunca fui lá muito fã, a opulência orquestral que rouba intimidade às canções.

Na Duffy há uma Warwick Avenue que parece começar bem e depois logo se afasta, e afinal a rapariga está a cantar por amor lá do alto do seu pedestal. Ora, ninguém escreve sobre desgosto quando está no topo dos seus saltos altos, de nariz empinado. Escreve-se sobre desilusão, isso sim, quando se está num canto de um quarto de persianas fechadas: é esse ambiente que o Ronson conseguiu dar às canções da Amy e torna o Back to Black tão bom.

De tal maneira bom que acho que vou ouvi-lo agora.

Noutras notícias, ao que parece já não é a Amy quem vai cantar o tema do próximo Bond, mas sim a Duffy. That's what you get for being a drunky.

24.7.08

21.7.08

Não consigo não pôr isto aqui.

A Rihanna não está onde está por acaso, não é a Jamaicana mais cool do mundo porque nasceu com o rabo para a lua, é assim porque faz coisas altamente válidas.



Ela aqui faz uma cover de uma das minhas canções preferidas de 2007 e de uma das minhas canções preferidas de 1998. E depois continua com a minha canção pop preferida de 2006 (que, por acaso, é dela e, para além de samplar, como ninguém, a Tainted Love dos Soft Cell - e Deus sabe como o Marylin Manson tentou, não é cover de nada).

Gente atrás dela, bom gosto pessoal, não me interessa muito. Adorava vê-la ao vivo.

Filhos de uma prostituta rameira.

Está a dar o Closer na televisão e só de ver o Jude Law a dar um beijo à Julia Roberts, logo ao início, já fico c'os nervos porque sei a quantidade de sofrimento que vem depois.

Raios os partam, ao filme, aos supracitados, ao amor que se parte, a esta incapacidade de estar satisfeito.

16.7.08

Jamie's School Dinners

É actualmente o meu programa de televisão favorito, se não contarmos com os Simpsons.

Já toda a gente ouviu falar em como o Jamie Oliver anda a tentar a mudar as cantinas pela Inglaterra a fora, o que nós não sabemos é a merda de comida que é servida aos putos nas cantinas*, a resistência que eles têm em experimentar tudo o que não seja falsamente dourado por óleo vegetal a 200º, as lágrimas que lhes caem em catadupa ao verem pratos de salada ou caril de vegetais ou wraps de frango (pensar que pagamos nós 3 euros na Go Natural para comer um wrap). E também desconhecemos o facto de que é uma refeição gratuita para os alunos (ah os países desenvolvidos!) e que para muitos deles a única (supostamente) decente porque os pais não têm dinheiro.

*Twizzlers de peru (aqueles smiley faces tipo douradinho), douradinhos de peixe, salsichas, batata frita, pizzas e hambúrgueres - por vezes há ervilhas e bróculos demasiado cozidos.

O que nós não sabemos também é que as cozinheiras não sabem cozinhar, porque a única tarefa delas desde há muito tempo é pôr estas porcarias pré-cozinhadas em óleo quente ou em fornos.

O programa anda a acompanhar o Jamie Oliver e a adorável Nora (a cozinheira da escola que serviu de tubo de ensaio ao projecto) nesta odisseia, desde formação a cozinheiras (foi a tragédia, quase nenhuma sabia sequer cozer esparguete) a piscares de olhos a professores (para envolvê-los no projecto), passando por ensinar os miúdos a cozinhar, a desfrutar dos vários sabores e texturas dos pratos bem feitos e arriscar experimentar coisas novas.

Seis meses depois, é bom ver os miúdos da primeira escola a pedir esparguete vegetariano, sem choros, sem birras.

No próximo episódio, o Jamie Oliver vai ao 10 Downing Street com dois pratos possíveis : o actual e o que ele quer introduzir. E o bom é que não se foge ao orçamento ao oferecer coisas saudáveis às crianças.

(Na Sic Mulher.)

14.7.08

Agora falta-me um gira-discos.


Aceitam-se mais presentes de fim de curso.

Um dos melhores presentes de sempre

Acabou de ser recebido por mim, em caixinha de cartão discreta e vindo da Suíça.



Em vinil, presente do Rodrigo de fim de curso. Obrigada. :* <3

13.7.08

Steve McQueen, I love you, why did you have to go?

DENIM SHIRT REVIVAL, JÁ!

Estava a ver um bocadinho do Ben Harper na televisão e reparei que sou totalmente a favor do regresso da camisa de ganga.

(Tudo a vasculhar o armário. Não me digam que já deram para caridade.)

(Os concertos dele continuam chatos chatos chatos.)

11.7.08

3:30 in the last night for you to save this
You’re zoning out, zoning out, zoning out, zoning out

This isn’t working,

you,

my
middlebrow

fuck-up.

Disco Sound 2008.

O concerto que mais gostei ontem - muito pelo factor surpresa, muito porque agora só me apetece dançar e ouvir concertos com muito ritmo e muito espectáculo - foi aquele que tinha a vocalista lésbica e a vocalista traveca que afinal era o vocalista apesar do corpo fabuloso e do cabelo brilhante.

Hercules and Love Affair, we now have an affair.

A cena.

Estavam a oferecer Wayfarers por cada bilhete comprado para o Alive?

Era o Encontro Anual de Wayfarer users de Lisboa?

As pessoas sabem que os Wayfarer, por muito que se queira pertencer a um qualquer movimento arty ou se seja um mero empregado da Bershka, não ficam bem a toda a gente?

6.7.08

Pediatria.

Quando se é criança e se está muito triste e/ou assustado, corre-se para os braços dos pais, seja a que horas for. Se for de noite, ocupa-se aquele espaço pequenino entre os dois na cama, ouve-se a inspiração mais pesada do pai e a mãe dá-nos um beijinho na testa e, entalada sob os corpos de ambos e o edredon pesado, adormece-se em paz, sem sonhos maus. Durante o dia, pode-se chorar alto em público, no meio da rua, que alguém vem logo em nosso socorro "perdeste a mamã?" e a mamã aparece ao fundo do corredor, ar consternado, "onde andavas? perdi-te no corredor dos champôs!" - acontecia-me imenso, distrair-me nos corredores do supermercado, ficar a olhar para os cremes, cheirar os aromas dos Ultra Suave todos, ver qual era a minha cor de cabelo segundo o catálogo da Elnett (era o Louro Dourado, na altura), deslumbrar-me com as cores dos batôns e as sombras de olhos - e depois a mãe abraça-nos e as lágrimas secam e, se tudo correr bem, ainda comemos um gelado à saída ou podemos ir ao corredor dos livros "mas depressa!" escolher um para ler quando se chegar a casa.
Não há decisões difíceis porque não as precisamos de tomar: o nosso lugar é ali, junto a eles, perto dos avós, dos tios e dos primos, o nosso único interesse é fazer os trabalhos de casa, cantar As Pombinhas da Catrina e ouvir os discos do pai, brincar com os Pin y Pon, fazer desenhos, moldar plasticina e pintar livros de colorir com números. Os afectos que temos pelos colegas da escola, por amigos que se fazem na praia ou no parque resumem-se a questões de idade, de companhia - e são esquecíveis, na medida em que quando o pai aparece, rapidamente nos levantamos e dizemos adeus. Os pais ajudam-nos se estamos indecisos em ver a VHS da Branca de Neve ou dos Peanuts, em comer iogurte de morango ou natural, em dormir em casa da amiga Carolina ou ir para Ponta Delgada com os primos.

Agora que se tem ancas, interesses próprios, amizades construídas com base nesses interesses em comum, nesses afectos, numa altura de mais ou menos necessidade de um amigo, objectivos definidos e metas delimitadas: os pais não podem decidir por nós porque invariavelmente teremos a sensação de que decidiram mal, nem se pode chorar na rua (ainda ontem contive as lágrimas, qual Maria Madalena) porque já se é grande e ocupamos demasiado espaço na cama de casal para nos podermos lá enfiar (além de que a cama está demasiado longe).

Não sei o que faça.

30.6.08

Yeasayer, ciclos circadianos e o Alentejo.

A 2080 de Yeasayer faz-me estar acordada

I can't sleep when I think about the times we're living in

desde que vim a conduzir o carro do Ilo de Évora a Lisboa, enquanto ele e o Rod dormiam (um ao meu lado, outro no banco de trás) e eu, sempre que a canção acabava, carregava furiosamente no botão que a fazia tocar de novo. Conduzi durante uma hora e quase meia e a 2080 tem cerca de 5 minutos, portanto, fazendo uso da aritmética, devo tê-la ouvido umas dezassete vezes, mais coisa menos coisa.

Foi também bom quando, à ida, o Ilo pôs a tocar o All Hour Cymbals tão alto que eu não conseguia ouvi-los a conversar nos bancos da frente e fiquei a ouvir a Sunrise enquanto olhava pela janela, com as cores junto ao Tejo, aquele verde esbatido de terra alagada a se transformar calmamente em planície dourada alentejana, os postes de electricidade com os ninhos de cegonha cheios de crias, as casas sobre os montes, esparsas, distantes, intocáveis.

Mas nada bate trautear

It's a new year, I'm glad to be here
It's a fresh spring, so let's sing
In 2080 I'll surely be dead
So don't look ahead, ever look ahead

porque muito pouca coisa faz publicidade ao presente como estes quatro versos. Roça a perfeição e eu fico mais desperta.

(As duas canções podem ouvir-se no myspace.)

28.6.08

Um post que não é bom, nem é mau, nem chega a ser assim-assim, mas tem dedicatória.

Tarte de limão merengada.

Estava para aqui a ouvir Stardust

úuu baby i feel like music sounds better with you
love might bring us back together
i feel so good

porque agora não tiro o álbum de Girl Talk dos ouvidos e ele sampla isto (ontem ouvi Ace of Base, só para terem uma ideia) e tenho andado de metro (o meu carro está parado desde terça feira, só o uso para ir ao ginásio, o que é, por si só, um paradoxo). Ando a reduzir a minha pegada ecológica e esta ideia tranquiliza-me (comecei a separar embalagens com algum rigor há coisa de dois meses, antes só punha lá as de detergentes).

Ao mesmo tempo, acabo um trabalho e falo no google chat com o melhor amigo que poderia ter arranjado no mundo, que me faz rir mal começa a falar comigo, que me ouve (bem, que me lê) e tem imensa paciência e fala comigo de assuntos tabu sem me julgar - pior, adivinhando sobre o que quero falar quando estou com vergonha de dizer. Ainda por cima, é bonito como muito pouca gente, quase ninguém é bonito daquela forma altiva mas indiferente e não é nada vaidoso.

Passei dos Stardust a Modjo, via Related Videos do youtube

Lady hear me tonight 'cause my feeling is just so right


E disto, pela mesma via, para Armand van Helden,

you don't even know me, you say that i'm not living right

que é bem capaz de ser, a par da Music sounds better with you, das melhores coisas para dançar à frente do espelho duplo do armário da minha avó, que me repetia mil vezes como naquele vídeo dos Chemical Brothers (que eu também adorava, back then), aos 13 anos. Já tem séculos tudo isto.

Mas a sensação que tinha na altura era a mesma que tenho hoje, uma estranha e particularmente estrangeira quantidade de paz distribuída irmãmente pelo corpo, com aquilo que sou e me tornei, em virtude do que fiz, em virtude das pessoas com que me fui cruzando.

Tudo isto faz-me aceitar muito bem seja o que for que aconteça nos próximos tempos.

24.6.08

En effet:

JE VEUX TE VOIR.

Lá, lá, lá.

(Ton corps est trop crunk pour assurer les Dunk.)

21.6.08

Wordle.

Photobucket

Com este excerto: "And at the same time there was the absentee lover, who was gone and not interested, or playing a lot of games with me, and I went a little bit crazy, kind of nuts. It happens."

Que continua assim: "'It was all right at the beginning, but the mistake was that it happened over and over and over and I couldn't seem to get out of it. And that's been my nemesis. That's been the whole thing.'

'Didn't you have any affairs that weren't fraught - that were pleasant?'

'Sort of.'

'What happened to those?'

'I got bored.'

Do livro Deception, do Philip Roth.

16.6.08

Esta merda é sinistra

O meu vizinho (descobri que é do 4ºC e não do 6ºC, como eu julgava), aquele que ouve os discos um mês depois de eu os ouvir, está a ouvir a abcedário das A.M.O.R. (malha, já tem um ano e ainda rende, passou o teste do tempo)*, que eu estava a ouvir até há coisa de dois minutos.

Eu quero conhecê-lo. Se calhar vou começar um blog para chegar até ele (eu sei que é ridículo, é só descer as escadas, mas eu tenho vergonha de ir lá bater à porta "gosto do teu gosto musical"). E se este gajo descobriu a rapariga por quem se apaixonou no metro de Nova Iorque - sim, Nova Iorque, e eu moro em Lisboa -, tudo é possível.

P.S. É provavelmente exagerado falar de "teste do tempo" por um ano, mas hey! alguém ainda ouve Lady Sovereign aqui? I rest my case.

14.6.08

Dos vestidos e de outras promessas

Desconfio que estou a ficar mais mulher. Experimentei um vestido antigo e, em vez do habitual cair solto corpo abaixo até ao joelho, agora, após preencher a reentrância de uma cintura fina, marcada por muitos anos de exercício físico, molda-me umas ancas cuja existência era-me ainda profundamente desconhecida. Por outro lado, hoje a minha voz está extremamente mais aguda (hoje mais aguda, não aquilo que há tempos notaram do falar mais tranquilo e pausado), em vez da rouquidão pubescente, muito por culpa da sinusite, muito por culpa dos genes.

Ia estar caladinha em relação a isto, mas esbarrei com este vídeo e lembrei-me desta cena adorável do My Blueberry Nights (uma das melhores conseguidas de todo o filme, apesar de breve - ou talvez por isso, por se topar tão, mas tão bem como estes dois palermas vão se amar para todo o sempre, mesmo quando em relações com outras pessoas). Distam entre ambas as filmagens quase dez anos, várias depressões, outras quantas desintoxicações, muitas mais bebedeiras.

Preocupa-me que só alguns de nós cresçam enquanto vivem e outros vivam sem crescer, no marasmo peterpânico dos golpes aparados e das quedas amparadas.

P.S. A propósito de crescer, vejam as entrevistas à Cat Power acerca do Jukebox, quando ela diz "eu precisava de cantar qualquer coisa que não me trouxesse memórias" aqui, ou noutra, à MTV Canada, em que ela fala do processo de sober up. Um dia pararei com os cotejos entre ela e a minha pessoa. Mas há qualquer coisa muito escondida, muito para além de tudo o que está à vista, que me faz gostar dela como de se uma amiga se tratasse.

Versão beta 2.0

Esta é uma versão beta da Joana que conhece. Por favor, ajude-nos a melhorá-la.

Lamentamos informá-lo de que há muita coisa diferente nesta Joana; se é incapaz de se lhe tomar os comandos html, temos pena.

A música imita a vida, ou será o contrário, e como qualquer coisa que escreva começa e acaba em ti, inevitavelmente.

Gosto muito de uma coisa no meu iTunes: o facto de que, quando acaba o álbum de Osborne - "uma viagem pela house de Detroit dos anos 80, passando pelo techno" escreveu mais ou menos assim quem sabe notoriamente mais da poda que eu sobre aquele que já é um dos meus álbuns do ano, sem dúvida de qualquer espécie, e que lamentalvelmente ainda não fui comprar à Flur porque me tem faltado a paciência para ir a Santa Apolónia, daí que ainda o ouça através da playlist do meu iTunes - mas, dizia eu, quando acaba o álbum de Osborne - chamado Osborne, repleto de referências a tudo e mais alguma coisa que indivíduo que frequente prazeirosamente uma pista de dança à quinta/sexta/sábado à noite, pela madrugada fora, já tenha ouvido, dançado, abanado a peida ao som de, ou apenas movimentado a nuca para a frente e para trás, adoptando aquela postura roqueira de quem em casa é gajo para ouvir uns Comets on Fire ou até mesmo uns Can, se o ouvido estiver para isso e a namorada tiver ido jantar sushi com as amigas, mas no andar de baixo do Lux está disposto a perder a cabeça pelo último maxi de um qualquer DJ alemão; também observo com gosto que no disco de Osborne se pode apenas fruir e desfrutar mentalmente e aí vêm-me à cabeça melómanos melancólicos que olham atentamente para o DJ e - talvez, talvez! - mexam o pézinho ou agitem as mãozinhas, porque até gostam daquilo e estão atentos ao que saíu na Ghostly e na DFA, mas gostam mesmo mesmo é de coisas indíchóninhas - ora iniciei eu este post com aquilo que gosto na minha playlist do iTunes, é que, quando acaba o disco de Osborne, um dos discos do ano para qualquer pessoa que esteja viva e respire e, se possível, tenha ouvido o álbum e gostado (e se gostou quer dizer que o dançou), logo quando a dança acaba, parece que são 7 da manhã e os seguranças estão a expulsar-me do Lux com um sempre simpático "vamos fechar, dirija-se à saída" e o DJ resolve despedir-se de nós com uma faixa calma, porque sabe que dali vamos mas é - e depressa - para a cama, quer seja acompanhada - ou não.

É que quando acaba o disco do Todd Osborn no meu iTunes, começa a Keep on Rolling dos Quiet Village e isto soa mesmo a tranquilizante, a despedida, a nascer do sol, a última bebida, a beijo que se quis dar a noite toda mas só agora se teve coragem.

9.6.08

Puta do calor. Puta de vida.

Chegou a casa sem destino. Isto é, como quem não queria ali chegar por ser grande a vontade de estar de rabo no ar, a espairecer na esplanada com a cara ao sol e a testa franzida para que os olhos se cerrem e protejam as íris dos ultravioletas. Por isso, pousou as chaves na mesa da entrada, um gesto automático e barulhento que avisa "cheguei!". Só que desta vez não avisava ninguém porque, entre as paredes pintadas a tinta de água cor casca de ovo, nenhum outro corpo exalava uma mistura desigual de oxigénio desperdiçado, dióxido de carbono e água para além do dele. Nada mais se movia que não a cortina junto à janela que deixara aberta nessa manhã para arejar, até porque o corpo dele mantivera-se estático, irritado por ter subido os três andares daquele prédio nos subúrbios para entrar naquele apartamento mortiço em vez de se ter deixado ficar na esplanada, cara ao sol, testa franzida, olhos fechados, íris protegidas.

Voltou a chamar-lhe um nome, um palavrão rasca, uma classificação que ela provavelmente não merecia.

Puta.

Puta de merda.


6.6.08

*Bocejo*

Este blog anda maçador. Até a mim se aborrece, mas entre hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa hospital casa não há grande inspiração para mais nada.

30.5.08

Em jeito de agenda, e à falta do Porto

Há Young Marble Giants e Vampire Weekend no Porto. Não podendo, há a belíssima Scout Niblett na ZDB, hoje.

Infelizmente sem o Bonnie, para poderem tocar isto e eu deixar a alma derretida no soalho do aquário da Zé dos Bois.


:: Kiss

Estará só ela, o que significa isto:


:: Wolfie

Pode não ficar lá a alma, mas há-de ficar qualquer coisa.

Não pude fazer nada.


ANIMAL COLLECTIVE :: BROTHER SPORT*

Gente, depois de mil duzentos e trinta e cinco posts sobre os National, queria dizer-vos que os Animal Collective são a melhor coisa que aconteceu à música no século XXI e a minha banda preferida**. E que vou comprar um gira-discos não para ter LPs do Russell, mas sobretudo para ter a discografia dos AC em vinil. Conto fazer isso com o meu primeiro ordenado.

Já disse isto, e volto a dizer, a influência que os Animal Collective tiveram sobre mim como pessoa-que-ouve-música (e que acabou por influenciar todo, mas mesmo todo, o resto) fazem desta a banda mais importante dos últimos anos. A forma exemplar como me abriu os horizontes, ensinando-me - sem falsos moralismos nem pretensões- a desfrutar de todo e qualquer género de música, desde o noise dos Black Dice à electrónica minimal do The Field, passando pelo psicadelismo afrodançável do Fela Kuti e pelo hiphop intervencionista dos Public Enemy, tudo passou a fazer parte da minha vida: de alguma forma, e porque a música é bem mais do que apenas música ou uma forma de arte, é uma forma de vida, gostar dos AC e tudo o que depois disso veio, tornou a minha vida muito melhor.

Quarta feira no Lux: um concerto tão mas tão bom. Porque depois de tudo isto música é apenas música, e se for da boa, faz dançar, cantar (eu sei tanta coisa de cor, para surpresa minha), comover, mover, fazer headbangin', pular. E se for da realmente boa, tem luzes epileptogénicas a acompanhar e, em pouco mais de uma hora de concerto, não estamos bem lá, mas estamos com eles, na melhor e mais inexplicável sensação do mundo que existe (que é ver a banda que mais gostamos ao vivo).

Os maiores, os maiores.

*Acabou assim, o concerto***. E eu não consigo acabar este post porque parece-me que tudo o que escrevo é pouco.

**E eu sou a Feels, por isso, pelo amor de Deus!

***Não acabou nada, nem devia, porque depois houve a ansiada Grass.

27.5.08

Temos duas hipóteses, mas só me apetece uma delas.

Portanto: pé direito e juízinho desta vez.

Não me apetece escolher, quando já escolhi.

21.5.08

"It's called the land of permanent bliss, what's a sweetheart like you doing in a dump like this?"

Só para concluir esta série de posts "o meu pai é o maior e eu não seria nada do que sou se não tivesse ouvido com ele os melhores músicos-poetas do mundo", o meu pai pôs ver o Bob Dylan de parte com a expressão "deve estar tão acabado que vê-lo é uma questão de dizer que se esteve lá". Eu estive lá, em 2004, e realmente foi isso. Há certas lendas que, mesmo em vida, devem manter-se lendárias, protegidas pelas memórias que não são as nossas e pelas gravações de má qualidade de excelentes concertos há muitos anos atrás. Lembro-me que a desilusão foi tal que não ouvi disco nenhum dele durante largos meses após o concerto (e estava na Madeira, com os discos do meu pai à disposição) - e, depois disso, aprendi a não criar muitas expectativas, sobretudo quando se trata de um concerto de alguém velho e/ou drogado.

Talvez por causa dessa lição não tenho medo de me desiludir com o Cohen ou o Young, e de certeza que quero manter-me longe do Alive no dia do Bob Dylan.

Este post cita a "Sweetheart like you" do Infidels, o anterior cita "Famous Blue Raincoat" do Songs of Love and Hate do Leonard Cohen e o primeiro "Harvest Moon" do Harvest do Neil Young. O Infidels já é dos anos 80 e anda pela minha casa sob a forma de um disco compacto, os outros dois existiam em vinil, com cópias em K7 para andarem no carro, mas ninguém lhes sabe do paradeiro desde há algum tempo.

"I guess that I miss you, I guess I forgive you, I'm glad you stood in my way"

Por outro lado, também me parece claro que irmos juntos ver o Leonard Cohen, cujos álbuns, segundo os seus mais recentes relatos, tocavam insistentemente em cassetes no BMW do meu avô, quando e enquanto o meu pai namorava com a minha mãe (não quero sequer pensar de que forma é que poderá o Cohen ter inspirado o meu nascimento) seria uma experiência memorável.

"Because I'm still in love with you, I wanna see you dance again"

É bastante provável que ir ao Alive ver o Neil Young com o meu pai seja uma óptima ideia.

19.5.08

Adenda: nem é cansaço, é talvez medo.

Tenho medo que isto tudo me tenha afectado mais do que aquilo que devia, que o V. tenha razão e eu tenha perdido alguma coisa daquilo que eu era por causa de tudo isto. Sinto-me mais reservada e menos luminosa, características que descrevem um tipo de pessoa que não eu.

E isto não é crescer. Se é, então não quero ser grande.

Sleeping is the only love.

Aqui vou eu a caminho das minhas (não) tantas horas de sono.

A feira (uma analogia com o post anterior)

Tenho a certeza que há pessoas com vidas que são viagens de comboio no Alfa Pendular (sempre em terreno plano, sem relevo, com alguma trepidação, mas sem mudanças bruscas). Não devo , no entanto, estar sozinha nisto de uma vida de montanha-russa, em que ora estou nos píncaros da felicidade, ora estou a desejar retirar-me para um eremitério.

Há adrenalina nisto tudo e eu não quero estar a queixar-me, mas ultimamente tenho mesmo vontade de sair da montanha russa e ir para o carrocel dos cavalinhos, aquele em que nos apoiamos na crina de plástico de um cavalo enquanto se anda à roda, sempre fixo ao chão, livre de emoções extremas, trezentos e sessenta graus de tranquilidade ao som de um acordeão melancólico.

Penso nisso e parece-me mesmo bem.

O pessimismo mascarado de cansaço (ou vice-versa).

Estou tão cansada. Cansada de estudar, de trabalhar, de fazer bancos, de mandar sms sem resposta, de não responder a sms por estar cansada, de chegar a casa e ter +1000 feeds do google reader para ler, de tentar lê-los a todos porque estou cansada de não saber nada, de dormir 7 horas e sentir que é suficiente mas depois continuar cansada, cansada de acordar sozinha sem ninguém com quem ir passear ao fim de semana de manhã, cansada de não fazer um prato de forno - à excepção de um crumble de maçã, há uma semana - há imenso tempo, cansada de usar o 32 copa A, cansada de ter lábios finos/inexistentes, de tentar ser perfeita desde 1984 e ainda não o ter conseguido, cansada de perceber que nunca o hei-de conseguir, cansada de ser eu e não conseguir ser outra pessoa, cansada de ter paixões impossíveis (mesmo cansada disso), cansada de não gostar nunca de quem gosta de mim, cansada de me achar feia, cansada de fazer poesia e de a gastar, cansada de que seja tudo efémero, cansada de ser romântica, cansada de ir no metro na expectativa de ter alguém à minha espera sentado nas escadas do prédio, que me diga demoraste, mesmo que só esteja ali há cinco minutos, cansada de achar que ninguém sente a minha falta, cansada de não conseguir dizer isto a ninguém, cansada de achar que todas as opções que fiz até hoje foram sempre as erradas, cansada de chegar atrasada a todo o sítio, cansadíssima de tentar chegar a horas e não conseguir, cansada de tentar arrumar o quarto, cansada de pensar se quero ficar em Lisboa ou quero regressar para a Madeira, cansada, é isso, estou mesmo cansada.

15.5.08

WHY?

Just because.

13.5.08

12.5.08

Estava a reler o post anterior e

Acho que não consigo pôr em palavras o quanto gosto dos National. Não sei se é uma limitação minha, se calhar é, mas qualquer coisa que escreva parece-me sempre aquém daquilo que realmente foi/é/sinto.

O Vítor escreveu isto no Juramento:

Provavelmente...

...este concerto dos National teve o mesmo significado para a geração que hoje tem 20-25 anos e que hoje enchia a Aula Magna que o concerto dos Tindersticks, naquele mesmo local, teve para a minha geração.
E eu imagino que emocionalmente seja, sim, exactamente o mesmo. Curiosamente, acho que se há coisa de 10 anos (faz contas: 1998, dez anos, bolas, estou mesmo velha), tivesse visto os Tindersticks na Aula Magna e tivesse um blog como este, teria escrito um post sobre o facto de não conseguir pôr em palavras o quanto gosto deles também. E significado foi uma palavra muito bem escolhida.

Ainda o domingo.



Está tudo ainda meio apardalado. Eu ainda estou. Sei que aconteceu isto que aqui se mostra ontem e que não tem paralelo com nada que eu alguma vez tenha visto naquela sala ou em tantas outras (e os Yo La Tengo já saíram da sala pela porta das doutorais a cantar a Nuclear War - if they push that button, ass gotta go - há coisa de ano e meio, portanto não estamos a falar de amendoins). O público estava ganho desde o início, até mesmo quando as luzes estavam apagadas e eles ainda não estavam em palco e estava a dar Bon Iver (isso, deu Bon Iver antes do concerto, porque um concerto de National não era suficientemente arrepiante para aquela gente). Pôr-se de pé logo na primeira canção significa, efectivamente, que a banda podia limitar-se a ser competente que a noite estava feita.

A verdade é que estávamos ali de braços abertos e que quem é bem recebido acaba por tentar oferecer tudo aquilo que pode e oferece mesmo aquilo que à partida não podia. Há fotografias do Senhor Manel no Fórum Sons que mostram a sensação que é olhar para a frente e ver uma plateia ao rubro, uma missa de domingo em absoluta redenção. Deve ser das coisas mais gratificantes de uma vida. (É nessas alturas que me apetece ser estrela de rock, adeus doentinhos, adeus corredores de hospital, tenho concertos para dar. Cada macaco no seu galho, adiante.) Ora perante aquilo: os National excederam-se, superaram-se, soaram melhor que em qualquer concerto ao vivo que eu tenha ouvido em mp3 (vários, montes deles)ou tenha assistido (um só). Cada canção passou a ser um hino, um cântico e, apesar de algumas palmas completamente inoportunas,

pá, malta, é assim tão difícil esperar que a canção acabe, caraças? estragaram-me o final da slow show - com o piano e vocês arruinaram-no - e mais uns quantos inícios e mais alguns finais. Não se faz, a sério.

muito do entusiasmo do público acabou por fazer do concerto a noite mais que memorável que foi. A Slow Show começou calminha, não houve Lit Up, não houve canções do The National nem do Sad Songs, e houve as dispensáveis Ada e Racing like a Pro, que se trocavam por duas cançõezinhas daqueles álbuns que mencionei. Mas é assim mesmo, creio: gosta-se tanto que se quer sempre mais.

Arrepiante, intenso, mágico, inolvidável, emocionante. Não me lembro de outra forma de terminar este post senão assim.

O Domingo de todas as emoções.

1. Acordei e li montes de coisas, das quais fiz share no greader, sobre a despedida do Rui Costa.
2. O telejornal da RTP1 fez uma retrospectiva da carreira e mostrou o dia em que o Rui Costa marcou um golo contra o Benfica e chorou. Benfica, car*lho!
3. Comprei a Bola com a capa do Rui Costa.
4. Fui buscar os meus pais e manos ao aeroporto, vindos de Paris. O meu irmão já fala imenso, por exemplo ligámos o relato e ele gritou "Golo!" e também a resposta ao "onde está a Joana?", que é "está ali!", ou "dá guga", que é dá *qualquer coisa*. Depois dançou na H&M e no restaurante. E brincámos às escondidas, em que eu quando apareço digo "cúcú". Ele desmancha-se a rir. O meu irmão consegue me emocionar mais que o Rui Costa.
5. O Rui Costa faz o jogo da época na sua despedida de dentro do campo.
6. National. Melhor que em Barcelona. Sublime.
7. <3.

É normal que não me apeteça ir dormir.

10.5.08

"You took the wind out of me."

Uma estante encastrada, que separa a entrada da sala como um biombo, mas sem prateleiras, sem objectos senão um cinzeiro vazio. Ela está encaixada ali: as costas contra um dos lados, as pernas em ângulo recto, os pés apoiados no lado oposto. O olhar difuso.

sweetie, you don't look so good
your bottom lip is bleeding.
i cut it on your collarbone
go on, go back to sleep.


Fuma, sem estar atenta ao cigarro, os dois dedos segurando-o apenas levemente pela ponta que não queima e o outro lado com cinza acumulada, a ponta laranja como único ponto de luz da sala na penumbra.

sugar, who were you thinking of?
you woke me with your breathing.
honey, how am i supposed to tell?


Quando se concentra - quando volta àquela sala depois da viagem que o cigarro sempre lhe proporciona, a cabeça leve - o olhar vê-o, um pingo da cabeça aos pés e pela primeira vez lê-lhe o medo nos olhos, nas duas mãos encontradas no centro do tronco, que depois se arrumam nos bolsos, que depois saem, uma para roer uma unha, outra para despentear o cabelo. Hirto, uma peça húmida que ali jaz, sem dizer palavra. Uma sombra daquilo que foram, o fantasma que tenta, sem remédio - nem a morte, nem a morte - afastar, que todos os dias esconde atrás das camisolas de lã do Inverno.

Pergunta-lhe "What." mas é só porque não consegue estar mais tempo calada e os lábios tremem-lhe a ele, e ela não sabe se é frio se é nervosismo.

"I was in the neighbourhood, 'thought I'd stop by to show you this beautiful song before you leave."

"You live half hour away from me - if there's no traffic. You work in the industrial area."

"I came to see you."

"This is so fuckin' cliché, for Christ's sake. The rain, you stopping by to see me just when I'm about to leave."

"It's not my fault."

"I know that this is me writing, but it actually is your fault, in part. Everything about you is so damn impredictable, but in the end it just turns out to be so disillusional."

"Don't -"

"You're aware you could change it all, right?"

Ela pára de falar e olha para a ponta do cigarro. Deita a cinza morta no cinzeiro. Continua.

"Move in with me. Better still, let's move together to a place downtown."

i'd do you better than you do
i'd do you better than you ever will.

when i am on bitters and absolut.


"O.K.. let's do it."

Sorriem, ele primeiro, ela depois, só depois de acreditar e nem sempre é logo, às vezes leva dias.

"I feel like kissing you right now, but I'm not going to because of the smoke."

"Don't turn this into another enormous Hollywood cliché. Start looking for apartments instead."

Dois jornais, antigos, no chão, um para cada braço estendido, as páginas viradas depressa até ao suplemento de imobiliária, a leitura na diagonal e o corpo inebriado - e já não pode ser do cigarro.

"You know what, fuck the smoke, let's kiss."

Ela ri-se, apaga o cigarro, levanta-se depressa.

if i were a spy in the world inside your head
would i be your wife in a better life you led?


The National :: Bitters and Absolut :: The National

Para ouvir: aqui.

9.5.08

A minha série preferida.

Uma pessoa sabe que uma série de desenhos animados não é bem apenas uma série de desenhos animados quando olha para o céu e diz que "está um céu à Simpsons". A metereologia nunca há-de estar à Lost ou à Heroes ou à Dexter.

Já agora, apresento-vos a Joanie Simpson.Photobucket

8.5.08

You own me, there's nothing you can do.

Esta não é a canção mais tocada dos National, nem pouco mais ou menos, o que é completamente parvo. É das canções que mais gosto, apesar de nem representar bem aquilo que mais gosto na música deles (está tudo lá, de qualquer modo, talvez não aprimorado como no resto, mas a delicadeza que se encontra a cru com o modus abruptus de contar uma história está lá e o dedo que aponta à ferida também).

E a letra, nada subtil. Lucky you, stupid bastard.



Este post, mais do que "como quero que a toquem", é um pedido para um momento de apneia no Domingo.

7.5.08

Um espectáculo rápido.

Don't even get me started on: as músicas mais catártico-explosivas do Alligator -Abel, Mr. November e Lit Up (esta é raríssima em concertos, por isso duvido muito, mas há que ter esperança, para o Mário não se chatear por convencê-lo a ir).

Partiremos a Aula Magna ao meio. Cadeiras fora do lugar, gritos e conflitos serão permitidos.

I won't fuck this over, I'm Mr. November.


My mind's not right.


In a little while you'll be here, the only good part of me.


Amanhã, não perca: as canções pré-os últimos dois álbuns e como as quero ver tocadas.

Um espectáculo lento.

A versão da Slow Show em Barcelona estava demasiado acelerada para o meu gosto. Foi uma desilusão, no sentido em que não é possível verdadeiramente se desiludir com isto:


Para causar redenção, apaziguamento, resolução interna, tem de ser tocada com o ritmo do álbum, aquele em que se transforma acima quando ele canta "you know i dreamed about you for twenty-nine years before i saw you, coiso e tal, i missed you for twenty-nine years." Precisa também daquele início com a guitarra em distorção - um início que, devo dizer, reconheço em qualquer parte do mundo, como se provou esta tarde quando começou a dar no canal de "música alternativa" do meo, uma espécie de rádio televisiva, sem videoclips, e eu estava a lavar a louça e desliguei a água para poder ouvir bem. Mais parecido com isto, portanto:



É a minha música preferida do Boxer desde a primeira vez que o ouvi, nos idos Junhos de 2007. Vai partir corações domingo, vão ver só.

(Ú-ú's, palmas, YEAH'S, toc'aquela, assobios ou qualquer outro sinal de regozijo que agora não me ocorra, resultará em carnificina. Juro.)

Faltam quatro dias para o concerto dos National na Aula Magna.

Baby, we'll be fine
All we gotta do is be brave and be kind

I put on an argyle sweater and put on a smile
I don't know how to do this
I'm so sorry for everything

Ouvir isto ao vivo de novo, a sala a média luz e a música a entrar por mim a dentro. Domingo.



Vídeo do Vincent Moon. Quero o DVD.