30.5.08

Em jeito de agenda, e à falta do Porto

Há Young Marble Giants e Vampire Weekend no Porto. Não podendo, há a belíssima Scout Niblett na ZDB, hoje.

Infelizmente sem o Bonnie, para poderem tocar isto e eu deixar a alma derretida no soalho do aquário da Zé dos Bois.


:: Kiss

Estará só ela, o que significa isto:


:: Wolfie

Pode não ficar lá a alma, mas há-de ficar qualquer coisa.

Não pude fazer nada.


ANIMAL COLLECTIVE :: BROTHER SPORT*

Gente, depois de mil duzentos e trinta e cinco posts sobre os National, queria dizer-vos que os Animal Collective são a melhor coisa que aconteceu à música no século XXI e a minha banda preferida**. E que vou comprar um gira-discos não para ter LPs do Russell, mas sobretudo para ter a discografia dos AC em vinil. Conto fazer isso com o meu primeiro ordenado.

Já disse isto, e volto a dizer, a influência que os Animal Collective tiveram sobre mim como pessoa-que-ouve-música (e que acabou por influenciar todo, mas mesmo todo, o resto) fazem desta a banda mais importante dos últimos anos. A forma exemplar como me abriu os horizontes, ensinando-me - sem falsos moralismos nem pretensões- a desfrutar de todo e qualquer género de música, desde o noise dos Black Dice à electrónica minimal do The Field, passando pelo psicadelismo afrodançável do Fela Kuti e pelo hiphop intervencionista dos Public Enemy, tudo passou a fazer parte da minha vida: de alguma forma, e porque a música é bem mais do que apenas música ou uma forma de arte, é uma forma de vida, gostar dos AC e tudo o que depois disso veio, tornou a minha vida muito melhor.

Quarta feira no Lux: um concerto tão mas tão bom. Porque depois de tudo isto música é apenas música, e se for da boa, faz dançar, cantar (eu sei tanta coisa de cor, para surpresa minha), comover, mover, fazer headbangin', pular. E se for da realmente boa, tem luzes epileptogénicas a acompanhar e, em pouco mais de uma hora de concerto, não estamos bem lá, mas estamos com eles, na melhor e mais inexplicável sensação do mundo que existe (que é ver a banda que mais gostamos ao vivo).

Os maiores, os maiores.

*Acabou assim, o concerto***. E eu não consigo acabar este post porque parece-me que tudo o que escrevo é pouco.

**E eu sou a Feels, por isso, pelo amor de Deus!

***Não acabou nada, nem devia, porque depois houve a ansiada Grass.

27.5.08

Temos duas hipóteses, mas só me apetece uma delas.

Portanto: pé direito e juízinho desta vez.

Não me apetece escolher, quando já escolhi.

21.5.08

"It's called the land of permanent bliss, what's a sweetheart like you doing in a dump like this?"

Só para concluir esta série de posts "o meu pai é o maior e eu não seria nada do que sou se não tivesse ouvido com ele os melhores músicos-poetas do mundo", o meu pai pôs ver o Bob Dylan de parte com a expressão "deve estar tão acabado que vê-lo é uma questão de dizer que se esteve lá". Eu estive lá, em 2004, e realmente foi isso. Há certas lendas que, mesmo em vida, devem manter-se lendárias, protegidas pelas memórias que não são as nossas e pelas gravações de má qualidade de excelentes concertos há muitos anos atrás. Lembro-me que a desilusão foi tal que não ouvi disco nenhum dele durante largos meses após o concerto (e estava na Madeira, com os discos do meu pai à disposição) - e, depois disso, aprendi a não criar muitas expectativas, sobretudo quando se trata de um concerto de alguém velho e/ou drogado.

Talvez por causa dessa lição não tenho medo de me desiludir com o Cohen ou o Young, e de certeza que quero manter-me longe do Alive no dia do Bob Dylan.

Este post cita a "Sweetheart like you" do Infidels, o anterior cita "Famous Blue Raincoat" do Songs of Love and Hate do Leonard Cohen e o primeiro "Harvest Moon" do Harvest do Neil Young. O Infidels já é dos anos 80 e anda pela minha casa sob a forma de um disco compacto, os outros dois existiam em vinil, com cópias em K7 para andarem no carro, mas ninguém lhes sabe do paradeiro desde há algum tempo.

"I guess that I miss you, I guess I forgive you, I'm glad you stood in my way"

Por outro lado, também me parece claro que irmos juntos ver o Leonard Cohen, cujos álbuns, segundo os seus mais recentes relatos, tocavam insistentemente em cassetes no BMW do meu avô, quando e enquanto o meu pai namorava com a minha mãe (não quero sequer pensar de que forma é que poderá o Cohen ter inspirado o meu nascimento) seria uma experiência memorável.

"Because I'm still in love with you, I wanna see you dance again"

É bastante provável que ir ao Alive ver o Neil Young com o meu pai seja uma óptima ideia.

19.5.08

Adenda: nem é cansaço, é talvez medo.

Tenho medo que isto tudo me tenha afectado mais do que aquilo que devia, que o V. tenha razão e eu tenha perdido alguma coisa daquilo que eu era por causa de tudo isto. Sinto-me mais reservada e menos luminosa, características que descrevem um tipo de pessoa que não eu.

E isto não é crescer. Se é, então não quero ser grande.

Sleeping is the only love.

Aqui vou eu a caminho das minhas (não) tantas horas de sono.

A feira (uma analogia com o post anterior)

Tenho a certeza que há pessoas com vidas que são viagens de comboio no Alfa Pendular (sempre em terreno plano, sem relevo, com alguma trepidação, mas sem mudanças bruscas). Não devo , no entanto, estar sozinha nisto de uma vida de montanha-russa, em que ora estou nos píncaros da felicidade, ora estou a desejar retirar-me para um eremitério.

Há adrenalina nisto tudo e eu não quero estar a queixar-me, mas ultimamente tenho mesmo vontade de sair da montanha russa e ir para o carrocel dos cavalinhos, aquele em que nos apoiamos na crina de plástico de um cavalo enquanto se anda à roda, sempre fixo ao chão, livre de emoções extremas, trezentos e sessenta graus de tranquilidade ao som de um acordeão melancólico.

Penso nisso e parece-me mesmo bem.

O pessimismo mascarado de cansaço (ou vice-versa).

Estou tão cansada. Cansada de estudar, de trabalhar, de fazer bancos, de mandar sms sem resposta, de não responder a sms por estar cansada, de chegar a casa e ter +1000 feeds do google reader para ler, de tentar lê-los a todos porque estou cansada de não saber nada, de dormir 7 horas e sentir que é suficiente mas depois continuar cansada, cansada de acordar sozinha sem ninguém com quem ir passear ao fim de semana de manhã, cansada de não fazer um prato de forno - à excepção de um crumble de maçã, há uma semana - há imenso tempo, cansada de usar o 32 copa A, cansada de ter lábios finos/inexistentes, de tentar ser perfeita desde 1984 e ainda não o ter conseguido, cansada de perceber que nunca o hei-de conseguir, cansada de ser eu e não conseguir ser outra pessoa, cansada de ter paixões impossíveis (mesmo cansada disso), cansada de não gostar nunca de quem gosta de mim, cansada de me achar feia, cansada de fazer poesia e de a gastar, cansada de que seja tudo efémero, cansada de ser romântica, cansada de ir no metro na expectativa de ter alguém à minha espera sentado nas escadas do prédio, que me diga demoraste, mesmo que só esteja ali há cinco minutos, cansada de achar que ninguém sente a minha falta, cansada de não conseguir dizer isto a ninguém, cansada de achar que todas as opções que fiz até hoje foram sempre as erradas, cansada de chegar atrasada a todo o sítio, cansadíssima de tentar chegar a horas e não conseguir, cansada de tentar arrumar o quarto, cansada de pensar se quero ficar em Lisboa ou quero regressar para a Madeira, cansada, é isso, estou mesmo cansada.

15.5.08

WHY?

Just because.

13.5.08

12.5.08

Estava a reler o post anterior e

Acho que não consigo pôr em palavras o quanto gosto dos National. Não sei se é uma limitação minha, se calhar é, mas qualquer coisa que escreva parece-me sempre aquém daquilo que realmente foi/é/sinto.

O Vítor escreveu isto no Juramento:

Provavelmente...

...este concerto dos National teve o mesmo significado para a geração que hoje tem 20-25 anos e que hoje enchia a Aula Magna que o concerto dos Tindersticks, naquele mesmo local, teve para a minha geração.
E eu imagino que emocionalmente seja, sim, exactamente o mesmo. Curiosamente, acho que se há coisa de 10 anos (faz contas: 1998, dez anos, bolas, estou mesmo velha), tivesse visto os Tindersticks na Aula Magna e tivesse um blog como este, teria escrito um post sobre o facto de não conseguir pôr em palavras o quanto gosto deles também. E significado foi uma palavra muito bem escolhida.

Ainda o domingo.



Está tudo ainda meio apardalado. Eu ainda estou. Sei que aconteceu isto que aqui se mostra ontem e que não tem paralelo com nada que eu alguma vez tenha visto naquela sala ou em tantas outras (e os Yo La Tengo já saíram da sala pela porta das doutorais a cantar a Nuclear War - if they push that button, ass gotta go - há coisa de ano e meio, portanto não estamos a falar de amendoins). O público estava ganho desde o início, até mesmo quando as luzes estavam apagadas e eles ainda não estavam em palco e estava a dar Bon Iver (isso, deu Bon Iver antes do concerto, porque um concerto de National não era suficientemente arrepiante para aquela gente). Pôr-se de pé logo na primeira canção significa, efectivamente, que a banda podia limitar-se a ser competente que a noite estava feita.

A verdade é que estávamos ali de braços abertos e que quem é bem recebido acaba por tentar oferecer tudo aquilo que pode e oferece mesmo aquilo que à partida não podia. Há fotografias do Senhor Manel no Fórum Sons que mostram a sensação que é olhar para a frente e ver uma plateia ao rubro, uma missa de domingo em absoluta redenção. Deve ser das coisas mais gratificantes de uma vida. (É nessas alturas que me apetece ser estrela de rock, adeus doentinhos, adeus corredores de hospital, tenho concertos para dar. Cada macaco no seu galho, adiante.) Ora perante aquilo: os National excederam-se, superaram-se, soaram melhor que em qualquer concerto ao vivo que eu tenha ouvido em mp3 (vários, montes deles)ou tenha assistido (um só). Cada canção passou a ser um hino, um cântico e, apesar de algumas palmas completamente inoportunas,

pá, malta, é assim tão difícil esperar que a canção acabe, caraças? estragaram-me o final da slow show - com o piano e vocês arruinaram-no - e mais uns quantos inícios e mais alguns finais. Não se faz, a sério.

muito do entusiasmo do público acabou por fazer do concerto a noite mais que memorável que foi. A Slow Show começou calminha, não houve Lit Up, não houve canções do The National nem do Sad Songs, e houve as dispensáveis Ada e Racing like a Pro, que se trocavam por duas cançõezinhas daqueles álbuns que mencionei. Mas é assim mesmo, creio: gosta-se tanto que se quer sempre mais.

Arrepiante, intenso, mágico, inolvidável, emocionante. Não me lembro de outra forma de terminar este post senão assim.

O Domingo de todas as emoções.

1. Acordei e li montes de coisas, das quais fiz share no greader, sobre a despedida do Rui Costa.
2. O telejornal da RTP1 fez uma retrospectiva da carreira e mostrou o dia em que o Rui Costa marcou um golo contra o Benfica e chorou. Benfica, car*lho!
3. Comprei a Bola com a capa do Rui Costa.
4. Fui buscar os meus pais e manos ao aeroporto, vindos de Paris. O meu irmão já fala imenso, por exemplo ligámos o relato e ele gritou "Golo!" e também a resposta ao "onde está a Joana?", que é "está ali!", ou "dá guga", que é dá *qualquer coisa*. Depois dançou na H&M e no restaurante. E brincámos às escondidas, em que eu quando apareço digo "cúcú". Ele desmancha-se a rir. O meu irmão consegue me emocionar mais que o Rui Costa.
5. O Rui Costa faz o jogo da época na sua despedida de dentro do campo.
6. National. Melhor que em Barcelona. Sublime.
7. <3.

É normal que não me apeteça ir dormir.

10.5.08

"You took the wind out of me."

Uma estante encastrada, que separa a entrada da sala como um biombo, mas sem prateleiras, sem objectos senão um cinzeiro vazio. Ela está encaixada ali: as costas contra um dos lados, as pernas em ângulo recto, os pés apoiados no lado oposto. O olhar difuso.

sweetie, you don't look so good
your bottom lip is bleeding.
i cut it on your collarbone
go on, go back to sleep.


Fuma, sem estar atenta ao cigarro, os dois dedos segurando-o apenas levemente pela ponta que não queima e o outro lado com cinza acumulada, a ponta laranja como único ponto de luz da sala na penumbra.

sugar, who were you thinking of?
you woke me with your breathing.
honey, how am i supposed to tell?


Quando se concentra - quando volta àquela sala depois da viagem que o cigarro sempre lhe proporciona, a cabeça leve - o olhar vê-o, um pingo da cabeça aos pés e pela primeira vez lê-lhe o medo nos olhos, nas duas mãos encontradas no centro do tronco, que depois se arrumam nos bolsos, que depois saem, uma para roer uma unha, outra para despentear o cabelo. Hirto, uma peça húmida que ali jaz, sem dizer palavra. Uma sombra daquilo que foram, o fantasma que tenta, sem remédio - nem a morte, nem a morte - afastar, que todos os dias esconde atrás das camisolas de lã do Inverno.

Pergunta-lhe "What." mas é só porque não consegue estar mais tempo calada e os lábios tremem-lhe a ele, e ela não sabe se é frio se é nervosismo.

"I was in the neighbourhood, 'thought I'd stop by to show you this beautiful song before you leave."

"You live half hour away from me - if there's no traffic. You work in the industrial area."

"I came to see you."

"This is so fuckin' cliché, for Christ's sake. The rain, you stopping by to see me just when I'm about to leave."

"It's not my fault."

"I know that this is me writing, but it actually is your fault, in part. Everything about you is so damn impredictable, but in the end it just turns out to be so disillusional."

"Don't -"

"You're aware you could change it all, right?"

Ela pára de falar e olha para a ponta do cigarro. Deita a cinza morta no cinzeiro. Continua.

"Move in with me. Better still, let's move together to a place downtown."

i'd do you better than you do
i'd do you better than you ever will.

when i am on bitters and absolut.


"O.K.. let's do it."

Sorriem, ele primeiro, ela depois, só depois de acreditar e nem sempre é logo, às vezes leva dias.

"I feel like kissing you right now, but I'm not going to because of the smoke."

"Don't turn this into another enormous Hollywood cliché. Start looking for apartments instead."

Dois jornais, antigos, no chão, um para cada braço estendido, as páginas viradas depressa até ao suplemento de imobiliária, a leitura na diagonal e o corpo inebriado - e já não pode ser do cigarro.

"You know what, fuck the smoke, let's kiss."

Ela ri-se, apaga o cigarro, levanta-se depressa.

if i were a spy in the world inside your head
would i be your wife in a better life you led?


The National :: Bitters and Absolut :: The National

Para ouvir: aqui.

9.5.08

A minha série preferida.

Uma pessoa sabe que uma série de desenhos animados não é bem apenas uma série de desenhos animados quando olha para o céu e diz que "está um céu à Simpsons". A metereologia nunca há-de estar à Lost ou à Heroes ou à Dexter.

Já agora, apresento-vos a Joanie Simpson.Photobucket

8.5.08

You own me, there's nothing you can do.

Esta não é a canção mais tocada dos National, nem pouco mais ou menos, o que é completamente parvo. É das canções que mais gosto, apesar de nem representar bem aquilo que mais gosto na música deles (está tudo lá, de qualquer modo, talvez não aprimorado como no resto, mas a delicadeza que se encontra a cru com o modus abruptus de contar uma história está lá e o dedo que aponta à ferida também).

E a letra, nada subtil. Lucky you, stupid bastard.



Este post, mais do que "como quero que a toquem", é um pedido para um momento de apneia no Domingo.

7.5.08

Um espectáculo rápido.

Don't even get me started on: as músicas mais catártico-explosivas do Alligator -Abel, Mr. November e Lit Up (esta é raríssima em concertos, por isso duvido muito, mas há que ter esperança, para o Mário não se chatear por convencê-lo a ir).

Partiremos a Aula Magna ao meio. Cadeiras fora do lugar, gritos e conflitos serão permitidos.

I won't fuck this over, I'm Mr. November.


My mind's not right.


In a little while you'll be here, the only good part of me.


Amanhã, não perca: as canções pré-os últimos dois álbuns e como as quero ver tocadas.

Um espectáculo lento.

A versão da Slow Show em Barcelona estava demasiado acelerada para o meu gosto. Foi uma desilusão, no sentido em que não é possível verdadeiramente se desiludir com isto:


Para causar redenção, apaziguamento, resolução interna, tem de ser tocada com o ritmo do álbum, aquele em que se transforma acima quando ele canta "you know i dreamed about you for twenty-nine years before i saw you, coiso e tal, i missed you for twenty-nine years." Precisa também daquele início com a guitarra em distorção - um início que, devo dizer, reconheço em qualquer parte do mundo, como se provou esta tarde quando começou a dar no canal de "música alternativa" do meo, uma espécie de rádio televisiva, sem videoclips, e eu estava a lavar a louça e desliguei a água para poder ouvir bem. Mais parecido com isto, portanto:



É a minha música preferida do Boxer desde a primeira vez que o ouvi, nos idos Junhos de 2007. Vai partir corações domingo, vão ver só.

(Ú-ú's, palmas, YEAH'S, toc'aquela, assobios ou qualquer outro sinal de regozijo que agora não me ocorra, resultará em carnificina. Juro.)

Faltam quatro dias para o concerto dos National na Aula Magna.

Baby, we'll be fine
All we gotta do is be brave and be kind

I put on an argyle sweater and put on a smile
I don't know how to do this
I'm so sorry for everything

Ouvir isto ao vivo de novo, a sala a média luz e a música a entrar por mim a dentro. Domingo.



Vídeo do Vincent Moon. Quero o DVD.