11.4.07

A propósito d' "Os Grandes Portugueses" e da grande palhaçada que foi a vitória de Salazar

Não ia sequer tocar no assunto por aqui até ler, este fim de semana, a opinião mais acertada que jáli sobre isso. É do historiador José Mattoso (recomendo a leitura de toda a entrevista na Única, revista do Expresso, dia 06.04.07). Citando:

"[o resultado] Revela a perpetuação da mediocridade. Salazar surge como uma espécie de Messias, uma personagem capaz de resolver os problemas. Não nos sentíamos bem, não era isto que esperávamos da democracia. Precisamos de um chefe novo, então escolhemos um messias. É a mesma reacção que tivemos durante o período filipino com a figura de D. Sebastião. Hoje as pessoas projectam no Estado Novo questões como segurança, estabilidade ou a resolução dos seus problemas, e encontram na figura de Salazar a salvação."

Fez-me lembrar o Pessoa e aquela que, das obras portuguesas que conheço , é aquela que melhor transmite o "ser português" - a Mensagem, claro, onde o Messias, o Encoberto, o D. Sebastião, nomes diferentes para a mesma personagem, para a mesma esperança, é profusamente referido.

Portugal vai estar continuamente à espera do seu Salvador e, enquanto ele não chega - nunca chegará -, estará enterrado no lodo onde, a pouco e pouco, vai submergindo até que já nada reste.

[Tenho dias em que sou mais patriótica que o Viriato Lusitano, outros assim, pessimista.]

Talvez isto também ajude a explicar o sucesso do Alberto João Jardim na minha ilha. Ele surge como o Salvador, o responsável maior pela autonomia madeirense, o grande promotor e fundador da "Madeira Nova" - a região "livre" (este "livre" dá azo a mais um post), tranquila (onde não se viveu a conturbada época pós- 25 de Abril como no Continente), próspera.

Os madeirenses têm o seu Messias no poder, porque hão-de eles escolher qualquer outro para o seu lugar?

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