12.5.08

O Domingo de todas as emoções.

1. Acordei e li montes de coisas, das quais fiz share no greader, sobre a despedida do Rui Costa.
2. O telejornal da RTP1 fez uma retrospectiva da carreira e mostrou o dia em que o Rui Costa marcou um golo contra o Benfica e chorou. Benfica, car*lho!
3. Comprei a Bola com a capa do Rui Costa.
4. Fui buscar os meus pais e manos ao aeroporto, vindos de Paris. O meu irmão já fala imenso, por exemplo ligámos o relato e ele gritou "Golo!" e também a resposta ao "onde está a Joana?", que é "está ali!", ou "dá guga", que é dá *qualquer coisa*. Depois dançou na H&M e no restaurante. E brincámos às escondidas, em que eu quando apareço digo "cúcú". Ele desmancha-se a rir. O meu irmão consegue me emocionar mais que o Rui Costa.
5. O Rui Costa faz o jogo da época na sua despedida de dentro do campo.
6. National. Melhor que em Barcelona. Sublime.
7. <3.

É normal que não me apeteça ir dormir.

10.5.08

"You took the wind out of me."

Uma estante encastrada, que separa a entrada da sala como um biombo, mas sem prateleiras, sem objectos senão um cinzeiro vazio. Ela está encaixada ali: as costas contra um dos lados, as pernas em ângulo recto, os pés apoiados no lado oposto. O olhar difuso.

sweetie, you don't look so good
your bottom lip is bleeding.
i cut it on your collarbone
go on, go back to sleep.


Fuma, sem estar atenta ao cigarro, os dois dedos segurando-o apenas levemente pela ponta que não queima e o outro lado com cinza acumulada, a ponta laranja como único ponto de luz da sala na penumbra.

sugar, who were you thinking of?
you woke me with your breathing.
honey, how am i supposed to tell?


Quando se concentra - quando volta àquela sala depois da viagem que o cigarro sempre lhe proporciona, a cabeça leve - o olhar vê-o, um pingo da cabeça aos pés e pela primeira vez lê-lhe o medo nos olhos, nas duas mãos encontradas no centro do tronco, que depois se arrumam nos bolsos, que depois saem, uma para roer uma unha, outra para despentear o cabelo. Hirto, uma peça húmida que ali jaz, sem dizer palavra. Uma sombra daquilo que foram, o fantasma que tenta, sem remédio - nem a morte, nem a morte - afastar, que todos os dias esconde atrás das camisolas de lã do Inverno.

Pergunta-lhe "What." mas é só porque não consegue estar mais tempo calada e os lábios tremem-lhe a ele, e ela não sabe se é frio se é nervosismo.

"I was in the neighbourhood, 'thought I'd stop by to show you this beautiful song before you leave."

"You live half hour away from me - if there's no traffic. You work in the industrial area."

"I came to see you."

"This is so fuckin' cliché, for Christ's sake. The rain, you stopping by to see me just when I'm about to leave."

"It's not my fault."

"I know that this is me writing, but it actually is your fault, in part. Everything about you is so damn impredictable, but in the end it just turns out to be so disillusional."

"Don't -"

"You're aware you could change it all, right?"

Ela pára de falar e olha para a ponta do cigarro. Deita a cinza morta no cinzeiro. Continua.

"Move in with me. Better still, let's move together to a place downtown."

i'd do you better than you do
i'd do you better than you ever will.

when i am on bitters and absolut.


"O.K.. let's do it."

Sorriem, ele primeiro, ela depois, só depois de acreditar e nem sempre é logo, às vezes leva dias.

"I feel like kissing you right now, but I'm not going to because of the smoke."

"Don't turn this into another enormous Hollywood cliché. Start looking for apartments instead."

Dois jornais, antigos, no chão, um para cada braço estendido, as páginas viradas depressa até ao suplemento de imobiliária, a leitura na diagonal e o corpo inebriado - e já não pode ser do cigarro.

"You know what, fuck the smoke, let's kiss."

Ela ri-se, apaga o cigarro, levanta-se depressa.

if i were a spy in the world inside your head
would i be your wife in a better life you led?


The National :: Bitters and Absolut :: The National

Para ouvir: aqui.

9.5.08

A minha série preferida.

Uma pessoa sabe que uma série de desenhos animados não é bem apenas uma série de desenhos animados quando olha para o céu e diz que "está um céu à Simpsons". A metereologia nunca há-de estar à Lost ou à Heroes ou à Dexter.

Já agora, apresento-vos a Joanie Simpson.Photobucket

8.5.08

You own me, there's nothing you can do.

Esta não é a canção mais tocada dos National, nem pouco mais ou menos, o que é completamente parvo. É das canções que mais gosto, apesar de nem representar bem aquilo que mais gosto na música deles (está tudo lá, de qualquer modo, talvez não aprimorado como no resto, mas a delicadeza que se encontra a cru com o modus abruptus de contar uma história está lá e o dedo que aponta à ferida também).

E a letra, nada subtil. Lucky you, stupid bastard.



Este post, mais do que "como quero que a toquem", é um pedido para um momento de apneia no Domingo.

7.5.08

Um espectáculo rápido.

Don't even get me started on: as músicas mais catártico-explosivas do Alligator -Abel, Mr. November e Lit Up (esta é raríssima em concertos, por isso duvido muito, mas há que ter esperança, para o Mário não se chatear por convencê-lo a ir).

Partiremos a Aula Magna ao meio. Cadeiras fora do lugar, gritos e conflitos serão permitidos.

I won't fuck this over, I'm Mr. November.


My mind's not right.


In a little while you'll be here, the only good part of me.


Amanhã, não perca: as canções pré-os últimos dois álbuns e como as quero ver tocadas.

Um espectáculo lento.

A versão da Slow Show em Barcelona estava demasiado acelerada para o meu gosto. Foi uma desilusão, no sentido em que não é possível verdadeiramente se desiludir com isto:


Para causar redenção, apaziguamento, resolução interna, tem de ser tocada com o ritmo do álbum, aquele em que se transforma acima quando ele canta "you know i dreamed about you for twenty-nine years before i saw you, coiso e tal, i missed you for twenty-nine years." Precisa também daquele início com a guitarra em distorção - um início que, devo dizer, reconheço em qualquer parte do mundo, como se provou esta tarde quando começou a dar no canal de "música alternativa" do meo, uma espécie de rádio televisiva, sem videoclips, e eu estava a lavar a louça e desliguei a água para poder ouvir bem. Mais parecido com isto, portanto:



É a minha música preferida do Boxer desde a primeira vez que o ouvi, nos idos Junhos de 2007. Vai partir corações domingo, vão ver só.

(Ú-ú's, palmas, YEAH'S, toc'aquela, assobios ou qualquer outro sinal de regozijo que agora não me ocorra, resultará em carnificina. Juro.)

Faltam quatro dias para o concerto dos National na Aula Magna.

Baby, we'll be fine
All we gotta do is be brave and be kind

I put on an argyle sweater and put on a smile
I don't know how to do this
I'm so sorry for everything

Ouvir isto ao vivo de novo, a sala a média luz e a música a entrar por mim a dentro. Domingo.



Vídeo do Vincent Moon. Quero o DVD.

28.4.08

Anti-depressivo e ansiolítico

Não apetece escrever, não apetece ver televisão, não apetece acabar o Deception, não apetece sacar o disco dos My Morning Jacket (estou a tentar há horas, no rapidshare mas os gatos estão a levar a melhor), não apetece não apetece não apetece.

Só apetece isto, como tem vindo a ser habitual.



É o meu Xanax ou Prozac ou até mesmo um pouco dos dois.

Silver Jews :: I'm Getting Back Into Getting Back Into You :: Tanglewood Numbers

E é tão verdade.

Porra.

26.4.08

Setlist do último concerto dos National


Adoro o auxiliar de memória com as primeiras palavras de cada canção manuscritas em frente do respectivo nome.

25.4.08

Eu já gostava deles antes, a sério.

E claro que está que, apesar das aparências, eu não gosto do álbum dos Kills só porque os outros dois andam, que eu tenho mais que fazer. O álbum é mesmo bom, às vezes parece citar Pixies, nem sempre porque a dicotomia m/f parece a Kim Deal e o Frank Black ou por causa das entradas nas canções com guitarras, mas também porque há lá uma canção cheia de "I want you to know" como a Debaser, outras tem reminiscências da PJ Harvey-quando-estava-apaixonada-pelo-Cave ou da Karen O no Fever to tell. Mas honestamente, depois até nem parece nada disto, e limita-se a ser um bom álbum cheio de determinação, fixe para ouvir:

1) antes de sair de casa.

2) na rua, quando quero andar com o nariz arrebitado, sem ligar pêva a nada.

Depois: há montes de coisas que parecem isto. Não é isto que parece montes de coisas, se é que me faço entender. Os The Kills já andam a fazer a cena deles há imenso tempo.

Não é preciso corrigir

Eu sei que o Mark Ronson é arraçado de Americano, mas se bebeu chá das 5 até aos 8 anos, bronco também não há-de ser.

Groupiness.

Sempre que algum dos CIMENTO. me diz para ouvir alguma coisa, eu oiço, quase como se me mandassem atirar do abismo e eu fosse, adeus mundo cruel e tal, mas isso eles não dizem porque eu sou a groupie nº 1, não há mais groupie que eu que vou a todas, mesmo que seja no fim do mundo, mesmo que seja só por uma hora (nunca é), mesmo que isso implique strips e make-outs lésbicos. Eu apareço.

Só faço é bem. Estes French Kicks que o Ilo recomendou ontem são a melhor coisa do indie rock desde que o strudel da Filipa acabou. O Ilo sabe sempre tudo e dá óptimos conselhos sobre todas as coisas e também acerta com os asteriscos no google chat quando eu estou mais triste, o que é reconfortante. O Ilo só não sabe que o álbum dos The Kills é o máximo, mas sabe, de certeza, que o gajo dos The Kills deve ser o inglês mais cool de sempre depois do Mark Ronson. Namora com a Deusa, portanto só pode. E o Ilo sabe. O Ilo sabe tudo.

Arritmia.

You are my pacemaker. Sometimes you set my heart on fire, sometimes you pace it back to ease.

23.4.08

O último post sobre o meu vizinho #277


FUCK BUTTONS
.

Ganhei, não foi? 1-0 ao 5ºC.

Post sobre o meu vizinho de cima #276

Ouve agora em loop a My tears dry on their own da Winehouse?

Muito bem, aqui em baixo também.

Post sobre o meu vizinho de cima #275

Ao que parece, viciou-se na Don't Dance.

Post sobre o meu vizinho de cima #274

Vou ouvir Hot Chip, mesmo me apetecendo agora ouvir M83.

Hey, vizinho do 6ºC

Olá outra vez! Estão a chamar-te no messenger!

Olá, vizinho do 6ºC

O disco dos Hot Chip está óptimo, não está?

(Podíamos não só ser vizinhos no prédio, mas também no last fm. Há uma coisa engraçada: ele ouve os discos depois de eu os ouvir. Devo estar a ouvir a música muito alta e a servir de rádio.)

22.4.08

Há pessoas que conseguem em cinco linhas ser as maiores de sempre.

O Pedro Mexia, hoje, por causa disto que ele escreveu há dias.

(E que eu adorava ter sabido escrever antes dele.)

21.4.08

Ao cuidado das pessoas com Google Reader

Fiz um post com um ponto de interrogação que ficou péssimo, nada do que eu queria. Apaguei-o.

20.4.08

Têm a certeza que está tudo preparado para terça-feira?

black lips

Black Lips, no Lux.

Rapidinhas de Domingo

1. Vieram instalar o meo cá em casa e não configuraram o meu computador (eu estava fora a ver o Benfica perder 5-3). Estou sem acesso à internet nos metros quadrados do meu quarto e o outro computador está no quarto do meu primo e ele passa o fim de semana a dormir ou no computador (é um traço familiar). Quando finalmente sai, venho ao quarto dele fazer montes de coisas, como por exemplo saciar a minha vontade de ler rss feeds do Google Reader. O que é chato é que aqui no computador dele (odeio o teclado dele também) não consigo ver os Shares dos meus amigos. Estou tão aborrecida com isto, tenho de tratar deste assunto com urgência (mas também não tenho nº de cliente meo, por isso não posso ligar para o apoio de cliente).

2. O El Guincho continua a demonstrar porque é que toda gosta dele. É por coisas como esta remistura de um tema dos Architecture in Helsinki e por coisas como o Alegranza que me fazem mexer a anca no Metro.

3. Agora ando de ipod para todo o lado e, como tenho andado de metro e a pé, todo o lado quer mesmo dizer todo o lado e é óptimo. Tenho sempre a sensação que estou a fazer figura de parva porque devo estar a dançar ou a trautear inconscientemente. É mesmo bom, porque se há coisa que me dê prazer é ignorar os olhares dos outros e estar na minha.

4. O álbum que mais tenho ouvido é o Jim do Jamie Lidell. A culpa inicialmente foi do Vasco, porque eu nunca mais tinha ouvido o álbum (e tinha achado bom, mas andava por outras paragens e às vezes conseguimos mesmo ser bastante fúteis e consumistas no que toca a ouvir música) mas quando ele começou a dizer que tinha encomendado o álbum, e tendo em conta que estava prestes a ir ouvir Fuck Buttons, que se situa algures no noise e estava sem paciência, fui ouvir o Jamie Lidell e ouvi muito pouca coisa depois disso (e isto foi no domingo passado). É tão bom tão bom. É mesmo muito bom. Depois escrevo sobre isso, se algum dia voltar a ter internet no meu computador. Era giro voltar a ter net no meu computador.

19.4.08

Ele namora com a Kate Moss e tudo.

You are a fever you are a fever.
You ain't born typical.



The Kills :: URA Fever :: Midnight Boom

14.4.08

As razões porque gosto de cinema.*

Tendo em conta que, segundo isto, em SETE filmes que influenciaram a moda e o estilo, TRÊS são dos meus preferidos de sempre, parece-me claro que gosto de filmes por razões puramente estéticas. Ou não. Isto pode, eventualmente, ser mais uma bonita coincidência.

*Pese embora o facto de não perceber nada da dita arte.

13.4.08

Era óptimo que não existissem dias entre o Domingo e a Quinta-feira.

Este domingo nunca mais acaba, para que a semana comece, que depois também vai demorar a acabar, para que se chegue ao próximo fim de semana. Adoro sexta-feiras.

Hei-de ter Arthur Russell em vinil, com o meu primeiro ordenado, ou assim.

Em Londres, estavam proibitivamente caros.

That could be an understatement.



Arthur Russell :: A little lost

(Ou como o Dário tinha no myspace a canção certa para o momento certo há um ano atrás, que continua a ser a canção certa para o momento certo agora.)

Mmmbop.


Eles estão vivos!

Parvoíce domingueira: é sempre bom.

10.4.08

Tão apropriado.



And you got that one idea again. The one about dying.

oh-oh-oh i'm lightning
oh-oh-oh i'm rain
oh-oh-oh it's frightening
I'm not the same.

Silver Jews :: Slow Education :: Bright Flight

8.4.08

Please don't bother me

For I'm busy staying busy.

And all the tumults done.

As catorze horas que estive na Maternidade hoje, passei-as a cantarolar a Staring at the Sun dos TV on the Radio. Não ouvia a canção há séculos, mas nos momentos mortos pus-me a pensar e agora estou em dúvida se é a melhor canção do século XXI para se fazer amor ou para se definhar lentamente até à morte. Das duas uma, quando a verdade é que eu não sei se quero deixar-me definhar lentamente ou fazer amor.

Está a chover lá fora, mas há bocadinho a chuva batia com mais força, quase granizo.

you're staring at the sun
you're standing in the sea
your mouth is open wide
you're trying hard to breathe
the water's at your neck
there's lightning in your teeth
your body's over me


O amor é uma forma de morrer devagar, só pode.

O anti-milagre da vida.

Hoje, na Urgência, chegaram três pessoas (idades: 15, 31, 24) que tinham tomado comprimidos para abortar em casa - o famoso misoprostol, que também serve para tratar úlceras pépticas e que foi altamente publicitado na altura em que o barco da Women in Waves esteve em Portugal (acho que quando o navio esteve rés-vés a nossa área costeira, tive em média duas discussões sobre o aborto por dia, número que não consegue suplantar o número de discussões que tive nas vésperas do último referendo).

Ora bem, I'm all for women's free will and all, mas intriga-me o facto de que SENDO A PORRA DA IVG LEGAL PORQUE RAIO É QUE ESTA GENTE FAZ MERDA EM CASA E SÓ DEPOIS É QUE SE APERCEBE DO QUE FEZ E VEM À URGÊNCIA?

Escusado será dizer que das três apenas uma conseguiu expulsar decentemente o feto.

Noutras histórias, apareceu lá uma senhora, desculpem, uma gaja, com todo o devido respeito, de 20 anos que ia no terceiro filho e na terceira gravidez não vigiada. Porreiro, pá.

Como diria a minha mãe, se souberam fazê-lo, desenrasquem-se. Não é bem isto (é mais "se tiveram tempo para fazê-lo, têm tempo para estudar com ele", a propósito dos alunos da escola e dos seus pais), mas se a minha mãe estivesse no SU hoje ia dizer qualquer coisa inteligente assim. Tenho a certeza.

5.4.08

O post da Maria está melhor do que o meu.

Iupi dá dez a zero a oh joy oh joy, em termos de expressão de contentamento, alegria e felicidade.

Satisfação só quando deitarmos mão à roupa e ao perfume e a tudo - até os meus irmãos vão vestir Comme des Garçons no próximo Outono.

4.4.08

H & M, outra vez.

Oh joy, oh joy! H&M e Comme des Garçons, juntinhos!

Comme des Garçons’ founder and head designer Rei Kawakubo will create this autumn’s guest designer collection at H&M. Rei Kawakubo, famous and admired for her creativity and artistry, will design a women’s and a men’s collection, with some pieces for children too. Accessories and an exclusive unisex fragrance will also be included in the collection.

Como quando saíu a colecção do Karl Lagerfeld, também eu vou logo pela manhãzinha espreitar isto. Espero que haja muito disto:

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A notícia completa está aqui ao lado, nos links do Google Reader.

2.4.08

<3 = {[:) +:')]^10n / ln [:'( ]}

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[Dance] Management

MGMT = semana em Londres (no pós-El Guincho + Topshop + Rough Trade) = isto é óptimo, adoro.

A seguir aos Vampire Weekend, eis a segunda banda indie-coiso do ano.

(Este post impunha-se, porque sempre que oiço o álbum, fico tão eléctrica como se tivesse tomado n bicas.)

1.4.08

Abril começa mesmo bem.

Isto promete.

Os bem-dispostos também rosnam.

Não sou excepção.

E porque é que quando estou assim as pessoas com quem menos gosto de falar -dos meus contactos do messenger- põem-se todas online e a me chamar "joaninha". Já estive mais longe de morder.

E depois perguntam "que tens feito?".

"Olha, foda-se, nada. Foi um prazer falar contigo. Adeus."

Depois ponho um smiley idiota que acena com um sorriso parvo. E fim de conversa.

A sério.

O milagre da vida.

Estou cheia de dores de cabeça, assisti a quatro partos hoje, um por cesariana, outro com fórceps, restantes dois normais. Nasceu um Henrique, uma Jessica (realmente é tudo o que Portugal precisa, mais uma Jessica), um Nuno Miguel e um puto de quem desconheço o nome. Por mim chega de partos: tive milagres da vida suficientes para um ano de existência, obrigada. Estou completamente rabugenta sem nenhuma razão em particular e só me apetece mandar toda a gente se foder. Ponto final, parágrafo.

30.3.08

As compras frustradas em Londres


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purcell
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Teriam sido excelentes compras, se libras fosse coisa que abundasse na minha carteira. (O que vale é que experimentei tudo e quando me der na telha, posso encomendar!)

O El Guincho é a puta da loucura em quatro rodas.

Adoro esta expressão e sempre quis usá-la num post, nada melhor do que descrever o concerto numa só frase (que é, aliás, o título). O que é que acontece num concerto dele? Ele tem uma cena com botões para fazer entrar os samples (um qualquer coisa assim Roland SP-404), percussão (só me ocorre a palavra tambor e não me parece que seja profissional), uma pandeireta e um microfone. Ah, e o transe dele, que eu aposto que é um instrumento musical per si. As canções tornam-se mais longas porque ele improvisa mais, de maneira que até parece uma nova canção mas afinal é "aquela" do disco, cheia de acrescentos, com uma introdução maior, ainda mais psicadélica.
De resto, é aquilo que se sabe: a puta da loucura em quatro rodas. A incapacidade em estar quieto. (Os indies britânicos, até eles, mexiam-se lá para o final e eu digo-vos: que plateia mais difícil!)

O alinhamento foi ligeiramente diferente do Alegranza:
Antillas
Kalise
Polca Mazurca
Fata Morgana
Palmitos Park
Prez Lagarto
Cuando Maravilla Fui
Costa Paraíso

(Acho que não houve Buenos Matrimonios Ahi Fuera.)

Claro que eu só descobri as letras no myspace dele a dois dias de ir para lá, então usava a minha macarrónica interpretação para acompanhar. Ainda assim, acho que a malta à minha volta pensou que eu sabia aquilo tudo de cor - e estavam parados, na grande maioria, visto que só eu, as minhas quatro amigas e dois espanhóis não relacionados connosco é que dançávamos.

Os Mystery Jets, que tocaram a seguir, são completamente naquela, mas têm um hype tremendo. Toda a gente, à excepção dos sete que dançavam, estava lá por causa deles - era o concerto de lançamento do novo álbum. Só tinham uma música de jeito "Hand me down" e até estou a ser simpática, mas são produzidos pelo Erol Alkan e já foram remisturados pelo Switch e todos os blogs falam neles. A Time Out britânica deu uma estrela ao álbum - e eu confio em tipos que conseguem compilar a vida cultural londrina numa revista. Claro que a malta indie estava em completa euforia. Não se compreende.

Blogs bonitos de gente bonita

O Rodrigo tem o Ladieslove há séculos (e antes disso já tinha tido o Clube de fãs do José Cid e e participado no Inimigo Musical - eram dele os posts que mais me faziam rir, como aquele dos gráficos do Jack Johnson e na altura não o conhecia e achava que ele devia ter para aí quase trinta anos). A Maria criou o Mariailoveyourtitties, porque é verdade, we all do love her titties e já era tempo de alguém ter um blog dedicado à mais delicada parte do corpo feminino e masculino sem ser ordinário mas sim witty como a Maria é. Entretanto fui a Londres (nunca será demais dizê-lo, meus caros) e quando voltei o Ilo também tinha o ///////////*(não sei se estão o número certo de barras) e o Mário acha que everything is fake.

Como a Maria achava que eu não tinha blog (porque nunca fiz share de posts meus) e eu até tenho este há 3 anos, pronto, não sei. A culpa de tudo isto é do Google Reader, tenho a certeza.

28.3.08

London's plain love.

Londres está viva, respira, recomenda-se e beija-se com ardor e paixão. Apesar de ter alguns defeitos que nunca pensei encontrar lá - pensei encontrar outros defeitos que acabei por não encontrar e andar mais de quinze minutos numa zona extremamente concorrida (a rua paralela ao Tamisa entre a Abadia de Westminster e as Houses of Parliament) e não encontrar um caixotinho de lixo onde deitar a minha caneca descartável de coffee with milk please é uma vergonha para uma cidade dita civilizada - é uma cidade pensada até ao milímetro e é isso que é tão bom que é cansativo. Tudo vale a pena ver ali, menos Stockwell que é onde estão os 'tugas emigrantes e é feio como qualquer bairro social e dá aquela sensação de que se está a passear na Cova da Moura, o que é sempre chato.
De resto, it's all plain love. Consigo perceber o fascínio. O meu próprio pai, que é um viajante assumido - só não é é caixeiro-viajante, é um caixeiro-sedentário, talvez, mais depressa - diz que Londres de tanta coisa que visitou continua a ter um lugar guardadinho no seu coração. E ele já esteve em quase todos os pontos do globo. Eu assino por baixo.
Londres cidade pulsátil, vibrante, frenética, mas com a educação e a elegância de outrora.
E vi neve, que é sempre uma coisa muito boa de se ver e sentir na ponta do nariz e ver acumular-se sobre as luvas e o casaco e a malha do cachecol, e torna qualquer passeio mais romântico e mais húmido. (Joana a enganar-se em Marble Arch ao ver o mapa "descemos esta" quando devíamos ter descido a perpendicular "oops é melhor apanhar o autocarro para não ficarmos um pingo").

Os autocarros! Double-deckers, people. Sempre a cantarolar "and if a double decker bus crushes into us" e depois procurava bem dentro de mim a ver se encontrava alguém que merecesse o "to die by your side is such a heavenly way to die" e por vezes encontrei, outras não. A propósito, mesmo sem lá estar "na falta de melhor, sim" foi a frase da viagem e passou a ser resposta para muita pergunta. E sim, tenho de confessar, aqueles 35 segundos de "oi tudo bem" que me souberam como um hot chocolate.

E as Tates! O reconhecimento do Turner como um homem de luz. O Duchamp como o maior artista dos nossos tempos. O British Museum como um lugar onde os ingleses mostram o resultado do seu saque de séculos (uma experiência valiosa).

Londres é uma idiossincrasia de si própria. Uma cidade moldada pela História, moldável pelo incrível cruzamento de povos, de gostos, de hábitos. Notting Hill, Camden, Covent Garden, Picadilly Circus, Oxford Street, tudo aquilo é amor.

Tudo isto é love, love.

22.3.08

Então até já

Vou a Londres e já venho.

"I still have a flame gun for the cute ones"

Não tenho nada de inteligente para dizer. Hoje estive a vegetar, apesar de ter tentado estudar durante parte da manhã, e até ter conseguido durante uma hora, mas depois só consegui pensar na viagem e na roupa que vou levar e naquilo que vou ver e nessas merdas todas que não interessariam se eu não fosse visitar Londres amanhã. De qualquer forma, nada disto seria relevante senão tivesse visto este vídeo

que me fez lembrar porque raio venero eu a Cat Power em primeiro lugar. Quanto mais ouço os álbuns pré-you are free mais entendo quem acha o the greatest "nada de especial", mas hey! quero que se fodam. Adoro todos, sem excepção. A moça nunca fez um álbum que eu não amasse, é a triste realidade com que tenho de viver, que triste que é.

Pergunto-me que raio terá o Bill Callahan para ter andado com esta moça. Há dias vi o Luís Costa Branco - Deus, não me lembro se é mesmo assim o nome dele, o da SIC Notícias - e perguntei-me que raio tinha ele para andar com tudo quanto é manequim deste país. Às tantas são gays, ambos. Não me admirava nada.

A questão é: não podendo ir ao Primavera, vou vê-la ao Coliseu, outra vez. Vou desenhar um coração com os indicadores e os polegares, outra vez. Vou chorar, outra vez.

(Lembro-me do dia do concerto dela na Aula Magna e de como nós, eu e coiso,ficámos a conversar a tarde inteira sobre o quanto a Chan era adorável e quais os melhores álbuns e as melhores canções. A conversa entreteve-nos a tarde toda. Estar nas Doutorais, olhar para trás e ele acenar-me - eu na segunda fila, ele na última da plateia, tão longe. Ligava-lhe muito pouco, nessa altura.)

Não é uma promessa, mas devo ver a Cat Power em maio.

20.3.08

Não sei se a beleza da canção vai ficar escondida sob o vídeo manhoso



Isto é particularmente sublime e extremamente recomendável.

Tunng :: Tale from black :: Mother's Daughter and Other Songs

18.3.08

Joana, look out (or you'll write about it all day)

Desconfio que não seja inocente o facto do Lookout Mountain, Lookout Sea começar com a What is not but could be if

What is not but could be if
We could be crossing this abridged abyss
Into beggining
Failure's got you in its grasp
And you're reaching for your very last
It's just beggining.
(...)
What is not but could be if
With all associated risk.

e acabar com a We could be looking for the same thing

We could be looking for the same thing
If you're looking for someone
We could be love to each other
If you're not seeing anyone.

Julgo que é apenas a vida e o Berman playing their little tricks on me.

(Ou então é coincidência. Ou não é nada disto que estou a pensar, que raio de mania de transpôr a Arte para nós próprios.)

Talvez esteja mesmo.

E sempre que ele diz "he dresses for success" na San Francisco B.C., penso que ele está a falar no Stephen Malkmus.

(Ainda se lembram "I was dressed for success, but success it never comes"? Ó, como se fosse possível esquecê-lo.)

A maneira como o Berman canta

"Now I'm here for good, I won't leave you anymore" é qualquer coisa. Quanta determinação.

P e r f e i t a .

Because the pillow that I dream on is the threshold of a kingdom
Is the threshold of a world where I'm with you
Is a darkened snowy secret
and it has to do with heaven
And what looks like sleep is really hard pursue.

(...)

Because the pillow that I dream on leads to some fantastic glory
Is the threshold of a world I can't ignore
Like time on school from heaven
Did you find me sleeping in your doorway?
Now I'm here for good, I won't leave you anymore.

Silver Jews :: My pillow is the threshold :: Lookout Mountain Lookout Sea

16.3.08

Blogging for dummies

Agora o blogger oferece a possibilidade de, para quem, como eu, nada entende de códigos html, ter um blog customizado à sua imagem e semelhança. Ou pelo menos, um blog diferente dos 500 mil blogs que visitava e que tinham o mesmíssimo esquema de cores, tipo de letra, etc etc.

Agora temos Trebuchet (o meu segundo tipo de letra favorito), verde e rosa (as minhas cores favoritas) e os títulos a preto (que eu sempre quis). Já gosto mais um bocadinho do Desumanos outra vez.

Para a Emma, por um tempo há muito tempo atrás

Aparentemente, ele ia só afastar-se do mundano. Recolher-se a meio do nada, envolvido por si mesmo, algures entre a neve e o vento e o calor de uma lareira. Depois, as canções nasceram: a sua voz, suave e magoada, primeiro, os falsettos, a subidas angustiadas de tom, as entradas suspiradas, e posteriormente adicionadas as camadas de orquestrações (percussões desalinhadas, coros etéreos), tudo muito simples e sem confusões, porque quando se está só, não há nada nem ninguém a quem a canção se tenha de sobrepôr.

Quase podia ser mais um enfastiante cantautor que ouviu demasiado Bob Dylan e Neil Young no gira-discos dos pais. Quase podia ser um disco igual a tantos outros, musiquinha que se trauteia no imediato e depois tão facilmente se esquece.



Mas é na distância desse quase que residem as canções, autênticas, honestas, pungentes.

Bon Iver é um misspelling propositado de Bon Hiver. Bom (fim de) Inverno.

Bon Iver :: For Emma, for a long time ago

13.3.08

We sure are cute for two ugly people.

"You're a part time lover and a full time friend.
The monkey on your back is the latest trend

I don't see what anyone can see in anyone else but you."


The Moldy Peaches :: Anyone else but you

Juno

Gostava de ser ainda mais indie que os indies e de ter, por isso, odiado o Juno.

Mas não, nada disso. É tão bonito, tão depressa se chora aos soluços como se ri à gargalhada, a Ellen Page faz um papel sarcástico-doce que lhe assenta como uma luva (ou ela assenta bem nele, c'est possible), o Michael Cera é adorável, o Jason Bateman é um o músico contido pela mulher perfeccionista (adoro-o). E tem uma banda sonora que meu Deus!

12.3.08

"My only weapon is my pen" *

"Sir! I've got a good mind to take you outside. Outside, outside."

Continuo a adorar o álbum novo dos Hot Chip. Cada vez mais, até. Tem uns seis ou sete momentos que são verdadeiros hinos, como esta Hold on, e que compensam em larga escala outros que são - confesso - verdadeiras xaropadas (mesmo que usar este termo seja um exagero, é preciso avisar os senhores do chip quente que ninguém consegue fazer uma Colours duas vezes na vida).

*Ou o meu teclado, neste caso.

Ah! E o Jamie Lidell é um senhor: o novo Jim está de lamber os beiços (como era, de resto, de esperar depois do Multiply.)

E estamos assim: dancemos!

*foge mesmo para a biblioteca*

As minhas várias dores de cabeça

P'o raio qu'o parta mais as obras do vizinho de cima, foda-se. É tão alto que mais parece que sou eu quem está a fazer a puta do buraco na parede. Para além do mais, apartamentos não são para parecer favos de mel (esta furadeira parece que já está há mais de uma semana, pergunto-me se ainda há parede p'a esta gente furar).

*foge para a biblioteca*

Advogados que me visitam, não há nenhuma lei que proíba isto? É que é mesmo muito alto, é insuportável e dura há tanto tempo - e ninguém me pediu autorização.

10.3.08

Sound of kuduro knocking at my door

2005: depois de afastada do hiphop por razões de variadíssima índole, oiço a Galang e rendo-me ao Arular da M.I.A. Vou por esses caminhos e regresso ao hiphop, torno-me então disponível, como nunca, para conhecer tudo o que lhe eram raízes e tudo o que lhe eram frutos.

2006: conheço os Buraka, via o-mais-energético-concerto-de-sempre no Mercado. Sai o From Buraka to the World, nesse Verão, que oiço exaustivamente. Assisto o tudo o que me é humanamemte possível em que os Buraka participem.

2007: os Buraka internacionalizam-se, a M.I.A. lança o Kala (discaço, ponto final). Danço ao som de Buraka no Alive com um jornalista da nossa praça (queria deixar isto registado, porque foi uma surpresa: diz que aprendeu com uma pretinha em festas kuduro hardcore em Odivelas.)

2008: a M.I.A. participa no single dos Buraka. Vicio-me: isto é como se os Buraka não quisessem agradar a ninguém (como quem diz, educaram o ouvido e a pista, ensaiaram o cu dos brancos, agora aguentem-se com esta).

Não há nada para concluir. Apeteceu-me fazer um apanhado biográfico em vez de apenas deixar por aqui o vídeo.



Isto é *****. AVÉ MARIA!

(Xé, dama! Não dá p'ra parar, não dá p'ra 'tar quieto.)

Os controlos do blogger (e a redenção virtual)

Sobreviveu mais uma vez, o blog. Tenho de deixar de o culpar sempre que algo de quase-cataclísmico me acontece.

(Estive, há coisa de duas semanas, a olhar fixamente para o Delete Blog. [Font = Georgia] Entretanto fui para o Alentejo e perdi a ideia que tinha para o meu post de closure (de apagar o blog passei a ter vontade de o deixar zombie, mais uma alma assombrada vagueando na blogosfera).

A ideia foi-se. E entretanto, tudo isto dentro de mim a querer sair sem ter maneira (a quantidade de leitura que faço é proporcional, na minha auto-avaliação, à má qualidade da minha escrita, isto é, quanto mais leio, pior julgo que escrevo). É difícil escrever um texto, depois de ter lido um capítulo do Roth, e achar que "sim, sim, está belíssimo, vou já dá-lo a ler."

Pressione Ctrl com P = Publicar. Estou viva, ao que parece.

E falar continua a ser uma coisa muitíssimo sobrevalorizada.

Rather Lovely Thing.

Tenho perfeita noção que os espaços entre as pedras da calçada são feitos de verdades negras e amorfas. Continuo a acreditar nisto, como talvez quem acredita que um dia houve uma explosão mesmo muito grande que rebentou com um ovo cósmico donde depois se soltaram montes de calhaus em forma de planetas e estrelas, e num deles a energia foi água e a água foi vida. É possível. É possível que os nossos passos pisem a verdade, às vezes indolentemente, outras tão depressa que quase nem a magoamos com o peso do corpo. É possível que passemos pela verdade vezes sem conta ao longo do dia, ao longo da vida, e nunca nos apercebamos dela, e ela depois doa (dói sempre). É possível que a verdade não seja verdade, ou não seja única, ou não seja só isso de não ser mentira. Só não chego a perceber porque raio se esconde a verdade no chão, quando estaria tão mais próxima de nós se andasse nas nossas mãos e fosse trocada todas as vezes que as nossas palmas tocassem outras. É que assim as verdades eram uma só, e se for mesmo verdade que cada um de nós está ligado a toda a gente do mundo, então um dia poderíamos ter tido como nossas tantas verdades quantas pessoas alcançássemos.

Um dia terei nas mãos mais verdades que mentiras e saberei distinguir as intenções das interjeições, e a estas duas poderei simplesmente marcá-las com a palavra lixo

(tenho uma caixa no quarto que serve para ir pondo lixo que não é bem lixo mas que um dia vai acabar por sê-lo, por enquanto é só um resto de coisas que foram ficando comigo e que, em abono da exactidão do discurso, nunca foram bem coisas, mas antes pessoas, emoções, receitas e bocados de músicas ou letras, algumas cartas de amor, aqui e ali, a maior parte delas nunca conheceram sequer viagem de ida)

guardá-las (às intenções e às interjeições) nessa caixa e deixá-las ali no canto do quarto, esquecidas por quem prefere sempre não esquecer.

Os bilhetes de concertos continuam fora da caixa. Como se os concertos - e a música, sempre a música - fossem mais verdade que tudo o que foi passando. Como se os concertos - e a música, outra vez - ficassem, enquanto o resto vai.

24.2.08

So many lessons you still have to learn.

Nunca dançar numa discoteca com um braço no ar (e às vezes o dedo indicador espetado a fazer de extremidade) e o outro braço com o cotovelo espetado, como se meio corpo a dançar o doidas doidas doidas andam as galinhas e o restante numa imitação barata de Estátua da Liberdade robotizada, sem ritmo. Esta é uma das lições valiosas que se aprende na pista de dança. Outras há, tantas outras.

18.2.08

Diálogo

Ele não lhe tinha pedido nada, nem o afecto de outrora nem o silêncio de agora. Tão pouco precisava daqueles olhares crispados, dos lábios franzidos, dos braços cruzados e daquele corpo restrito, fugindo ao toque,voltando as costas às sua voz.

Por isso, hoje, mais uma vez como em todo aquele mês (se calhar, há mais tempo, mas também ele gelara e o tempo não corre sobre a pele fria), saltou da cama, sem fazer barulho, fez café que pousou, numa caneca, sobre a mesa de cabeceira dela, tomou banho, arranjou-se e saíu, sem bons dias e sem festas no cabelo. E no caminho para o trabalho

primeiro a pé e a chuva gélida como granizo, as gotas por dentro da gola do sobretudo, descendo costas abaixo, encharcando-lhe a cintura apertada

Estás tão gordo, nem te cabem as calças
Mais para amar
E a gargalhada pronta, como é que alguém tão estupidamente feliz se pode tornar tão ridiculamente amargo?


depois no autocarro, comprimido entre odores, pode apostar que o pescoço desta miúda excessivamente arranjada cheira a um perfume adocicado, como fruta demasiado madura, quase podre, e estes dois atrás dele, de mão na barra de segurança e axilas ao ar, ou estavam sem gás em casa - e com aquele frio, quem é que toma banho de água sem ser a escaldar?- ou são porcos, mesmo. Porcos imundos com as axilas sob o seu nariz, que óptima ideia para uma manhã feliz.

(É a segunda vez que rima hoje e pergunta-se se aquele provérbio "quem rima sem querer é amado sem saber" também se aplica quando o único diálogo que vai tendo ainda é consigo próprio. Pergunta-se, logo depois, se quando deixar de falar consigo próprio é porque perdeu o juízo de vez ou porque recuperou a sanidade.)

Afunda-se nos auscultadores do leitor de mp3, presente de Natal dela quando celebraram o primeiro Natal juntos, ela grávida. Ainda celebravam o Natal então. Ainda falta meia hora para chegar.

17.2.08

Onde nasce o medo?

15.2.08

Honestamente, estou-me nas tintas para o dia dos namorados.

Uma vez, em conversa, coiso disse que namorar não era ir ao cinema ou ter companhia ao final do dia. A frase não me era dirigida, mas afinei o ouvido. Ele continuou: "namorar não é um telefonema de duas horas, nem oferecer presentes caros."

Reconhece-se-lhe o dogma característico de coiso - as suas típicas verdades absolutas e incontestáveis, sobre os pilares frágeis da sua credulidade -mas não consigo não concordar, se olhar para além dos detalhes, se ler nas entrelinhas: o que é afinal namorar?

Namorar é desfrutar, é providenciar felicidade, para depois recebê-la. É claro que tudo aquilo pode estar incluído (e tantas vezes está e é bem bom, não o nego) mas viver um namoro, estar-se apaixonado tem de ser mais. Quantas vezes a relação cai na monotonia do telefonema de duas horas antes de se encontrar depois do trabalho para ir ao cinema? (Nada contra desde que o programa não seja por comodismo barato.)

Tudo isto para acrescentar que não sei o que é namorar - vai-se definindo a cada dia, a dois, e se renovando a cada segundo mas permito-me acrescentar, hoje, dia 15 de Fevereiro de 2008, que:

Namorar também é não celebrar o dia de S.Valentim.

13.2.08

No lanche a meio da cirurgia, na sala de convívio do Bloco

A Fátima Lopes pareceu-me muito parecida com alguém.

Mais tarde, na mesma sala, reparo que o José Castelo Branco está com o mesmo corte de cabelo que ela.

Não fica bem a nenhum, diga-se.

12.2.08

É MESMO ISTO, CARAÇAS.

É ainda melhor do que pensava.

6.2.08

O meu email está agora disponível neste post.

E é joanabats(arroba)gmail(ponto)com. *

Não vale a pena adicionar no msn (uso outra conta) nem mandar parvoíces. Um abraço.

*Isto é por ter medo de aranhas. Quando enviarem coisas, ponham os caracteres como deve ser!

*

Dura alguns segundos mas acontece sempre: temos aquela maneira específica de nos colocarmos um em frente ao outro e olharmo-nos nos olhos, a sorrir muito - não fôssemos nós sorridentes. Durante esses breves instantes, cresce a certeza de que vai acontecer não tarda nada, mas não movemos nenhuma parte do corpo na direcção de, limitamo-nos a manter o rosto contraído de antecipação. E então acontece - e eu não sei se é pelas estrelas cadentes se pela Terra começar a girar mais depressa, mas nunca sei como começa. Quando sinto o corpo de novo, que é no momento em que a alma volta depois de levantar vôo, abro os olhos e estás a sorrir, apesar de ainda não te teres afastado, e abraçamo-nos.

E é tão bom, caramba, só nós sabemos quão bom é.

Em relação ao post anterior, o epílogo em inglês para tentar ter piada

"I'll go all a causa foi modificada on it."

Que é como quem diz, talvez tenha validade limitada e desapareça em breve.

Bloqueio sentimental

Não podes entrar e sair, ficar e ir embora, voar e pousar consoante a tua vontade, raio de espécie de pássaro livre e desprendido que me encontrou.

Que encontraste em mim?

Pergunto-me que tipo de conforto terás dos nossos encontros e - espero sinceramente não soar a Amy Winehouse agora - mas lembro-me sempre de quando ela canta

I knew I hadn't met my match but every moment we could snatch
I don't know why I got so attached

porque em cada momento que estamos juntos aquilo que trago para casa é o teu perfume no meu antebraço (sempre, sempre) e uma vontade gigante de amar o mundo - e é de tal maneira gigante que o mundo me parece pequeno e abraçável, se é que a palavra existe - e a ti.

Depois passa, como uma droga, e do sorriso inquebrável restam sempre dúvidas se é desta que pousaste ou se amanhã, como se nada fosse, me avisas que já vais e que até podias ficar por mim, mas tens de ir. E entretanto ficas e vais ficando e vamo-nos incluindo nos planos um do outro outra vez - porque isto de gostarmos de alguém cujos pés estão um palmo acima do chão e a cabeça um palmo abaixo das nuvens é também ter sapatinhos de veludo, como a barata, e dar passinhos lentos, sem ruídos nem ranger de soalhos, primeiro um em direcção do outro e finalmente um ao lado do outro.

É muito raro conseguir escrever sobre ti tal como é raro conseguir descrever-te sem parecer deslumbrada quando, na verdade, isto até nem é bem deslumbre mas vontade de decifrar o código, o teu código. E nós já vimos de longe juntos ou em ajuntamento e quando me puxas contra ti e fazes aquelas promessas todas, eu tenho dois anos de novo e estou a roubar Serenatas de amor da gaveta dos chocolates na casa da minha avó. Por isso é que te sorrio daquela maneira, fica já a saber.

Há coisa de um ano disse-te que não podíamos andar a nos beijar assim e tu deste uma daquelas tuas gargalhadas luminosas, daquelas que enchem uma sala. E perguntaste "Porquê?" e eu não soube responder, eu não gostava de ti o suficiente para ser tua namorada nem queria ainda acabar com os nossos momentos gulosos - e a gula é um dos sete pecados mortais - sem saber onde é que aquilo nos levava. Um ano depois, olho para trás e estou certa que nos demos dos melhores momentos da nossa vida e que isto tem sido divertido e giro e excitante, mas é também há um ano que não sei responder à pergunta "tens namorado?" - e é uma pergunta simples, de sim ou não - porque quer dê uma das duas respostas possíveis, estarei a mentir com os dentes todos que tenho na boca (incluindo os sisos que tirei o ano passado).

Sempre me pareceu cobardia escrever no Desumanos sobre ti, porque tu não vens aqui ler-me e seria injusto falar de ti nas tuas costas, mas ontem tivemos a conversar sobre estas coisas e correu bem, acho eu. Não sei como o fazes, mas dizes o que tens a dizer de forma tão convincente que eu volto a ganhar confiança em ti. Eu disse-te a verdade quando disse "já não acredito em ti" porque acredito mais no meu sexto sentido do que naquilo que prometes, mas macacos me mordam se ontem não foste, pela primeira vez (ou talvez segunda, não tenho a certeza), sincero comigo e - só por isso - voltei a acreditar em ti.

Isto está bastante mais auto-biográfico do que a maior parte dos posts que por aqui deixo e acabei de transformar o meu blog num daqueles blogs pessoais muito irritantes. A minha imaginação não tem sido grande parceira nestes últimos tempos porque só te imagina, só te crê, porque só nela te tornas presente. És desaconselhado por toda a gente, salvo raras excepções, e mesmo assim não me quero afastar de ti. "Tarde demais", diria.

Pois aqui estou.

4.2.08

Rejubilai!

O Desumanos fez três anos há dias. Parabéns para nós! :)

(Isto já funciona como aquelas relações muito longas, que a certa altura já nem se conta há quantos anos se namora. Qualquer dia casamos, eu e o meu blog.)

"Without you the winter grows."

Já todos tínhamos saudades de um vídeo do youtube, eu sei, e como não quero que vos falte nada, cá está ele.

Se estiverem com um desgosto amoroso, NÃO oiçam isto pela vossa saúde, mesmo que esteja apenas no início, isto vai fazer-vos sentir ainda pior, a sério. É daquelas canções óptimas para nos mandarem ao chão, dar uns pontapés, fazer uns arranhões na cara e fazer cair grossas lágrimas de uma dor que está ainda mais para dentro do que as tripas e é maior que qualquer outra dor orgânica.

Por aqui, tudo bem, posso ouvir isto vezes sem conta sem verter uma gota - nem de choro nem de xixi, já agora, que ainda não estou incontinente. É tão linda, que canção tão filha de p*** de bonita, pá.

Noutra perspectiva, porque raio as músicas devem ser catalogadas como "txi vou chorar" ou "txi vou dançar"? Eu quando oiço "love me the way I love you" encho-me de uma alegria enorme, fico com o peito quase a rebentar de tanta alegria, mentalmente oiço uma cascata e água a correr - aqui sim, fico com vontade de um xixizinho que uma mulher não é de ferro - e o sol está a brilhar de uma maneira que tenho de franzir os olhos - como se eu tivesse miopia e me recusasse a usar óculos (olá, sim tu!) - e não há mais nada tão perfeito assim porque mentalmente oiço "I love you the way youuuu love me" e, honestamente, às vezes é só isso que precisamos de ouvir. E, se franzirmos tanto os olhos que as pálpebras chegam até a tocar-se, podemos adivinhar uma sombra que se aproxima da nossa cara e sentir, ao de leve, uns lábios molhados a tocar os nossos.



Bonnie 'Prince' Billy :: The Way

Winter comes and snow
I can't marry you, you know
Without you the winter grows
I can't marry you, you know

Love me the way i love you
Love me the way i love you

Take a year in your hands
You can find another man
Let your unloved parts get loved
I will be your man

Love me the way i love you
Love me the way i love you

Places you should be afraid
Into the river we will wade

Love me the way i love you
Love me the way i love you

Não vi o vídeo, mas ouvi a canção toda e é mesmo o original. Agora o vídeo não sei, só sei que começava com o sorriso de uma criança e que, a certa altura, tinha uma imagem de uma vaca, em que reparei quando ia fazer o copy-paste do embed.

SMOGgy weather

"It's just this justice aversion to the improper manner things are done today."

Justice aversion :: Smog :: Dongs of Sevotion

Posto isto: que cada um enfie a carapuça onde quiser.

3.2.08

O Google é fixe. O Google é bom. O Google é Deus.

A MELHOR INVENÇÃO DO SÉCULO É O iGOOGLE E O GOOGLE READER E NÃO SE FALA MAIS NISTO, ESTÁ BEM?

Boas notícias!

Aparentemente fazer exercício físico e beber álcool moderadamente fazem mais pela nossa saúde do que o exercício por si só.

The combined influence of leisure-time physical activity and weekly alcohol intake on fatal ischaemic heart disease and all-cause mortality

Jane Østergaard Pedersen1,2,*, Berit Lilienthal Heitmann2, Peter Schnohr3 and Morten Grønbæk

Aims: To determine the combined influence of leisure-time physical activity and weekly alcohol intake on the risk of subsequent fatal ischaemic heart disease (IHD) and all-cause mortality.

Methods and results: Prospective cohort study of 11 914 Danes aged 20 years or older and without pre-existing IHD. During ~20 years of follow-up, 1242 cases of fatal IHD occurred and 5901 died from all causes. Within both genders, being physically active was associated with lower hazard ratios (HR) of both fatal IHD and all-cause mortality than being physically inactive. Further, weekly alcohol intake was inversely associated with fatal IHD and had a U-shaped association with all-cause mortality. Within level of physical activity, non-drinkers had the highest HR of fatal IHD, whereas both non-drinkers and heavy drinkers had the highest HR of all-cause mortality. Further, the physically inactive had the highest HR of both fatal IHD and all-cause mortality within each category of weekly alcohol intake. Thus, the HR of both fatal IHD and all-cause mortality were low among the physically active who had a moderate alcohol intake.

Conclusion: Leisure-time physical activity and a moderate weekly alcohol intake are both important to lower the risk of fatal IHD and all-cause mortality.

Key Words: Physical activity • Alcohol intake • Ischaemic heart disease • All-cause mortality • Survival analysis

European Heart Journal 2008 29(2):204-212; doi:10.1093/eurheartj/ehm574

Devo estar com uma saúde de ferro!

29.1.08

Um disco que se destaca sobre todos os outros e uma nota de rodapé

Constantly Changing
And when I see you constantly changing
Never the same as, never remaining
I cannot fix you in a position
Where I would lose you out of my vision
For you are movement
And that is nothing

Nota de rodapé:
Leitores bonitos: tudo a ver o The Darjeeling Limited. É o melhor Anderson que vi e isto não é dizer pouco, tendo em conta o que está para trás e o facto do Royal Tenenbaums ser um dos meus filmes preferidos de todos os filmes do mundo - só não vi o Bottle Rocket, o primeiro dele, por isso sobre esse não me pronuncio. Era giro ver e eu gostava, mas nunca encontrei num clube de vídeo nem na casa de ninguém para pedir emprestado. Eu se percebesse alguma coisa de cinema escrevia um texto sobre o Darjeeling (desatava a falar em planos, fotografia, cortes de película como quem faz um sumo cheio de fruta sem se preocupar em saber o que está a deitar lá dentro), mas não percebo, vão ver vocês e depois digam qualquer coisa.

28.1.08

Porque...

Aos Sonics já tinha decidido ir há mais tempo. E o Neil Young esgotou.

27.1.08

Decisões rápidas

Vou ver os Twilight Sad.

I <3 LDN

Não gosto de não ter ideias novas. Fico mais ansiosa quando estou assim, sem ideias, sem um plano, sem algo para concretizar, do que quando tenho projectos a mais para as vinte e quatro horas de cada um dos sete dias da semana.

Vou a Londres, de 21 a 28 de Março. Já está tudo marcado e vai mesmo acontecer, o que é bom. É bom também não haver mais nada que justifique a minha ida a Londres se não a vontade de conhecer a cidade. (E agora também já posso voltar a dizer que quero fazer lá parte da especialidade sem que pensem "oh meu Deus, lá está ela a ser obsessiva de novo".) Inventei um slogan para a viagem, já agora: "L.O.J.J.A <3 LDN" (são as nossas iniciais e compõem a palavra loja).

Como era de esperar, e depois de algum tempo surpreendida a achar que não, há montes de concertos na semana que lá estou. Neil Young, The Sonics, Kristin Hersh, The Twilight Sad, e estou só a mencionar aqueles que gostava de ver. Vou ter de escolher dois, no máximo dois - ainda não sei quais.

Há montes de coisas para ver e fazer em Londres mas, quando penso nisso, aquilo que mais me apetece é "fundir". Fundir-me com os londrinos, como consegui em Barcelona. Acho que não quero ir ao Madame Tussaud's, as figuras de cera assustam-me um bocado. Quero ver as outras coisas todas, Big Ben, St. Paul's Cathedral, render da Guarda e Palácio de Buckingham, London Bridge (is falling down, falling down), Tower Bridge e o Tamisa, Picadilly Circus, Trafalgar Square. Gostava de ir ao Tate Modern. Passear, passear, passear e, ao final da tarde, beber umas pints no pub da esquina. Perfeito.

Adoro viajar.

20.1.08

A doença do beijo

Será a hipérbole uma doença contagiosa, como a mononucleose?

Ainda bem que falamos em Hot Chip

Já ouvi o novo álbum e é tão bom que viciou. Até fui buscar o The Warning para ver se eles já eram assim tão fixes na altura.

A boa notícia é que sim, já eram. Vão-se tornar das minhas bandas favoritas de sempre, estou mesmo a ver.

Ouvi na H&M, durante os saldos

Uma das coisas que faz com que a H&M seja uma das minhas lojas favoritas é a banda sonora da loja. Esta canção chamou-me a atenção, estava eu a ver roupa na secção de crianças (para os meus irmãos, embora o 14 me fique bem) depois de ouvir Spoon, que dá sempre que lá vou, é impressionante. Chama-se Tomoko e é da Hafdis Huld (há-de haver aqui algum ¨ que me esteja a falhar), que faz parte dos GusGus (banda islandesa de techno-pop - uma espécie de Hot Chip dos anos 90, em pior - de quem até já me tinha esquecido da existência.)

Aposto que esta Tomoko é daquelas gajas que nos irritam apesar de serem irrepreensivelmente adoráveis. So hard to hang out with that kind of girl.

Podem ouvir aqui.

She flies much faster
Shouts much louder
Looks much fresher
And eats much less than you

There's nothing you can do
It's just hard to hang out with Tomoko
Tomoko

She doesn't gossip
Her hair still shines
Still has hope
Is never broke
Like you

O Rato

Na astrologia chinesa, eu sou Rato. Se este ano se celebra o ano do Rato, devo esperar coisas boas, certo?

É bom que sim, é bom que sim.

Adenda, de um site qualquer:
É um ano próspero para o nativo do Rato. Poderá ser promovido ou atingir o auge da carreira. No campo da saúde não se terá que preocupar. Poderá esperar ganhos monetários e atingir vários objectivos.

Good for me.

19.1.08

A arte do sample V


A tribe called quest :: Can I kick it


Baby Huey :: Hard times

Baby Huey teve uma vida demasiado curta e, como não começou a cantar mal saíu da barriga da mãe, uma carreira ainda mais curta, com apenas um álbum para a posterioridade, de seu nome The Baby Huey Story: The Living Legend.
Senhor de grande porte, James Ramey decidiu ser conhecido pelo nome de um pato gordo de um desenho animado que fazia as delícias das crianças. A voz é como aqui se ouve, melosa, rouca, extremamente sensual e quente.
Algures na década de '60, e porque felizmente estas vozes raramente ficam pelo canto durante o banho, juntou-se a outros músicos e formaram o conjunto Baby Huey and the Babysitters, que, após muitas e muitas actuações ao vivo, chamou à atenção da Curtom Records.
Ora, reza a história que os Babysitters não encantaram o patrão da Curtom, Curtis Mayfield (estou a tentar não entrar em histeria, para isto não se tornar um post sobre o Curtis Mayfield), e que, por isso, o disco, produzido pelo GIGANTE CURTIS, só ficou com o nome dele, apesar da participação do resto da banda.
Em 1970, Baby Huey, na altura com 26 anos, teve um enfarte do miocárdio (por acaso, tema de estudo este fim de semana e de trabalho a apresentar na sexta-feira, que coincidência) ao qual não sobreviveu.

Resta-nos o disco, assumidamente influência no hip-hop, e que foi só editado postumamente. Como se espera, é protagonizado pela voz de Baby Huey, mas Curtis - mesmo não gostando dos Babysitters - não deixou as orquestrações para trás, tornando-as dignas de um disco seu (ahahah) e é um encadear de emoções de um espectro enorme desde o blues ao funk, passando pelas baladas soul como esta que se mostra aqui, com ritmo para qualquer dia da nossa vida (desde a pista de dança ao amor com o(a) namorado(a), desde arrumar à casa a ir fazer exercício ou um trabalho para a faculdade).



The Baby Huey Story: The Living Legend é também, claro, obrigatório.

17.1.08

A arte do sample IV

Na categoria de melhor guilty pleasure de 2007, fica esta canção:


Rihanna :: Don't stop the music


Só Deus sabe o quanto adoro mexer as ancas com isto. Isto é bom, as palmas, a letra flirty

Do you know what you started?
I just came here to party
And now we're rockin' on the dance floor
Looking naughty.


e o mamasémamasámamacosá, ou lá o que é que ela diz no final. E que ele também diz aqui:



Michael Jackson :: Wanna be starting something


Maravilha, ou quê?

[Post inspirado pela Isilda Sanches, no O2 Hi-Fi de hoje, da Oxigénio.]

15.1.08

(entre parêntesis)

Esta minha mania de escrever parágrafos inteiros dentro de parêntesis vai ter de acabar. Já me irrita.

A arte do sample III



M.I.A. :: Paper Planes




The Clash :: Straight to Hell


(Já toda a gente sabe desta, mas é uma das canções do ano e sampla de forma brilhante os Clash. Mais, a minha preferida do Kala talvez seja a Bamboo Banga, embora este seja daqueles discos de onde é impossível escolher uma sem estar a cometer uma injustiça do tamanho do mundo.)

Em assuntos relacionados, vejam, vejam o vídeo mais adorável de sempre. <3 (amor, meus espertinhos que pensaram nesse palavrão que rima com alho) para estes dois. É o Diplo e a própria, a cantar aquela que era a versão original da Paper Planes, que sampla outra coisa qualquer não me lembro o quê. Muito elucidativa, eu. Querem que vos fale de terapêutica com hidrocortisona no doente com choque séptico? Terei todo o gosto.



Eu sei que eles já acabaram, mas há ex-namorados que ficam para a vida - eu cá ando para prová-lo, e, se isto não é amor, não sei o que é o amor e provavelmente por isso raramente o encontro. Mas não. Algo me diz que isto é mesmo o amor. Coisa mais querida, meu Deus.

13.1.08

Janeiro também é mês de...


...Estreia de um filme novo do Mestre. *vénia*

(Depois de ver o trailer umas quinhentas mil vezes, o cenário é novamente Londres (and it's actually ok, Woody's sarcasm and ironic twist go well with a british accent), há problemas financeiros e um crime, uma mulher perigosamente estonteante, o dilema da moralidade versus imoralidade e a família - e deve-se fazer tudo pela família, não é? Como se vê ali em cima, entra o Ewan McGregor (ora bem, vai ser giro de ver, acho eu) e o meu ódio de estimação chamado Colin Farrell (mas porque é que os poucos realizadores cuja carreira vou acompanhando - olá Terrence Mallick! - o escolhem para filmes seus, bolas?). Prometo que vou estar lá sem implicar: é a prova de fogo, se não gostar dele dirigido pelo Woody Allen, é provável que não venha nunca a gostar.

A má notícia é que não há Hugh Jackman. Tive esperança que sim, que ele repetisse como repetiu a Scarlett. Que pena.)

Os discos que marcaram o transacto ano

Com a devida humildade - e ignorando a ordem, excepto ali nos primeiros seis:

20. The Stars of the Lid :: And Their Refinement of The Decline
19. No Age :: Weirdo Ripper
18. The Clientele :: God save the Clientele
17. Battles :: Mirrored
16. Norberto Lobo :: Mudar de Bina
15. Akron/ Family :: Love is Simple
13. Animal Collective :: Strawberry Jam
12. Beirut :: The Flying Club Cup
11. Electrelane:: No shouts, no calls
10. Jens Lekman :: Night fall over Kortedala
9. Matthew Dear :: Asa Breed
8. LCD Soundsystem :: Sound of Silver
7. Le Loup :: The Throne of the Third Heaven of the Nations' Millenium General Assembly
6. Deerhunter :: Cryptograms

5. Panda Bear :: Person Pitch

4. Von Südenfed :: Tromatic Reflexxions

3. Burial :: Untrue


2. M.I.A. :: Kala

1. The National :: Boxer


Epílogo:
Chega a esta altura e falta sempre ouvir imensa coisa, mas no que o ano passado era ansiedade, este ano é serenidade: tenho a certeza que, tirando uma ou outra falha mais ou menos grave a ser colmatada logo que possível, percorri os discos que mais me interessavam e aqueles que valeram mesmo segundo as críticas e mais não sei quem
De salientar: muitos discos da categoria electrónica-pista de dança-whatever (é uma área por que me interesso cada vez mais por trazer lufadas de ar fresco), disquitos indie aqui e acolá (ouvi muito indie rock ai-as-minhas-guitarras-e-as-minhas-all-star-e-os-teus-ganchinhos, fiz uma selecção e ficaram estes, mas também podia ali estar o álbum de estreia dos Voxtrot, dos The Good, The Bad and the Queen - aliás, porque é que não está ali este álbum que eu tanto adorei? - ou o álbum dos Modest Mouse ou do Andrew Bird), coisas que nunca pensei gostar e afinal adoro (No Age, Battles, Stars of the Lid, e ficou a faltar, nesta categoria, o álbum dos Shining "Grindstone").
Mais, deixa-me cá ver: ah, falta muito hip-hop aqui, mas este ano os álbuns do género soaram-me muito a pastilha elástica (mastiga e deita fora). Fartei-me rápido deles todos, tirando uma canção aqui e acolá, a que regressava com prazer. Mais, mais, mais: ai é verdade, coisas que já ouvi, gostei e não estão aqui! O primeiro dos Justice, o segundo de Go! Team (Lux, sexta, can't wait) e o ésimo álbum dos Wilco, do Bill Callahan, dos !!!, do Neil Young (que para já adoro). E chega de cromice.

É que este ano nem me ia meter nisto das listas - afinal, quem quer mesmo saber quais os vinte discos que na minha opinião foram os mais inovadores, mais ground-breaking/mais partiram pedra, mais únicos, mais irrepetíveis, melhores amigos para todas as ocasiões? Só o Nuno, que me pediu encarecidamente para tentar alinhar estes nomes (ele queria trinta, aqui ficam vinte). De resto, mais ninguém quer saber: fica aqui registado que é para daqui a dois meses eu rir-me.

8.1.08

Constatações finais

I didn't think about it too long now.
I'm not liable to figure you out.
I wanted to figure you out.


I learnt to read minds, but in the case of yours, I couldn't read in the dark.

Sabes que mais? Paciência. Azarito. Fica p'a próxima.


Grant Lee Buffalo :: Honey don't think

Uma pergunta a sério

Quando é que se pára de desejar "Feliz ano Novo" às pessoas? A partir do dia 15 de Janeiro? Em Fevereiro? Quando nos apetecer? Porque é que não posso desejar bom ano em Agosto?

Deverei perguntar "é do seu agrado eu agora desejar-lhe bom ano ou, pelo contrário, isso incomodaria-o de forma extremamente séria?"?

7.1.08

Dia 7 de Janeiro de 2008, no meu Poemário

"Passou por nós este tempo todo, a coisa
ridícula do estão-a-tocar-a-nossa-canção
desaba sobre nós como um trovão.
Passa-nos uma coisa pela cabeça e
lá vamos nós de cabeça meter-nos
na boca do lobo, atirar ao próprio pé,
meter um golo na própria baliza.

Mesmo ao ler duas linhas muito belas,
com a sombra do candeeiro a dar-lhe em cheio,
a breve palavra dos seus lábios era outra.
A simples música dos seus lábios era outra.
Essas linhas já não tinham, por assim dizer,
lógica nenhuma. E eu, tonto, lá ia.

A coisa é de tal forma que ainda hoje
lá vou, a esse rodeio de mistérios repetidos,
força magnética e fatal, onde foste buscar
tanto sangue para meter nas veias?
Que, grossas, despontam sobre a ira
das mãos assanhadas e assim te atraem.

Uma dança parada de costas duras, fasquia
dobrável com truque de mão, alguma coisa
que me prende aqui, quem sabe se nesta casa
não descobri, sem querer, o eixo da terra,
o equador de uma alma relativamente pobre."

Helder Moura Pereira, Segredos do Reino Animal (1949)

O meu Poemário (um dos meus presentes preferidos deste Natal, daquelas surpresas não pedidas) é igual a todos os outros Poemários (implico com a palavra poemário e algo me diz que tal implicância terá a ver com as suas três últimas sílabas) da Assírio & Alvim, de 2008. Quando, por vezes, encontrar, por coincidência (ou não: já espreitei e o poema do dia 18 de Novembro - 24 anos - é um dos meus poemas preferidos de todos os tempos), poemas que goste muito, para aqui os trarei. Dia 2 já teve Cesariny e 3 o O'Neill, mas eu também não posso pôr aqui tudo. Escusado será dizer que, por nove euros e sessenta cêntimos (e com este poema como single de avanço) estes Segredos são um must-have absoluto.

Helder Moura Pereira nasceu em Setúbal, a 7 de Janeiro de 1949. Foi professor no Ensino Secundário e Assistente da Faculdade de Letras de Lisboa (Departamento de Estudos Anglo-Americanos). No King’s College da Universidade de Londres, como leitor, ensinou Literatura Portuguesa. Leccionou também Português e Técnicas de Expressão do Português nos cursos de Formação Profissional da Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa. Ingressou no Ministério da Educação em 1986, tendo exercido funções técnicas na área da educação de adultos, nomeadamente em animação de leitura e nos grupos de planeamento e redacção da revista Forma e do jornal Viva Voz. Foi técnico superior do Ministério da Justiça, em funções no Estabelecimento Prisional de Lisboa. Em 1990 reuniu os seus livros de poesia publicados até à data em De Novo as Sombras e as Calmas, poesia de 1976 a 1990. Publicou depois outros livros de poesia (Em Cima do Acontecimento, Nem Por Sombras, O Horizonte Basta, Amor Carnalis e Um Raio de Sol) e um de contos para crianças (A Pensar Morreu um Burro e Outras Histórias). O seu livro de poesia, Lágrima, foi publicado em 2002, seguindo-se A Tua Cara Não Me É Estranha, editado em 2004. Tem traduzido regularmente autores como Ernest Hemingway, Jorge Luis Borges, Sylvia Plath, Charles e Mary Lamb, Sade, Guy Debord; e escrito sobre música no Jornal de Notícias.
Biografia retirada do site da Assírio & Alvim.

30.12.07

Ó caramba, porque estás tão longe?*

Se soubesse o que sei hoje, em vez de escolher uma faixa do Blue (foi a Case of you, não foi? também se adequa, ainda assim) como fiz (só porque era o meu álbum preferido da Joni), punha na compilação que te ofereci esta do Court and Spark, porque dá-me a ideia que, mesmo em 1974, ela escreveu-a a pensar em ti e em nós.

Joni Mitchell :: Help me

Help me.
I think I'm falling in love again.
When I get that crazy feeling, I know
I'm in trouble again.
I'm in trouble
cause you're a rambler and a gambler
And a sweet-talking-ladies man
And you love your lovin,
But not like you love your freedom.

Help me.
Help me.
I think I'm falling
In love too fast,
It's got me hoping for the future
And worrying about the past.
cause I've seen some hot hot blazes
Come down to smoke and ash.
We love our lovin',
But not like we love our freedom.

Didn't it feel good,
We were sitting there talking,
Or lying there not talking,
Didn't it feel good?
You dance with the lady,
With the hole in her stocking,
Didn't it feel good?
Didn't it feel good?

Help me,
I think I'm falling in love with you.
Are you going to let me go there by myself,
That's such a lonely thing to do.
Both of us flirting around,
Flirting and flirting,
Hurting too.
We love our lovin,
But not like we love our freedom.

*
O idiota que inventou o "longe da vista, longe do coração" devia ser torturado até à morte, de olhos vendados com um ferro com a ponta em brasa a queimar-lhe o peito, a ver se ele acha mesmo que o longe da vista significa realmente longe do coração.

Tenham calma, ando a educar-me.

Ando a ouvir A Tribe Called Quest (confesso: conhecia uma música aqui e acolá, de compilações ou assim), porque o Rodrigo me mostrou uma fonte para a discografia toda (sacar álbuns da net, eu? De todo!).

"Educa-te" disse ele. Ando a perceber o porquê a cada audição. Uma maravilha.


:: Electric Relaxation, Midnight Marauders, 1990.


:: Check the Rhyme, The Low End Theory, 1991.


:: Bonita Applebum, People's Instinctive Travels and the Paths of Rhythm, 1993.

Ah, que engraçado!

O post anterior não ia ser sobre os Wire e o Pink Flag e agora esqueci-me do que ia a dizer.

Fica para uma próxima. Os meus cumprimentos.

(O disco, foda-se, oiçam o disco.)

O youtube é uma invenção GENIAL.

Um dos meus discos preferidos de todo o sempre (há sempre um punk dentro de nós, e eu não sou excepção) está por lá disponível na íntegra em dois vídeos. Fica aqui, para quem não conhece.


O álbum é este

e macacos me mordam se os Wire não são pais e avós e tios afastados de todas as bandas rock deste século. Foda-se (Ó P'RA MIM BUÉ PUNK), É DOS MELHORES DISCOS DE SEMPRE E ESTÁ NO YOUTUBE.

Creio que no decorrer da História Universal haverá, à semelhança do nascimento de Cristo (a propósito, passaram bem as festas?) uma época pré-youtube e uma época pós-youtube. Já estou mesmo a ver as datas de lançamento de um álbum seguidas do epíteto aY ou dY (ou, em inglês, bY - b, de before - e aY - a, de after). O Tempo virá a seu tempo, como é costume, e dará como certo aquilo que prevejo. Cá estaremos, deslumbrados.

(Deslumbrem-se mas é com um dos melhores álbuns de sempre. É por estas e por outras que só arranjo namorados esquisitos. Eu adoro os Clash (rai's parta a minha punk interior) mas quando falo em punk rock - é raro, mas pode acontecer - com um gajo só quero que ele me responda com o seu punk interior "Foda-se, estás a brincar? O Pink Flag é um dos álbuns da minha vida. Só me apetece mandar toda a gente p'o cara*o [N. da A.: haja decoro, um palavrão por post, foda-se] e partir esta m*rda toda!". Depois de recuperar da emoção - de mãos transpiradas, olhos brilhantes de lágrimas contidas e o coração na boca, batendo depressa - eu perguntaria "Casamos onde?".)